A imprensa burguesa transformou em escândalo aquilo que não passa de um talento a mais: Neymar joga pôquer, e joga bem. O atacante pratica a modalidade há cerca de 12 anos, disputa torneios no Brasil e no exterior e já acumula mais de R$ 2,4 milhões em prêmios, sendo mais de R$ 300 mil só nesta temporada. Conheceu o jogo em 2014, na concentração da seleção, e desde então estuda estratégias e enfrenta alguns dos melhores do mundo.
O pôquer é reconhecido como esporte da mente, ao lado do xadrez, e exige cálculo, controle emocional e capacidade de decidir sob pressão — as mesmas qualidades que fizeram de Neymar um dos maiores jogadores de futebol de sua geração. Nada mais natural que um atleta competitivo leve esse mesmo instinto para as mesas.
Mesmo assim, a imprensa e os moralistas de plantão fazem coro de espanto, insinuando que o “vício” teria atrapalhado sua carreira. Trata-se da velha hipocrisia de quem quer controlar a vida alheia. As pessoas têm o direito de fazer o que quiserem em seus dias de folga, e Neymar não é exceção: como qualquer outro jogador que aproveita seu tempo livre para descansar e se divertir, ele tem todo o direito de jogar pôquer. Os mesmos que celebram o cassino diário da Bolsa de Valores e passam pano nas falcatruas dos poderosos torcem o nariz para um jogador saído da periferia que decide passar a folga com um baralho na mão. O que incomoda essa gente não é o jogo em si, mas ver um filho da classe trabalhadora rico, famoso e livre para dispor do seu próprio tempo.
Neymar não deve satisfações a essa patrulha. A tentativa de ditar o que o atleta pode ou não fazer em suas horas vagas é puramente reacionária. Enquanto o craque aproveita a folga acumulando fichas e prêmios, os invejosos acumulam apenas ressentimento. A classe trabalhadora tem crimes bem mais graves para condenar — os da burguesia — do que o passatempo de um jogador no seu momento de descanso.





