O Partido da Causa Operária (PCO) realizou neste sábado (22), no Teatro dos Bancários, em Brasília, o lançamento de suas candidaturas no Distrito Federal para as eleições de 2026. Participaram do ato Rui Costa Pimenta, candidato à Presidência da República; Antônio Carlos Silva, candidato a vice-presidente; Expedito Mendonça, candidato ao governo do Distrito Federal; Danilo Pinheiro, candidato ao governo de Goiás; além de outros candidatos, militantes e apoiadores.
A atividade ocorreu menos de duas semanas depois da invasão da residência de Rui Costa Pimenta pela Polícia Federal, em 11 de agosto. A perseguição política e eleitoral ao PCO, que atingiu também dirigentes e militantes com bloqueios de contas e bens, esteve entre os principais temas do ato.
Expedito Mendonça afirmou que o Partido não participa das eleições para alimentar ilusões sobre o Parlamento ou o Executivo, mas para apresentar seu programa e impulsionar a mobilização dos trabalhadores.
“Não só a minha candidatura, mas todas as candidaturas do Partido da Causa Operária […] estão voltadas para essa única perspectiva: denunciar os limites da democracia burguesa, denunciar os limites da institucionalidade e apresentar para os trabalhadores o conjunto de reivindicações de uma plataforma que diz respeito às suas necessidades.”
Entre as reivindicações apresentadas estão o salário mínimo de R$8 mil, a reforma agrária, a reestatização das empresas privatizadas, o não pagamento da dívida pública e a exploração das riquezas nacionais em benefício da população.
Danilo Pinheiro, candidato ao governo de Goiás, denunciou a desigualdade da disputa eleitoral e relacionou a operação contra Pimenta à tentativa de restringir a atuação política do Partido.
“Eles veem a gente como um perigo, de esclarecer a população, de tentar participar de um jogo que só pertence a eles.”
Antônio Carlos Silva criticou o caráter antidemocrático das eleições, marcado pela enorme desigualdade de financiamento e de acesso à televisão. Também denunciou a política da esquerda de abandonar candidaturas próprias em favor de alianças com partidos da direita.
Segundo o dirigente, enquanto as maiores legendas recebem centenas de milhões de reais do fundo eleitoral e amplo espaço nos grandes meios de comunicação, o PCO dispõe de pouco mais de R$3 milhões para financiar mais de uma centena de candidaturas em todo o País.
‘O partido mais perseguido do País’
No encerramento do ato, Rui Costa Pimenta afirmou que a ofensiva contra o PCO não se limitou à invasão de sua casa. Segundo ele, militantes tiveram contas bancárias e bens bloqueados antes mesmo de qualquer condenação.
“Não existe ainda o processo. Ninguém foi indiciado. […] Sem julgamento, as pessoas tiveram suas contas bloqueadas.”
Pimenta também denunciou o nome dado pela PF à ação, “Operação Causa Própria”, que, segundo ele, já procura apresentar o Partido como culpado diante da opinião pública.
O candidato informou ainda que o PCO recebeu uma denúncia, que está procurando confirmar, segundo a qual a operação teria sido organizada pelo Mossad, serviço secreto de “Israel”. Ele relacionou a informação à perseguição sofrida pelo Partido em razão de sua defesa da Palestina e da resistência palestina.
“Como partido, o partido mais perseguido do País, nesse momento, é o PCO”, afirmou.
Para Pimenta, a intensidade dos ataques mostra que o Partido incomoda os setores que controlam o regime político.
“Como bem diz o provérbio popular, ninguém dá chute em cachorro morto, e nós estamos levando muito chute. Então nós estamos vivos.”
Eleições não resolverão crise do País
A maior parte da intervenção de Pimenta foi dedicada ao programa político da campanha. Segundo ele, uma organização revolucionária deve utilizar as eleições para combater a ilusão de que os problemas fundamentais do País serão resolvidos pelas urnas.
O candidato afirmou que o regime político brasileiro está esgotado e que as grandes mudanças na história nacional sempre dependeram da mobilização popular. Citou como exemplo a luta contra a ditadura militar, que entrou em crise não pelas eleições realizadas durante o regime, mas pela entrada dos trabalhadores em cena, particularmente com as greves do ABC no final dos anos 1970.
“Quem mudou o Brasil, quem fez o Brasil andar para frente, foi o povo na rua, sempre, em todas as situações.”
Pimenta contrapôs essa política à orientação seguida pelo PT. Segundo ele, mais de duas décadas depois da chegada de Lula à Presidência, problemas fundamentais como baixos salários, destruição da indústria nacional e retirada de direitos trabalhistas continuam sem solução.
“A nossa grande crítica ao PT é que o PT não chama o povo para a rua. O governo do PT não se apoia sobre a mobilização popular”, afirmou.
Para o candidato, a campanha do PCO deve servir para organizar os trabalhadores e defender abertamente a reestatização das empresas privatizadas, o fim do pagamento da dívida pública, a recuperação dos direitos trabalhistas e uma transformação profunda do regime político.
“As desvantagens que nós temos têm que ser denunciadas, mas não devem impedir o Partido da Causa Operária de levar adiante a luta para tornar consciente uma parcela cada vez mais ampla da população daquilo que é necessário. E aquilo que é necessário é a revolução e o socialismo.”
O ato contou ainda com apresentação cultural de jovens da periferia do Distrito Federal, membros do coletivo Aurora do Oprimido e do Cio das Artes, de Ceilândia, e uma manifestação de solidariedade do Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima ao PCO. Depois do lançamento, a programação prosseguiu com almoço e a transmissão da Análise Política da Semana, apresentada por Rui Costa Pimenta.






