O dirigente do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Hussam Badran, afirmou que houve progresso real nas conversas entre organizações palestinas, no Cairo, na quinta-feira (11), durante negociações mediadas por Egito, Catar e Turquia. As discussões tratam da segunda fase do plano dos EUA para Gaza, que inclui a retirada de forças de “Israel” e exigências sobre as armas da resistência. Apesar do avanço parcial, o impasse sobre desarmamento impede um acordo completo.
As conversas ocorreram em meio à continuidade de ataques “israelenses” na Faixa de Gaza. Autoridades de saúde informaram que três palestinos foram mortos na quinta-feira por bombardeios de “Israel”. Um ataque atingiu uma casa na rua Moghrabi, na cidade de Gaza, e matou uma pessoa. Outros dois palestinos morreram em ataques separados no campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa.
A violência acompanha uma trégua frágil mediada pelos EUA. As organizações palestinas acusam “Israel” de violar os compromissos assumidos na primeira fase do acordo, firmada em outubro, que interrompeu os combates em larga escala, mas não pôs fim aos ataques “israelenses”. “Israel”, por sua vez, afirma, cinicamente e sem provas, que suas ações buscam impedir ataques iminentes.
As negociações da semana foram conduzidas por mediadores do Egito, Catar e Turquia com o Hamas e outras organizações palestinas. A segunda fase do plano apresentado pelo presidente Donald Trump prevê, entre outros pontos, a retirada das forças “israelenses” e a entrega das armas do Hamas. Esse ponto tornou-se o principal obstáculo.
Duas fontes egípcias informaram que a atual rodada de conversas terminou sem conclusão. Fora a questão do desarmamento, as organizações palestinas, incluindo o Hamas, teriam concordado com 14 dos 15 pontos da proposta apresentada pelo Conselho de Paz de Trump. O único ponto de bloqueio é justamente a exigência de desmontar as armas e a infraestrutura militar da resistência.
Um dirigente palestino afirmou que a demanda de desarmamento surgiu como novo obstáculo “israelense” na quarta-feira (10), interrompendo um ambiente que vinha sendo considerado positivo. O Hamas vincula qualquer desarmamento completo ao início de um processo político voltado à criação de um Estado palestino. Essa posição busca impedir que a resistência entregue suas armas sem garantias políticas e sem retirada efetiva das forças de ocupação.
Desde o início da trégua, ataques “israelenses” mataram mais de 950 pessoas em Gaza, segundo autoridades de saúde. “Israel” afirma que quatro soldados morreram no mesmo período. Esses números mostram que o cessar-fogo não significou segurança real para a população palestina, que segue sob bombardeios, deslocamento e restrição de acesso a condições básicas de vida.
A falta de progresso impediu uma reunião prevista para quinta-feira entre o Hamas e Nickolay Mladenov, enviado do Conselho de Paz de Trump para Gaza. Um representante do órgão afirmou que as discussões continuam e que ainda há trabalho considerável a ser feito, incluindo o desarmamento, a formação de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza e a retirada de “Israel” para o perímetro, a fim de permitir a reconstrução.
O progresso parcial entre as organizações palestinas mostra disposição para coordenação interna, mas o centro do impasse permanece político e militar. A exigência de desarmamento antes de uma solução nacional e antes do fim efetivo da ocupação é vista pelas organizações como tentativa de impor rendição. A unidade palestina avança em torno de vários pontos administrativos e políticos, mas a retirada de “Israel” e o futuro das armas da resistência continuam sendo as questões decisivas.



