Perseguição ao PCO

PF mente: veja os materiais que o PCO imprimiu nas últimas eleições

Registros das campanhas mostram jornais e milhares de panfletos armazenados, transportados e distribuídos por militantes do Partido em diferentes locais

Perseguição ao PCO

PF mente: veja os materiais que o PCO imprimiu nas últimas eleições

Registros das campanhas mostram jornais e milhares de panfletos armazenados, transportados e distribuídos por militantes do Partido em diferentes locais

A operação ilegal da Polícia Filial contra o Partido da Causa Operária procura lançar a suspeita de que despesas do PCO com gráficas nas últimas eleições fariam parte de um esquema de desvio de recursos públicos.

A insinuação difundida a partir da investigação é de que pagamentos declarados pelo Partido serviriam para retirar dinheiro do fundo eleitoral por meio de serviços gráficos fictícios ou superfaturados.

O PCO já apresentou em suas prestações de contas documentos destinados a comprovar a realização dos serviços. Há, além disso, um vasto registro público da utilização do material produzido.

Fotos divulgadas durante as próprias campanhas mostram pilhas de panfletos, pacotes de materiais eleitorais, caixas de impressos sendo transportadas, bancas partidárias e militantes entregando propaganda eleitoral diretamente à população.

Essas imagens não foram reunidas depois da operação da PF. Estavam publicadas havia anos nas redes do Partido e de organizações ligadas a ele.

Milhares de exemplares nas ruas

Nas últimas eleições, grandes pilhas do material “Vote PCO 29” foram fotografadas separadas em pacotes identificados com mil exemplares cada.

Houve distribuição diante de estações, atividades em ruas comerciais, entrega de porta em porta e propaganda em bairros populares. Bancas foram montadas em feiras, cobertas por jornais, panfletos, adesivos e outras publicações.

Os próprios militantes e candidatos registraram o transporte dos materiais.

Os registros públicos mostram etapas diferentes de um trabalho que envolve imprimir, embalar, transportar e colocar a propaganda nas mãos dos eleitores.

Para o PCO, impresso é parte central da campanha

O volume de material gráfico deve ser entendido também a partir da forma como o Partido realiza sua propaganda.

O PCO não dispõe de emissoras de televisão, grandes jornais ou da estrutura dos principais partidos burgueses. Sua campanha depende em grande medida da atuação direta dos militantes nas ruas.

Panfletagens, bancas, distribuição de jornais e atividades em bairros, feiras, centros comerciais, universidades e locais de concentração dos trabalhadores fazem parte de sua atividade política permanente e ganham ainda mais importância durante as eleições.

Produzir material em grande quantidade não é, portanto, um elemento estranho à campanha do Partido. É uma necessidade de seu próprio método de intervenção.

A suspeita lançada sobre as despesas gráficas procura separar os números apresentados nas prestações de contas da campanha que ocorreu efetivamente nas ruas.

As fotografias ajudam a restabelecer essa ligação.

Elas não substituem a documentação contábil apresentada pelo Partido nem pretendem responder isoladamente a cada questão levantada pela Justiça Eleitoral. Mostram, porém, que houve produção e distribuição de material em grande escala, contrariando a tentativa de tratar a atividade gráfica do PCO como uma ficção.

O suposto enriquecimento que não aparece

A acusação contra as gráficas faz parte de uma ofensiva mais ampla que tenta apresentar dirigentes do PCO como beneficiários dos recursos eleitorais.

Na Análise da Terça dessa terça-feira (25), Rui Costa Pimenta comentou os bloqueios determinados contra contas bancárias de militantes do Partido.

Segundo o presidente do PCO, um levantamento feito entre os atingidos indicava valores inferiores a R$2 mil no total.

João Pimenta, um dos apresentadores, mostrou durante o programa uma correspondência bancária referente a uma antiga conta sua. Nela, o bloqueio alcançou R$232,38. Em outra conta utilizada no cotidiano, o valor foi de aproximadamente 250 reais.

“Se você é um partido corrupto, é muito difícil que as pessoas vão na sua conta e não consigam dinheiro nenhum de ninguém”, afirmou Rui.

A investigação procura associar o Partido a milhões de reais enquanto as medidas contra os supostos beneficiários atingiram apenas pequenas quantias.

Também não apareceu o patrimônio pessoal que corresponderia à versão de dirigentes enriquecidos com recursos eleitorais.

PCO recusou negócios muito mais lucrativos

Rui chamou atenção para outro aspecto durante o programa: caso a finalidade da direção do PCO fosse ganhar dinheiro com a legenda, existiriam meios muito mais simples dentro do próprio sistema partidário.

O comércio de legendas e alianças eleitorais é conhecido na política burguesa.

Segundo Rui, o PCO já recebeu propostas para colocar sua estrutura partidária à disposição de outros grupos. Uma delas teria chegado a cerca de 5 milhões de reais.

Foi recusada.

“Para que você vai pegar o dinheiro do fundo partidário? Você pode alugar a legenda. Ganha mais alugando a legenda. Mas a gente não faz isso, nunca fez”, declarou.

João Pimenta lembrou ainda o relato de uma candidata ao governo do Piauí sobre uma sigla que teria pedido cerca de R$200 mil apenas para participar de sua coligação.

O PCO não segue esse caminho. Também não entrou em federações partidárias para obter facilidades eleitorais e financeiras.

Rui recordou que, em 2018, mesmo defendendo a candidatura de Lula contra a perseguição judicial, o Partido rejeitou uma composição com o PT por discordar de seu programa.

“Nós falamos que não, porque nós não concordávamos com o programa do PT. Quer dizer, um partido corrupto não age assim.”

Uma operação para produzir escândalo

O presidente do PCO classificou a busca realizada pela Polícia Filial em sua residência como “uma operação de teatro”.

A caracterização aponta para a função política da ação.

A entrada da PF na casa do presidente de um partido produz imediatamente a imagem de um grande caso criminal. A investigação passa então a ser apresentada publicamente como se as acusações já estivessem demonstradas.

É nesse ambiente que despesas eleitorais com gráficas são transformadas em indício de lavagem de dinheiro.

Mas a propaganda das campanhas anteriores deixou registros demais para que se possa simplesmente apagar aquilo que foi produzido.

As fotos mostram pilhas com milhares de panfletos, folhetos embalados, caixas de materiais, bancas partidárias e militantes distribuindo os impressos aos trabalhadores.

São registros anteriores à atual investigação e que ficaram publicamente disponíveis durante anos.

A campanha da PF e da imprensa procura criar a imagem de dinheiro destinado a gráficas sem correspondência na atividade eleitoral. As próprias campanhas do PCO deixaram fotografado o contrário: uma quantidade enorme de material produzido para ser transportado e distribuído nas ruas do País.

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