Luta pela terra

PF invade casa de antropóloga do MPF que defende direitos Pataxó

Sheila dos Santos Brasileiro teve sua casa invadida por policiais numa clara tentativa de intimidação

Na manhã desta quarta-feira (14/05), a antropóloga Sheila dos Santos Brasileiro teve sua casa invadida por policiais em uma operação da Polícia Federal, Polícia Civil e Militar do estado da Bahia, e da Força Nacional de Segurança.

Os policiais chegaram com extrema violência e tentaram derrubar a porta de sua residência em mais uma ação da criminosa operação batizada de “Sombras da Mata”, cumprindo mandados de busca e apreensão e de prisão contra lideranças indígenas Pataxó.

A criminosa operação, que está na sua terceira fase, deixa de perseguir lideranças e integrantes da luta pela demarcação das terras indígenas Pataxó no Extremo Sul da Bahia, e mira neste momento apoiadores e reconhecidos defensores dos direitos dos índios Pataxó.

A antropóloga Sheila dos Santos Brasileiro é perita do Ministério Público Federal há mais de 30 anos, com reconhecida atuação pela garantia dos direitos dos índios, quilombolas e outras populações que lutam por suas terras griladas por latifundiários e figurões da política da Bahia e nacional. Sua atuação na região é de garantir os direitos fundamentais dos índios Pataxó diante da enorme violência e perseguição política que vêm sofrendo e se intensificando no último período.

Sheila teve sua casa revistada e seus pertences revirados, além de seu celular e computador apreendidos pelas forças policiais.

Perseguição à luta pela terra se intensifica no Extremo Sul da Bahia

O governo do estado da Bahia, juntamente com latifundiários locais, organiza uma enorme operação contra a demarcação das terras indígenas Barra Velha do Monte Pascoal e Comexatibá, nos municípios de Porto Seguro, Prado e Itamaraju, na Bahia.

O principal meio de perseguição à demarcação dessas terras é a operação “Sombras da Mata”, que está na sua terceira operação. A primeira ocorreu em dezembro do ano passado e prendeu a liderança histórica das autodemarcações, o Cacique Joel Braz Pataxó, acusando-o, sem nenhuma prova ou indício, de sua participação no conflito muito suspeito que resultou na morte de dois agricultores de um assentamento dentro dos limites da terra indígena Barra Velha do Monte Pascoal.

A segunda fase da criminosa operação Sombras da Mata ocorreu em março deste ano e prendeu quatro lideranças Pataxó com mais acusações sem nenhuma prova, apenas acusações de latifundiários e das “investigações” policiais, que são conhecidas por atuarem como milícias dos fazendeiros e por envolvimento em assassinatos de índios Pataxó.

Dessas prisões, estão a do Cacique Suruí, presidente do Conselho de Caciques do Território de Barra Velha do Monte Pascoal, a do Cacique Mandy, liderança de retomada no território Comexatibá, e a do ex-coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no extremo sul baiano, Cacique Aruã, exonerado um dia antes de sua prisão a mando do Ministro da Casa Civil, Rui Costa, ex-governador da Bahia e conhecido por sua atuação contra a demarcação de terras.

A perseguição, intimidação e coação são realizadas por latifundiários e pelo governo da Bahia

A invasão da residência de Sheila, a prisão de lideranças Pataxó e o pedido de prisão de muitas outras representam um acirramento da perseguição política para impedir a demarcação das terras indígenas Pataxó.

A intenção da operação “Sombras da Mata” é perseguir lideranças e apoiadores, prender e intimidar índios e apoiadores da luta pela demarcação. A mobilização dos Pataxó para a demarcação é enorme e vem sendo feita pelos próprios índios, porque o processo de demarcação está completamente paralisado e os avanços são somente no papel para enrolar ainda mais os que lutam pela terra.

Diante da mobilização para a autodemarcação, o governo federal e o governo do estado da Bahia respondem apenas com muita demagogia e repressão policial contra os índios em diversas operações organizadas pela Casa Civil do governo federal e do governo da Bahia, através dos secretários Marcelo Werner, Secretário de Segurança Pública, e Adolpho Loyola, Secretário de Relações Institucionais (Serin).

Estes secretários se reúnem constantemente com latifundiários e suas entidades representantes para organizar essas operações e impedir a autodemarcação.

Responder à perseguição e intimidação com mais retomadas

Essas prisões e perseguições mostram que os latifundiários dominam as instituições e estão atuando através delas para impedir as demarcações. Fica evidente a necessidade de dar uma resposta ao Governo Federal e da Bahia, que se escondem diante da violência, dos assassinatos contra os índios e de grupos milicianos como o Invasão Zero.

A única maneira de acelerar a demarcação e impedir a perseguição política da luta pela terra é denunciando os responsáveis pelas milícias formadas por policiais e os mandantes da criminosa operação “Sombras da Mata” dentro da Casa Civil e do governo da Bahia, e responder com o único método que essas instituições entendem: mais mobilização com retomadas e autodemarcação.

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