O capitalismo, bem como esses grupos que vivem falando em clima, transição energética, etc., não têm nada a oferecer. O máximo que conseguem fazer é ficar repetindo que é “é preciso isso, é preciso aquilo”, mas nada de objetivo. É isso o que mostra o artigo Da concentração à transformação: clima, capital e desigualdade no novo ciclo global, de Marcel Fukayama, publicado na Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (22).
No primeiro parágrafo está escrito que “o Dia Mundial da Terra, celebrado em 22 de abril, nos convida a refletir sobre a crise climática e os padrões de consumo que a sustentam”, mas, na verdade, não existe de fato uma crise climática, mas uma enorme propaganda sobre o tema.
Quando houve uma enchente em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em 2024, o que se verificou não foi uma “crise climática”, mas a falta de investimentos para a prevenção, pois a cidade já havia passado por uma grande enchente ainda no século passado, em 1941. Ou seja, era esperado que acontecesse mais de uma vez. No entanto, o governo preferiu pagar os bancos a investir na infraestrutura.
Adiante, o texto diz que “a humanidade consome o equivalente a 1,7 planeta por ano, segundo a Global Footprint Network, um sinal claro de um modelo econômico baseado na extração intensiva de recursos e na geração crescente de resíduos”. Acontece que a maioria da humanidade vive na pobreza, o que mostra que o problema não é a produção, mas a distribuição. Poucos ficam com muito enquanto muitos ficam com pouco ou quase nada.
Quem sofre
Segundo o artigo, “mais de 3 bilhões de pessoas já vivem em contextos de escassez hídrica, enquanto a pressão sobre os ecossistemas tende a aumentar”. A pergunta é: por que os governos não investem para acabar com esse problema? Se tomarmos o Brasil como modelo, veremos que a questão está na dívida pública. Os bancos roubam mais da metade do orçamento público. Dessa maneira, falta dinheiro para saúde, educação e obras públicas. Isso acontece com outros países do mundo, parasitados pelo sistema financeiro.’
O texto trata das desigualdades, dizendo que “a concentração de riqueza, antes tratada como distorção econômica, revela-se também um fator que agrava a crise ambiental”, porém dizer apenas não basta, é preciso apresentar soluções. Ou seja, como distribuir a riqueza que a humanidade produz e que fica concentrada na mão de um punhado de ricaços? Eles não vão abrir mão de seu parasitismo lucrativo sem briga.
Segundo o artigo, “países e populações de baixa renda, embora contribuam menos para o aquecimento global, são os mais expostos a eventos extremos”, mas são mais expostos não porque os eventos sejam “extremos”, isso se deve ao fato de não haver dinheiro para investimentos, os bancos não deixam.
Conversa vazia
Adiante, Fukayama afirma que “a agenda internacional começa a responder a esse desafio. A COP30, ao consolidar decisões sobre adaptação, financiamento climático e transição justa, sinaliza a necessidade de mobilizar recursos em escala e de ampliar investimentos em adaptação. Mais do que mitigar emissões, trata-se de redistribuir capacidades”.
Isso tudo não passa de conversa inútil. De que adianta falar em “necessidade de mobilizar recursos” se não há recursos? O que seria exatamente “redistribuir capacidades”? É tudo abstrato.
Na continuação, o artigo traz que “esse entendimento dialoga com o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, estabelecido no relatório ‘Nosso Futuro Comum’, de 1987: todos devem agir, mas países que historicamente mais contribuíram para a degradação têm maior responsabilidade e capacidade de resposta”. Certo, todos devem agir, e quem vai obrigar os países ricos a se responsabilizarem? Isso não vai acontecer. O próprio sistema capitalista não permite.
É interessante ler que “no Brasil, o debate ganha contornos ainda mais concretos. Comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas estão entre as mais expostas aos impactos climáticos, o que reforça a necessidade de integrar políticas ambientais e sociais”. O temos aqui são partidos da esquerda pequeno-burguesa, grupos financiados por ONGs, que não querem nem que se construa hidrelétricas para essas comunidades que vivem no mais completo atraso.
Esses grupos dizem agir em nome do “ecossocialismo”, quando, na verdade, tentam afastar o governo e investimentos na região amazônica, deixando assim a área inexplorada a pedido do imperialismo.
Ficção verde
O autor do artigo diz que “a agenda climática não é neutra: investimentos em infraestrutura verde e transição energética podem gerar inclusão e renda, mas também podem aprofundar desigualdades se não forem territorializados e distribuídos de forma equitativa”.
Sobre isso, a guerra de agressão contra o Irã e o subsequente fechamento do Estreito de Ormuz escancarou, para quem se negava a enxergar, que essa história de transição energética não passa de ficção. Os países que caíram na besteira de tentar depender de “energias alternativas” estão todos desesperados e podem entrar em uma crise aguda com o desabastecimento de petróleo e gás natural.
Fukayama escreve que “é nesse ponto que as finanças de impacto ganham centralidade. Mais do que alinhar retorno financeiro e impacto social, esses instrumentos passam a ser ferramentas estratégicas para enfrentar desigualdades climáticas”.
A experiência mostra que essas verbas, além de serem uma coisa incerta, vão gerar dependência nos países pobres e torná-los reféns de política traçadas por estrangeiros.
Existe apenas uma solução para o que quer que sejam as questões climáticas e a distribuição de recursos: o socialismo. Enquanto a humanidade não faz a revolução que vai construir e permitir a igualdade social, é necessário que os países atrasados invistam na industrialização e em tecnologia. Apenas dessa maneira serão desenvolvidos novos recursos, como pequenas centrais nucleares, seguras, que possam fornecer energia a um baixíssimo custo ambiental. Fora isso, o resto é ficção; ou, pior, uma tentativa de por meio de “financiamentos” subordinar ainda mais os países atrasados.





