América Latina

Petro anuncia aumento de 22% do salário mínimo na Colômbia

Medida é apresentada pelo governo como a materialização do conceito de "salário mínimo vital", política que busca assegurar condições dignas de subsistência para núcleo familiar

Gustavo Petro

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, oficializou um reajuste histórico no salário mínimo do país para o ano de 2026, estabelecendo o maior aumento nominal das últimas três décadas. Conforme detalhado pela rede venezuelana teleSUR, a decisão foi tomada via decreto após o esgotamento das negociações na mesa de concertação salarial, resultando em uma elevação de 22,7% no salário base. Com o ajuste, o valor de referência passa de 1.420.000 para 1.750.905 pesos colombianos que, somados ao auxílio-transporte também reajustado, eleva o rendimento mensal total dos trabalhadores para 2.000.000 de pesos, configurando um incremento global de 23,78%.

A medida é apresentada pelo governo como a materialização do conceito de “salário mínimo vital”, uma política que busca assegurar condições dignas de subsistência não apenas ao indivíduo, mas ao núcleo familiar. Petro fundamentou a decisão com base na realidade demográfica da Colômbia, onde os lares possuem, em média, 3,4 pessoas e 1,5 trabalhador. Ao projetar o custo de uma cesta familiar em pouco mais de 3 milhões de pesos, o Executivo definiu o novo piso como um patamar necessário para reduzir o déficit de renda das famílias. Em termos reais, descontando a inflação projetada, o ganho de poder de compra será de 18,7%, superando a soma dos avanços obtidos nos três anos anteriores de mandato.

Além do impacto direto para os assalariados formais, o governo colombiano destaca que o aumento de 327.405 pesos adicionais no bolso dos trabalhadores funcionará como um motor para a chamada “economia popular”. Segundo a teleSUR, o presidente defendeu que o maior fluxo de caixa nas mãos da população dinamiza o consumo em microempresas, mercados de bairro e negócios informais, fortalecendo a demanda interna. O ministro do Trabalho, Antonio Sanguino, reforçou a tese ao classificar a medida como uma aposta na dignidade do trabalho e no bem-estar social, alinhando a política salarial colombiana a diretrizes internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Diante das previsões de setores empresariais sobre possíveis riscos inflacionários ou impactos no nível de emprego, Petro rebateu os argumentos citando que a Colômbia encerrou o último ciclo com a taxa de desemprego mais baixa do século e níveis de pobreza em redução histórica. O novo valor entra em vigor imediatamente, consolidando-se como a principal bandeira econômica do governo para o início de 2026.

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