O colunista Josias de Souza publicou na terça-feira (25), no UOL, um artigo para caluniar o Partido da Causa Operária (PCO). O pretexto é a famigerada e fraudulenta operação da Polícia Filial contra Rui Costa Pimenta. O método é conhecido: parte-se de uma investigação farsesca e escreve-se como se a acusação já estivesse comprovada.
Josias chama o texto de Pequenos partidos, grandes negócios e constrói toda a coluna para apresentar o PCO como uma legenda destinada a movimentar dinheiro público. Não apresenta prova de desvio, enriquecimento de dirigentes ou serviço gráfico inexistente. Basta-lhe a suspeita levantada pela PF, sucursal do Mossad no Brasil.
A operação policial vira prova de si mesma.
Para chegar lá, o colunista precisa ainda cometer um erro elementar. Depois de mencionar recursos eleitorais, escreve que PRTB e PCO, apesar de não terem votos, igualam-se no “acesso aos fundos partidários”.
Fundo Partidário e Fundo Eleitoral não são sinônimos. O primeiro financia a atividade permanente das legendas; o Fundo Especial de Financiamento de Campanha é destinado às eleições. O PCO, inclusive, deixou de receber Fundo Partidário depois da antidemocrática cláusula de desempenho há muitos anos.
Para alguém disposto a insinuar corrupção na administração dos recursos de um partido, seria recomendável ao menos saber de qual recurso está falando.
Um milhão e meio fabricado na frase
A manipulação fica mais evidente quando Josias trata dos pagamentos feitos a uma gráfica ligada a um militante do PCO.
Ele escreve que, “numa operação”, foram pagos cerca de 1,4 milhão de reais à “gráfica do genro” de Rui Costa Pimenta. Não aconteceu assim.
A própria apuração publicada anteriormente pelo UOL separou os gastos: 550 mil reais foram pagos em 2022 e outros 925,7 mil nas eleições de 2024. Neste último pleito, os pagamentos corresponderam a sete notas fiscais.
Josias juntou despesas de eleições diferentes e as apresentou numa frase que faz parecer que 1,4 milhão de reais saiu de uma vez só. Não é um detalhe de redação. A formulação serve à acusação.
Escrever que uma gráfica recebeu centenas de milhares de reais pela produção de material eleitoral ao longo de diferentes eleições permite ao leitor avaliar os gastos dentro de seu quadro correto. Dizer simplesmente que “numa operação” o Partido pagou 1,4 milhão cria a impressão de uma transferência excepcional, concentrada e suspeita.
A cifra cresce à medida que a situação desaparece.
O procedimento é particularmente desonesto porque despesas gráficas não são marginais para um partido como o PCO. Campanhas eleitorais exigem a produção de folhetos, panfletos, cartazes e outros materiais em grande quantidade. O que poderia indicar irregularidade seria demonstrar que o material não foi produzido, que os valores eram fraudulentos ou que o dinheiro retornou clandestinamente a algum dirigente.
Nada disso aparece na coluna, tampouco na investigação que a embasou. A acusação é: existe uma gráfica, ela recebeu dinheiro e seu proprietário possuía ligação com o Partido.
O “genro” era militante do Partido
Josias também sabe escolher as palavras.
O dono da gráfica aparece em seu texto sobretudo como “genro” de Rui Costa Pimenta. É a maneira mais fácil de sugerir que o presidente do PCO teria enviado dinheiro a um parente.
Há uma informação omitida no caminho: ele também era militante e dirigente do PCO. O próprio UOL registrou sua participação na direção nacional do Partido ao noticiar o caso.
Não é difícil entender por que isso importa.
Uma coisa é dizer que o presidente de um partido resolveu contratar uma empresa de um parente completamente estranho à organização. Outra é explicar que a empresa pertencia a alguém que militava no próprio Partido e participava de sua atividade política.
Isso não torna qualquer contratação automaticamente correta. Também não a transforma em crime.
É absolutamente normal e legal que uma organização política utilize serviços prestados por seus próprios militantes. Um partido precisa de jornalistas, gráficos, advogados, técnicos, fotógrafos, produtores e uma série de outros profissionais. Não existe nenhuma razão para que seus militantes sejam proibidos de exercer essas funções.
Na própria operação da PF, a ligação de empresas com membros do PCO é utilizada para produzir suspeita. O raciocínio é circular: se a empresa não tivesse relação com o Partido, talvez não houvesse suspeita; como pertence a militantes, a própria militância vira indício de fraude. É uma tentativa de incriminar a militância política.
Josias ajuda a operação escondendo justamente esse aspecto e conservando apenas o parentesco. “Genro” produz uma história melhor.
Além disso, não há demonstração de que os valores pagos pelo PCO tenham terminado no patrimônio de Rui Costa Pimenta. Não há demonstração de que os materiais contratados não tenham existido. Tampouco uma condenação por corrupção.
Existe uma investigação sem base nenhuma da Polícia Filial, cuja hipótese Josias adota como ponto de partida.
É exatamente assim que vem funcionando a campanha do PIG contra o Partido desde a deflagração da operação de perseguição política. A polícia apresenta uma suspeita; a imprensa elimina as ressalvas; e, alguns parágrafos depois, o investigado já é tratado como culpado.
O nome da própria operação já cumpriu parte desse serviço. “Causa Própria” foi escolhido antes de qualquer julgamento, sugerindo desde o primeiro momento que o Partido utilizou recursos em benefício pessoal. A cobertura jornalística tomou a insinuação e passou a desenvolvê-la.
Rui Costa Pimenta já havia chamado atenção para esse mecanismo: o simples fato de recursos terem sido destinados a empresas dirigidas por militantes passou a ser apresentado como grave indício, embora isso, por si só, não demonstre desvio algum.
Josias não acrescentou prova nenhuma. Acrescentou malícia.
Confundiu Fundo Eleitoral com Fundo Partidário. Somou despesas de mais de uma eleição e as enfiou dentro de “uma operação”. Escondeu a condição de militante do homem que preferiu apresentar apenas como genro de Rui.
Seu texto é curto. O nariz, nem tanto.




