Neste sábado (29), o Partido da Causa Operária (PCO) realizou, no Ceará, um ato de lançamento de suas candidaturas para as eleições de 2026. A atividade contou com a participação de Antônio Carlos Silva, candidato a vice-presidente na chapa de Rui Costa Pimenta, de Ieri Braga, candidato ao governo cearense, de Lino Alves de Almeida, candidato ao Senado, e de candidatos do Partido a deputado federal.
Durante o encontro, os candidatos apresentaram o programa do PCO e defenderam a organização dos trabalhadores em torno de suas reivindicações, sem alimentar ilusões de que os principais problemas da população possam ser solucionados pelo Parlamento.
Ieri Braga, militante do PCO há cinco anos, iniciou sua fala destacando o que definiu como uma política de princípios do Partido.
“Assim como defendemos o Lula pelo ataque que ele está sofrendo do imperialismo, ao qual ele foi preso, também defendemos o próprio Bolsonaro por ele estar sendo preso de forma injusta pelo imperialismo. Assim como defendemos a liberdade de expressão daqueles que são nossos inimigos, também defendemos a liberdade de expressão daqueles que são os nossos aliados.”
Braga criticou a ideia de que as reivindicações dos trabalhadores devam se limitar ao que permitem as leis e o orçamento controlado pela burguesia.
“Constituições do Brasil já tivemos sete. Então não é o parâmetro legal hoje que vai limitar nossa luta. Porque a burguesia coloca para nós que as nossas reivindicações não são possíveis de ser atingidas porque não tem orçamento, porque não tem recurso. É mentira. Porque eles criaram as leis, eles controlam esse jogo.”
Entre as principais propostas apresentadas esteve a defesa de um salário mínimo de R$7.500.
“Uma das nossas pautas fundamentais é a pauta do salário mínimo de R$7.500. ‘Vocês são loucos, como vamos pagar um salário de R$7.500 para os trabalhadores?’ É possível, sim, porque nós somos contrários à Bolsa Banqueiro. Hoje a Bolsa Banqueiro recebe R$2,7 trilhões de orçamento público para beneficiar uma dúzia de pessoas.”
O candidato também defendeu a redução da jornada para 35 horas semanais, sem redução salarial e com finais de semana livres.
“A luta mais avançada é a luta pelas 35 horas semanais, com o final de semana livre e sem redução salarial, porque quando você diminui a jornada de trabalho você aumenta, consequentemente, a quantidade de cargos e empregos que você gera.”
Braga denunciou ainda o domínio dos bancos sobre a economia brasileira e defendeu sua estatização.
“A nossa condição de vida está sendo corroída pela sanha assassina dos bancos. É preciso falar dessa maneira porque os bancos não negociam conosco com flores nas mãos.”
Em seguida, acrescentou: “o orçamento público deve ficar no Brasil. Os bancos, principalmente os bancos privados, têm que sair do Brasil, têm que ser estatizados”.
O candidato abordou também a luta contra o imperialismo e citou o Hamas, o Hesbolá, o Ansar Alá, o Talibã e o Irã como forças que enfrentam a dominação das potências imperialistas.
Ao explicar sua candidatura, rejeitou a ideia de disputar a eleição em busca de vantagens pessoais.
“Eu não estou aqui como representante da minha causa própria. Eu não quero me candidatar como o representante do Ieri, que vai se beneficiar, encher o bolso de dinheiro, como fazem os políticos burgueses. Não. Eu estou aqui para representar um programa, um programa que representa a minha classe, a classe dos trabalhadores.”
No encerramento, resumiu o programa apresentado no ato.
“Nós propomos a organização dos trabalhadores em torno da luta pela revolução comunista dentro do nosso país; pela expulsão do imperialismo do nosso território; pela luta operária; pela redução da jornada para 35 horas semanais; pelo aumento do salário mínimo para R$7.500 por trabalhador; e pelo fim da Bolsa Banqueira.”
Braga ressaltou ainda que sua campanha não tem como objetivo apenas pedir votos. “Eu não estou aqui para pedir votos para vocês, porque não vai ser pelo Parlamento que a gente vai vencer essa luta. Eu estou aqui para falar o nosso programa e conseguir pessoas que se somem conosco nessa luta”.
Antônio Carlos denuncia sionismo e perseguição política
Antônio Carlos Silva, candidato a vice-presidente na chapa de Rui Costa Pimenta, tratou da luta do povo palestino e da perseguição política contra o PCO.
Ao falar da criação do Estado de “Israel”, comparou a ocupação da Palestina à eventual retirada de uma parte do território brasileiro para a criação de outro Estado.
“É como se alguém viesse aqui e falasse assim: ‘agora a Amazônia não é mais do Brasil, a Amazônia é de outro país. Vamos criar aqui um outro país’. Obviamente nós teríamos todo o direito de reagir, de pegar em armas e querer expulsar quem invadiu o nosso país para fazer isso aí.”
Antônio Carlos relacionou a atuação do PCO em defesa da Palestina aos ataques promovidos contra o partido por organizações sionistas.
“Nós fomos, no País, o partido que mais se dedicou a defender isso. Isso aí gerou um ódio dos sionistas, que têm muito poder aqui no Brasil e no mundo todo.”
O candidato denunciou também a atuação da Polícia Federal.
“Esse caso, inclusive, é uma demonstração de que o governo Lula não consegue controlar nada. A Polícia Federal está fora de controle. Não é uma novidade, porque a Polícia Federal sempre esteve fora de controle.”
Antônio Carlos associou a ofensiva contra o partido a uma tentativa de silenciamento.
“Essa ação é uma ação que tem a ver com esse problema: uma tentativa de calar. Não vai adiantar. Não somos um partido que vai ficar intimidado por essa situação.”
‘Não estou preocupado com votação’
Lino Alves de Almeida, candidato do PCO ao Senado, afirmou que sua participação na eleição não está subordinada à conquista de um mandato.
“Eu não estou preocupado com votação”, disse.
Para Lino, mesmo a eleição de um candidato operário para o Senado não seria suficiente para fazer passar as principais reivindicações dos trabalhadores.
“Mesmo que eu ganhasse a eleição e eu fosse deputado ou senador, no caso de hoje, o que ia acontecer? Eu ia colocar o projeto lá, e ele simplesmente ia ser rejeitado. Porque a grande maioria dos senadores que estão lá representam a burguesia, representam os banqueiros, representam os latifundiários.”
O candidato defendeu a extinção do Senado.
“Quando o projeto entra na Câmara e é aprovado — e às vezes o projeto é bom para o trabalhador —, ele vai para o Senado; chega no Senado, eles modificam tanto que, quando ele volta para a Câmara, não serve mais para o trabalhador.”
Lino criticou também o Supremo Tribunal Federal e a crença de que as eleições, por si só, possam alterar a situação da classe trabalhadora.
“Algumas pessoas dizem que o STF é o bastião da democracia. Que democracia? Nós não temos democracia; nós temos uma democracia burguesa, que não é para a classe trabalhadora. A democracia que nós queremos é a democracia operária. E essa só pode ser feita através da revolução.”
Em seguida, abordou a dívida pública e recordou as mobilizações contra a dívida externa realizadas durante a década de 1980.
“Nós não vamos pagar essa porcaria dessa dívida. Porque nós não devemos essa dívida. Nós somos trabalhadores, e esse dinheiro tem que ficar para a educação, para a saúde, para tudo o que a gente precisa no País — e não para o banqueiro pilantra que anda de jatinho para cima e para baixo.”
Ao tratar especificamente do Ceará, denunciou a terceirização de hospitais regionais, escolas e outros serviços públicos.
“As escolas do Ceará, a grande maioria, também são terceirizadas. Os hospitais regionais também: todos os hospitais regionais funcionam como terceirizados.”
Lino encerrou defendendo uma transformação revolucionária no País e citando a resistência do Irã aos Estados Unidos.
“Nós podemos fazer isso; podemos e devemos. Só há essa saída para o nosso País. Jamais as eleições. Eleições não mudam nada.”
Depois das falas dos candidatos, o encontro foi aberto às manifestações do público.





