Estado de 'Israel'

Pesquisa: Netaniahu é odiado pelo mundo inteiro

Nem mesmo nos Estados Unidos, o primeiro-sionista tem apoio da maioria da população

O governo de Benjamin Netaniahu entrou em uma nova etapa de crise. A guerra contra o Líbano, a agressão contra o Irã e o genocídio contra o povo palestino deixaram de aparecer como demonstração de força e passaram a revelar o enfraquecimento do regime sionista. No norte de “Israel”, onde o Likud tinha uma de suas bases eleitorais mais importantes, o apoio ao partido de Netaniahu caiu para 23%, contra 35% obtidos na eleição de 2022. Cerca de 70% dos eleitores da região desaprovam a condução da guerra no Líbano.

O norte ocupado é uma região diretamente atingida pela guerra com o Hesbolá. Cidades como Kiryat Shmona, antes apresentadas como símbolos da colonização sionista, aparecem agora como locais esvaziados, com lojas fechadas, moradores deslocados e medo constante de ataques. Moradores da região acusam Netaniahu de ceder à pressão dos Estados Unidos e de não garantir a chamada “segurança” que prometia.

Netaniahu tenta se sustentar politicamente pela guerra, mas a guerra corrói sua própria base. Para a extrema direita sionista, o primeiro-ministro não é duro o suficiente. Para a população atingida pela guerra, o governo não garante segurança. Para o mundo, “Israel” aparece cada vez mais como um Estado criminoso, isolado e incapaz de impor uma derrota decisiva aos povos que resistem.

O Hesbolá voltou a disparar após os Estados Unidos e “Israel” lançarem a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026, levando o exército israelense a renovar sua ofensiva e ocupar partes do sul do Líbano. Desde outubro de 2023, mais de 50 civis foram mortos por disparos do Hesbolá no norte de “Israel”, enquanto mais de 7.500 pessoas foram mortas por ações militares israelenses no Líbano, segundo autoridades libanesas.

O Estado sionista consegue matar milhares, mas não consegue garantir estabilidade. Consegue ocupar posições, mas não consegue impedir que suas próprias colônias do norte virem cidades-fantasma. A força militar, nesse caso, aumenta a crise política.

Netaniahu tenta apresentar a expansão da guerra no Líbano como uma vitória. Nos últimos dias, o primeiro-ministro comemorou a tomada do castelo de Beaufort, também conhecido como al-Shaqif, no sul libanês, como uma “mudança dramática” na campanha contra o Hesbolá.

Mas o fato de o governo precisar transformar a ocupação de uma fortaleza medieval em propaganda mostra a falta de resultados estratégicos. A ocupação de posições no sul do Líbano não elimina o Hesbolá, não permite o retorno seguro dos colonos do norte e não resolve a crise interna. Pelo contrário, aumenta o custo militar, aprofunda o desgaste internacional e coloca Netaniahu sob pressão de setores ainda mais agressivos da direita sionista.

O próprio debate dentro de “Israel” mostra esse impasse. Famílias de soldados e grupos de extrema direita passaram a defender a criação de assentamentos no sul do Líbano, isto é, a transformação aberta da guerra em colonização. Essa política revela o verdadeiro conteúdo do sionismo: a guerra não é defensiva, mas uma guerra de expansão territorial, expulsão de populações e destruição da soberania dos países vizinhos.

Outro elemento central da crise é a dependência de Netaniahu em relação aos Estados Unidos. O primeiro-ministro aparece como chefe de um Estado armado até os dentes, mas subordinado à política do imperialismo. A própria base sionista no norte acusa o governo de ser controlado por Donald Trump. Um morador de Kiryat Shmona disse que votou no governo, mas que “quem manda nele é o presidente Trump”.

Nos Estados Unidos, a Câmara dos Representantes aprovou em 3 de junho de 2026, por 215 votos a 208, uma resolução para limitar os poderes de guerra de Trump contra o Irã. Quatro republicanos votaram com os democratas. A medida tem efeito jurídico discutido, mas expressa uma rachadura política nos Estados Unidos diante de uma guerra que já ultrapassou 90 dias.

A guerra contra o Irã também pesa diretamente no bolso dos norte-americanos. Uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 8 de junho de 2026 apontou que a aprovação de Trump estava em 35%, perto dos piores níveis de sua carreira política. A mesma pesquisa mostrou que 70% desaprovavam sua condução do custo de vida e 59% esperavam piora nos preços da gasolina no ano seguinte.

Ou seja, Netaniahu depende de Trump, mas Trump também está enfraquecido pela guerra que sustenta Netaniahu. A crise de “Israel” e a crise dos Estados Unidos se alimentam mutuamente.

A guerra contra o Irã atingiu o ponto mais sensível da economia mundial: o petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo, foi afetado pela guerra, pelo fechamento imposto pelo Irã e pelo bloqueio naval norte-americano contra embarcações iranianas.

A crise de Netaniahu não é apenas interna. O desgaste mundial de “Israel” chegou a um nível inédito. Pesquisa do Pew Research Center, realizada em 36 países entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026, mostrou que a mediana de adultos com visão desfavorável de “Israel” chegou a 67%, contra apenas 25% com visão favorável.

Não se trata apenas de países árabes ou muçulmanos. A rejeição cresceu em várias potências imperialistas e em aliados tradicionais. Nos Estados Unidos, a visão desfavorável de “Israel” subiu de 53% em 2025 para 60% em 2026. Entre norte-americanos de 18 a 34 anos, 74% têm visão desfavorável de “Israel”.

Netaniahu também aparece isolado pessoalmente. 59% dos norte-americanos dizem não confiar nele para fazer “a coisa certa” nos assuntos mundiais, contra 27% que dizem confiar. Na Itália, a desconfiança chega a 88%; na Alemanha, a 83%; no Reino Unido, a 75%; e na França, a 80%.

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