Juventude

Novo estudo aponta os impactos do Marco Legal dos Games

Um estudo da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura apresentou resultados do Marco Legal dos Games, instituído pela Lei nº 14.852/2024 em março de 2026

Um estudo da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura apresentou resultados do Marco Legal dos Games, instituído pela Lei nº 14.852/2024 em março de 2026. O documento, que ignora as medidas repressivas contra a juventude da lei, aponta positivamente a classificação legal e apoio financeiro a grandes produções.

A divulgação do estudo se apoia na ideia de que a indústria de jogos no Brasil operava havia décadas em um terreno regulatório impreciso. Segundo esse argumento, empresas e produtores recorriam a instrumentos pensados originalmente para outros ramos, como cinema, software e inovação tecnológica. O novo marco, de acordo com os formuladores da proposta, serviria para consolidar os jogos como política de Estado, vinculando o setor a linhas de fomento cultural, políticas de inovação, instrumentos tributários e mecanismos de propriedade intelectual.

A Abragames aparece no centro dessa articulação. A entidade representante empresarial do setor foi uma das vozes mais ouvidas na formulação da legislação e, agora, volta a ser destacada como interlocutora privilegiada no debate sobre sua regulamentação. O próprio estudo repete esse eixo: a preocupação principal é criar segurança jurídica, previsibilidade e instrumentos permanentes de crédito, financiamento e estímulo empresarial. A apresentação do tema como se fosse um interesse geral do povo encobre que o processo foi conduzido de cima para baixo, sem diálogo real com os jogadores, com a juventude que consome os jogos e com aqueles que serão diretamente atingidos pelas novas normas.

Esse é um dos pontos centrais do problema. O Marco Legal dos Games foi vendido como modernização, mas veio carregado de dispositivos de controle. Entre eles, figuravam formulações ligadas ao chamado controle parental e a outras medidas repressivas dirigidas à juventude, sempre apresentadas com a máscara da “proteção aos menores”. Esse tipo de mecanismo já vinha sendo aplicado antes mesmo da Lei Felca e segue a mesma lógica: restringir o acesso à informação, limitar a autonomia dos mais jovens e ampliar a tutela estatal e familiar sobre a circulação de conteúdo.

A burguesia apresentou o marco como avanço cultural e tecnológico, e boa parte da esquerda parlamentar aderiu ao pacote sem expor seu conteúdo repressivo. No lugar de ouvir os jogadores, ouviram-se empresários; no lugar de discutir liberdade, discutiram-se mecanismos de controle; no lugar de estimular os pequenos desenvolvedores, organizou-se mais um pacto entre Estado e grande capital.

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