Maria Bona

‘O PCO é um partido que não tem rabo preso’

Candidata ao governo da Bahia falou sobre pobreza, educação, campanha eleitoral e propostas como o fim da PM e do STF

Maria Bona, candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo da Bahia, participou no sábado (19) da série de entrevistas do Bahia Meio Dia, da TV Bahia. Sexta e última participante da rodada, ela teve 10 minutos para falar sobre sua trajetória, a campanha e propostas do Partido.

Natural de São Paulo, Bona afirmou viver há cerca de 50 anos na Bahia. Logo no início da entrevista, falou sobre sua relação com o estado e os problemas enfrentados pela população.

“Eu nasci em São Paulo, mas eu vim morar na Bahia, 50 anos que eu estou na Bahia. A gente escolhe onde vai morar, não escolhe onde nasce. E eu gosto muito do Nordeste e a Bahia é a pérola do Brasil. É um lugar muito rico, muito maravilhoso. Pena que está um pouco abandonado.”

Bona afirmou que muitos dos problemas existentes na Bahia são comuns ao restante do País e destacou a pobreza e as condições de moradia dos trabalhadores. Como exemplo, citou a existência de centenas de favelas em Salvador.

“O nosso partido, o Partido da Causa Operária, o PCO, nós temos um programa muito claro e específico a respeito de cada item, de tudo o que é necessário para o nosso País. E nós acreditamos que as dificuldades, os problemas da Bahia também são os mesmos problemas do Brasil todo. A Bahia tem bastante deficiência e nós precisamos primeiramente resolver a questão, isso no Brasil todo, da parte econômica. Muita pobreza. Só em Salvador nós temos 262 favelas. Favelas são lugares onde os trabalhadores moram sem infraestrutura, sem condições adequadas. Então nós precisamos de uma sociedade mais, não é justa, mas equilibrada. O regime político não pode tirar dos pobres para dar para os ricos, é o contrário, tem que tirar dos ricos para dar para os pobres.”

Professora particular de inglês, francês e italiano, Bona apresentou também a proposta do PCO para a administração das instituições de ensino. O Partido defende uma gestão tripartite, com participação de estudantes, professores e funcionários nas decisões das escolas e universidades.

“A educação, como muita coisa no Brasil, está sendo sucateada, educação, saúde, outras coisas. Nós temos um programa específico, o PCO. A educação, nós acreditamos que tem que ser administrada num programa tripartite. Os estudantes têm que ter voz, eles têm que escolher e eles têm que verificar quais as decisões que são tomadas pelas administrações das universidades, das escolas em geral. E então a voz dos estudantes é muito importante. Eles têm que opinar a respeito de todas as questões nas escolas.”

A participação dos estudantes, explicou Bona, seria acompanhada pela dos professores e demais trabalhadores das instituições. Ela defendeu ainda que as contas da educação sejam abertas ao conhecimento da população.

“Não só os estudantes, porque é tripartite. Então, os professores, os estudantes e os funcionários. Todos os funcionários que atuam nas escolas, nas universidades, também têm que ter voz na administração. E uma coisa muito importante é a transparência. A transparência nas contas, toda a população tem que saber o dinheiro que entra para a educação, o dinheiro que é gasto, como é gasto, e toda a população tem que participar dessas questões.”

A escolha de seu nome para disputar o governo também foi abordada. O registro ocorreu no último dia do prazo eleitoral e Bona explicou que sua candidatura foi decidida após discussões internas de toda a militância do Partido, de forma mais democrática do que em qualquer outro partido.

“No PCO, no Partido da Causa Operária, tudo é muito democrático. Nós fazemos plenárias e juntos nós decidimos todas as questões. Então, juntos, o Partido me sugeriu, escolheu para que eu fosse candidata. E aí, a princípio, eu fiquei indecisa, mas acabei aceitando se isso seria útil para o Partido. Nós temos muita dificuldade por ser um partido operário. Então existe muita burocracia, muita tentativa de entrava. Por isso, às vezes, a gente demora um pouco porque não nos permitem caminhar na velocidade que deveria. Muita burocracia, muitas questões que dificultam as nossas candidaturas.”

Outro tema foi a dificuldade de fazer campanha em um estado com a extensão territorial da Bahia. Bona afirmou que o PCO procura manter sua independência política e depende da contribuição e do trabalho de militantes e simpatizantes. A falta de recursos, disse, limita as viagens e atividades pelo estado.

“O PCO é um partido que, falando português claro, não tem rabo preso. A gente pretende manter a independência, autonomia do Partido, certo? E por isso a dificuldade financeira é muito grande. Nós contamos com a ajuda dos militantes, dos afiliados, dos simpatizantes, para poder nos manter. E todos os candidatos são candidatos pobres. Então, por isso que a gente entende o lado da população pobre. É muito difícil essa questão financeira, em questão de transporte. O Brasil é muito grande, a Bahia é muito grande. Eu teria muita vontade de percorrer realmente todinha a Bahia e poder conversar com todo mundo em cada cidade. Mas se torna, assim, às vezes quase impossível por conta dessa dificuldade financeira.”

Apesar das limitações, Bona afirmou que a campanha tem permitido conversar diretamente com os moradores. Segundo relatou, parte do trabalho é feita de casa em casa, ouvindo reclamações e opiniões sobre a situação política.

No encerramento, Maria Bona resumiu alguns pontos defendidos pelo PCO. Citou o fim da Polícia Militar, o fim do Supremo Tribunal Federal e o salário mínimo de cerca de R$8.000,00, conforme os cálculos do DIEESE.

“Eu gostaria que as pessoas conhecessem o programa do Partido, porque nós não prometemos nada. Nós temos um programa e as pessoas podem ouvir o programa e ver se gostam. A gente é a favor do fim da Polícia Militar, do fim do STF, de uma Justiça igual para todos. Nós temos programas em todos os sentidos. A parte econômica é muito importante, o salário mínimo de R$8.000,00. Nós precisamos que a população pobre tenha dinheiro.”

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