Presidente do PCO

‘O trabalhador deve defender o socialismo, e não a democracia’

Rui Costa Pimenta foi o último orador da manifestação de 1º de Maio organizada pelo Partido da Causa Operária

Nesta sexta-feira (1º), o Partido da Causa Operária (PCO), em conjunto com os Comitês de Luta, realizou uma manifestação nacional em São Paulo pelo Dia Internacional de Luta do Trabalhador. A concentração ocorreu no Theatro Municipal, onde lideranças políticas e operárias realizaram discursos em cima do carro de som.

A última pessoa a discursar foi Rui Costa Pimenta, pré-candidato à Presidência da República e presidente nacional do PCO. Em sua fala, Pimenta destacou as verdadeiras reivindicações dos trabalhadores, caracterizando que as últimas duas décadas foram de perdas sistemáticas para a classe operária brasileira. Ele também declarou total apoio às organizações e países que resistem de armas na mão contra o imperialismo.

Confira, abaixo, o discurso na íntegra:

O 1º de Maio foi criado como parte da luta pela redução da jornada de trabalho. Mas nós não podemos esquecer a luta central dos trabalhadores: o objetivo da luta operária é o socialismo, é a destruição da sociedade capitalista, é a expropriação do capital, é colocar a economia sob o total controle dos trabalhadores. Esse é o objetivo da classe operária e esse tem que ser o objetivo desse ato de 1º de Maio.

Uma boa parte da esquerda fala que nós temos que defender a democracia no Brasil, que a democracia está ameaçada. Nós temos que divergir dessa apreciação, porque o objetivo do trabalhador não é defender a democracia. O objetivo do trabalhador é defender o socialismo e o governo próprio dos trabalhadores.

Nós temos vivido mais de duas décadas de governo da esquerda democrática e reformista. Nesse período de duas décadas, a situação do País de conjunto só andou para trás. Desde que a ditadura acabou e nós tivemos o regime político renovado em 1988, os trabalhadores perderam uma boa parte das conquistas que conseguiram no século XX, com inúmeras greves, com inúmeras mobilizações. Então nós não temos nada que comemorar da chamada democracia. A democracia é um regime do qual os trabalhadores e o próprio País têm sido espoliados de maneira sistemática.

Por isso, é importante que a esquerda levante muito claramente nesse momento que a nossa luta é a luta pelo socialismo. E nós não somos favoráveis a que o País seja governado por uma coalizão de esquerda com elementos da direita, com elementos da burguesia. Porque isso não leva a lugar nenhum, só tem produzido derrotas, só tem produzido retrocesso.

Nesse momento, companheiros, uma boa parte da esquerda está levantando a palavra de ordem do fim da escala 6×1. É uma palavra de ordem confusa, porque ninguém diz claramente qual vai ser o regime de trabalho, quantas horas o trabalhador tem que trabalhar, qual vai ser o período de folga e tudo mais. O próprio projeto do governo Lula não especifica que os trabalhadores têm que ter o fim de semana livre. Nós defendemos a semana de 35 horas com o fim de semana livre. Essa é a única reivindicação que atende plenamente o desejo dos trabalhadores de trabalhar menos e de poder viver um pouco a sua vida fora do mundo do trabalho.

Nós temos que levantar também, companheiros, nesse período, uma série de outras reivindicações que ficaram em segundo plano. Nós temos que lutar pelo fim da terceirização, que é um regime de trabalho escravo. Não adianta nada reduzir as horas de trabalho se o trabalho terceirizado impede que o trabalhador mantenha os seus direitos. Nós precisamos lutar para manter e resgatar todos os direitos trabalhistas da CLT, tal como ela existia no começo dos anos 80. Nós temos que levantar a reivindicação do trabalhador como reivindicação central da maioria da população.

Enquanto a esquerda engana a juventude com a política identitária de colocar mulher negra no STF, de colocar gente na cadeia por coisas que foram ditas, de proibir a livre expressão de todo mundo, nós temos que colocar no centro da nossa luta política as reivindicações sentidas pelo povo trabalhador, pela população pobre. Nós temos que impulsionar uma política de geração de emprego que tire a população do Bolsa Família e dê emprego e dê uma perspectiva para os trabalhadores e a juventude brasileira. E que essas reivindicações nos ajudem a caminhar de maneira firme para a luta pelo socialismo e pelo governo dos trabalhadores, que é o que nós almejamos e que é a única solução para os grandes problemas nacionais.

Nós não podemos deixar de resgatar neste momento aqui o problema da livre expressão e dos direitos democráticos, que não é a mesma coisa que democracia, um regime de instituições podres e corruptas. Nós tivemos aqui essa semana um atentado contra a liberdade de expressão, a liberdade política do povo trabalhador, que foi a condenação do companheiro Zé Maria, do PSTU, a dois anos de prisão por ter defendido num ato público o fim do Estado de “Israel”.

O regime político brasileiro está tão podre que o sionismo controla agora as instituições judiciárias, o Ministério Público, para perseguir os brasileiros. Nós estamos sendo perseguidos por uma força estrangeira, que é o sionismo, que é um braço do imperialismo, que quer impedir que o trabalhador brasileiro, que o povo brasileiro, tenha as suas liberdades políticas preservadas.

O que o companheiro Zé Maria disse, e que lhe valeu a condenação, não é crime. É uma coisa inventada por um juiz que está a serviço do sionismo e do imperialismo. Ele disse que queria o fim do Estado de “Israel”. Nós queremos o fim do Estado de “Israel” também. Nós, que defendemos sempre, sempre, que na Palestina deve haver apenas um Estado, um Estado cujas instituições sejam definidas democraticamente por todos os moradores da Palestina histórica. E para isso é preciso que haja o fim do Estado de “Israel” concebido como Estado judeu, um Estado de segregação racial. Um Estado onde as pessoas que não são sionistas, que não são judias, não têm direitos, não são cidadãs.

Nós temos o direito de dizer no Brasil que o Estado de “Israel” deve desaparecer. É totalmente criminosa a tentativa de dizer que os que defendem essa mudança política são a favor do genocídio dos judeus. Isso é uma calúnia monstruosa que é feita contra todos os defensores da Palestina. É uma calúnia monstruosa, e essa calúnia foi colocada num projeto de lei da deputada Tábata Amaral que visa calar os brasileiros que defendem o povo palestino, enquanto que na Palestina os sionistas matam mulheres e crianças todos os dias, enquanto agridem a população do Líbano. Bombardearam a população civil do Líbano com um crime de guerra monstruoso.

Nós não podemos aceitar que essa mordaça seja imposta ao povo brasileiro. Nós temos que derrotar o sionismo e a sua tentativa de calar o povo brasileiro. Organizações como a Conib não são organizações nacionais. São organizações estrangeiras que atuam dentro do Brasil para ocultar os crimes monstruosos do sionismo contra a população palestina e contra a população árabe em geral, para ocultar os crimes do sionismo, que vem há décadas no Oriente Médio sacrificando aquela população.

O nosso Partido tem vários militantes que estão respondendo inquérito pelo mesmo motivo que o companheiro Zé Maria. Nós temos que levar essa luta às ruas. Nós temos que derrotar essa lei de censura, essa repressão política. E o governo Lula tem obrigação de agir, porque não é apenas a ação de um juiz isolado. Todos os lutadores da Palestina têm sido perseguidos pelo Ministério Público, e o chefe do Ministério Público foi indicado pelo governo do PT. Então o governo Lula tem que se posicionar sobre essa perseguição odiosa.

A esquerda tem que se mobilizar. Nós queremos daqui chamar os companheiros do PT, os companheiros de toda a esquerda, a Central Única dos Trabalhadores, da qual nós fazemos parte, a realizar uma grande campanha pela derrota da lei proposta pela deputada vira-casaca a serviço do sionismo, Tábata Amaral.

Num ato como esse, que é um ato internacionalista, nós não podemos deixar de homenagear os lutadores contra o regime sionista. Nós temos que deixar aqui a nossa homenagem aos bravos, heroicos guerreiros do Hamas. Nós temos que deixar aqui a nossa homenagem aos corajosos e implacáveis guerreiros do Hesbolá, que enfrentam o sionismo na fronteira do Líbano.

Nós queremos também deixar marcada aqui a nossa solidariedade a Cuba, que está sendo alvo de um bloqueio odioso, criminoso, ilegal do imperialismo. Nós fazemos aqui um chamado também ao governo Lula para que se coloque resolutamente ao lado do povo cubano e o ajude a superar esse bloqueio. O Brasil tem que mandar sua marinha de guerra para Cuba para fornecer petróleo, fornecer ajuda humanitária, fornecer comida, medicamentos para os cubanos que estão cercados pelo imperialismo.

Nós temos que saudar aqui, acima de tudo e acima de qualquer coisa, um fato extraordinário que aconteceu, que nós pudemos ver com os nossos próprios olhos, que foi o fato de que a República Islâmica do Irã conseguiu parar a ofensiva conjunta do imperialismo e do seu cachorro sionista, numa agressão sem motivação, numa agressão contra o País e contra o povo iraniano. Nesse momento, o imperialismo está procurando a saída da situação em que ele se meteu, mas já fica claro que é uma enorme derrota, uma das maiores derrotas do imperialismo desde o século XX.

Nossa homenagem mais sentida ao povo do Irã, que todos os dias tem estado nas ruas contra o imperialismo, e às forças armadas iranianas e ao regime político iraniano, que têm prestado um dos maiores serviços à causa da libertação da humanidade, fazendo o imperialismo morder a poeira da guerra contra o Irã.

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