Editorial

O que o PT fará com sua bancada sionista?

Parlamentares assinaram a favor de lei em favor da perseguição daqueles que denunciam o genocídio em Gaza

O avanço do Projeto de Lei 1424/2026 na Câmara dos Deputados é um dos episódios mais vergonhosos da história recente da esquerda parlamentar brasileira e uma capitulação ideológica sem precedentes. Apresentado em 26 de março por Tabata Amaral, a afilhada política de Jorge Paulo Lemann, o projeto propõe a adoção dos parâmetros da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) para definir “antissemitismo” no Brasil. O projeto é uma peça de propaganda de guerra destinada a blindar o Estado de “Israel” no exato momento em que o mundo assiste à agressão ao Irã e a todos os povos do Oriente Médio. O projeto busca transformar o antissionismo e a denúncia de crimes contra a humanidade em “crimes de ódio”, servindo como um instrumento de perseguição do movimento de solidariedade ao povo palestino.

O que causa verdadeiro espanto não é a postura de Tabata Amaral, de quem a fidelidade aos interesses do imperialismo já é conhecida, mas a assinatura de deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) como Vander Loubet, Welter, Ana Paula Lima, Reginaldo Lopes, Luiz Couto e Alexandre Lindenmeyer, além de Heloísa Helena da Rede. Esses parlamentares, que se apresentam como representantes dos trabalhadores, emprestaram seu prestígio a uma iniciativa tipicamente fascista.

O registro oficial da Câmara mostra que o recuo coletivo e os pedidos de retirada de assinatura só ocorreram no dia 30 de março, após uma reação do próprio eleitorado dos deputados. As justificativas apresentadas variam de “erro de assessoria” a “cortesia parlamentar”. Nenhum deles, no entanto, criticou abertamente o texto, o que reforça seu apoio tácito ao Estado de “Israel”.

Este episódio revela existência de uma ala sionista incrustada dentro da esquerda e da base do governo. Essa infiltração ajuda a explicar a paralisia do governo Lula diante das questões nacionais.

A gravidade do PL 1424/2026 reside no fato de que ele fornece a base legal para a perseguição política que já estamos vendo na prática. O uso de mecanismos jurídicos para intimidar pessoas como o jornalista petista Breno Altman e as constantes investidas contra organizações contra PCO são a prova de que a “definição de antissemitismo” da IHRA é uma arma de guerra contra a liberdade de expressão e contra qualquer um que ouse desafiar a propaganda imperialista.

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