Caso Master

O lavajatista de Vorcaro chama-se Paulo Gonet

Enquanto esquerda acusa Mendonça de reeditar a Lava Jato, é o procurador-geral de Lula que participou profundamente da perseguição ao PT

Desde que as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro chegaram a Alexandre de Moraes e Paulo Gonet, articulistas do Brasil 247 passaram a apresentar André Mendonça como responsável pela volta dos métodos da Lava Jato.

Em 2 de setembro, Larissa Ramina publicou no portal o artigo O método da Lava Jato está de volta: a crise no STF e a guerra híbrida contra o Brasil. Cinco dias depois, Pedro Benedito Maciel Neto escreveu André Mendonça e a ressurreição do método Lava Jato. Mais recentemente, Davis Sena Filho chamou o ministro de “chefe da Lava Jato 2”.

A acusação ganhou o apoio de Gilmar Mendes. Ao defender Gonet das revelações relacionadas a Vorcaro, o ministro comparou a exposição do procurador-geral às práticas de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol e acusou Mendonça de usar o caso politicamente. Mendonça respondeu que não foi responsável pelo levantamento do sigilo e contestou a comparação.

Há uma disputa jurídica sobre a atuação de Mendonça no caso Master, e ela pode ser discutida pelos seus próprios elementos. Outra coisa é utilizar a expressão “Lava Jato” para proteger Paulo Gonet, cujo nome aparece na história da própria operação. Gilmar Mendes faz isso porque ele e Gonet são sócios de longa data. Há 30 anos fundaram o instituto que organiza a orgia com banqueiros, empresários e políticos em Lisboa apelidada de “Gilmarpalooza”, já escreveram livro juntos e provavelmente sabem os podres um do outro.

Gonet, assim como Gilmar, também é um lavajatista de primeira.

Em setembro de 2016, Gonet representou o Ministério Público Federal na Segunda Turma do Supremo durante o julgamento da denúncia da Lava Jato contra Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo. Defendeu a abertura da ação penal e declarou que os denunciados tinham “plena ciência do esquema criminoso e da origem das quantias ilícitas”. A denúncia foi recebida por unanimidade. Dois anos depois, Gleisi e Paulo Bernardo seriam absolvidos pelo STF.

Meses antes, Gonet havia participado de outro julgamento importante da operação. Em abril de 2016, defendeu a manutenção das prisões preventivas de Marcelo Odebrecht, Rogério Araújo e Márcio Faria. O MPF registra que o então subprocurador-geral reiterou em sessão o parecer da PGR favorável à continuidade das prisões.

A relação com a Lava Jato não terminou quando a operação perdeu força.

Já na chefia da PGR, Gonet se opôs a decisões que anulavam resultados produzidos em Curitiba. Em 2024, manifestou-se contra a extensão a José Dirceu da decisão que reconheceu a suspeição de Sérgio Moro no processo de Lula. Quando Gilmar Mendes anulou as condenações do ex-ministro por puro oportunismo, a Procuradoria recorreu. Ou seja, Gonet é ainda mais lavajatista que seu sócio e protetor.

Em 2025, o mesmo ocorreu com Antonio Palocci. Dias Toffoli anulou os atos da Lava Jato contra o ex-ministro, e Gonet apresentou recurso para tentar reverter a decisão. Na peça, escreveu que havia um conjunto de provas “autônomo, válido e robusto” e contestou a tese utilizada para invalidar os processos.

A Segunda Turma acabou mantendo a decisão de Toffoli. André Mendonça votou com Edson Fachin pela posição defendida pela PGR, um dado que também impede transformar o atual conflito numa divisão simples entre “lavajatistas” e “anti lavajatistas”. Mendonça possui, ele próprio, decisões anteriores favoráveis à preservação de atos da operação.

No caso de Gonet, entretanto, sua participação foi muito anterior à crise atual. Ele sustentou acusações e prisões quando a Lava Jato estava em seu auge e, como procurador-geral do governo do próprio Lula (a maior vítima da Lava Jato), recorreu contra decisões que desfizeram alguns de seus resultados.

Até a composição da equipe escolhida para a PGR chamou atenção por essa característica. Logo depois de sua posse, em dezembro de 2023, Gonet nomeou procuradores com passagem pelo Mensalão e pela Lava Jato. Alexandre Espinosa havia auxiliado investigações da operação durante a gestão de Raquel Dodge. Anamara Osório, escolhida para comandar a Secretaria de Cooperação Internacional, havia coordenado a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo.

A escolha ocorreu poucos dias depois de Lula pedir publicamente a Gonet que a PGR não repetisse o modelo da operação. Na posse do procurador-geral, o presidente criticou acusações divulgadas antes de sua comprovação e afirmou que o Ministério Público não deveria se submeter às manchetes da imprensa.

Gonet também deixou registrada sua proximidade institucional com Alexandre de Moraes. Em sessão do Tribunal Superior Eleitoral, pouco antes de assumir a PGR, afirmou que a experiência de trabalhar ao lado do ministro serviria de “guia” para sua atuação à frente da Procuradoria. O ministro dos R$200 milhões esteve entre os apoiadores de sua indicação.

No caso Master, Gonet aparece agora do outro lado da exposição pública. Seu nome surgiu no material extraído do celular de Vorcaro e ele apareceu fumando o charuto do banqueiro durante uma farra em Londres.

Gonet sempre esteve a serviço dos banqueiros, seja em suas relações com Vorcaro seja em sua atuação durante a operação de devastação da economia nacional a mando do capital imperialismo que foi a Lava Jato.

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