No artigo A guerra eleitoral, publicado no Brasil 247 neste domingo (7), Aldo Fornazieri afirma que a campanha de Lula estaria presa ao “defensivismo” e deveria combinar melhor a defesa dos resultados do governo com ataques políticos aos adversários. Para ele, a campanha petista não responde à altura dos ataques do bolsonarismo e corre risco de derrota por falta de uma estratégia mais agressiva.
Fornazieri escreve:
“Até agora, a campanha de Lula não tem nem uma boa defesa e nem um bom ataque. Está no defensivismo.”
A explicação reduz uma dificuldade política a uma deficiência de campanha. Uma campanha, porém, só pode defender aquilo que o governo efetivamente fez e só pode atacar seus adversários a partir de uma política concreta.
Fornazieri afirma que “ao menos a metade do tempo de TV e rádio deveria consistir na divulgação e defesa dos feitos do governo”.
Quais medidas do governo Lula podem mobilizar milhões de trabalhadores contra a direita?
O governo não enfrentou o grande capital, manteve o arcabouço fiscal, realizou privatizações e escolheu um neoliberal para comandar o Banco Central. Nenhuma campanha publicitária pode apresentar essa política como uma ofensiva contra os setores que dominam a economia e o Estado.
Fornazieri também escreve:
“Quem ataca tem o domínio das narrativas e pauta o jogo das eleições.”
Atacar, por si só, não define uma política. É preciso saber quem está sendo atacado, por quais motivos e em defesa de quais interesses.
O artigo cobra ataques contra André Mendonça, delegados da Polícia Federal e setores ligados à campanha de Flávio Bolsonaro. TUma campanha que se limita a atacar personagens sem apresentar um programa próprio continua subordinada ao mesmo regime político.
Uma campanha voltada aos interesses dos trabalhadores denunciaria diretamente os bancos, os grandes empresários e os latifundiários. Defenderia aumento geral dos salários, redução da jornada sem redução salarial, emprego e moradia.
Também apresentaria os candidatos da direita e dos partidos tradicionais como representantes desses interesses. O governo Lula não faz isso porque não pretende governar contra os bancos e os grandes capitalistas. Pretende administrar o Estado em acordo com eles.
Por isso, o problema da campanha não se resolve com uma “narrativa ofensiva”.
Fornazieri escreve que, “definida uma boa defesa, tende a ter vantagem quem constrói narrativas ofensivas e antecipa os ataques”. Se a política do governo permanece dentro dos limites impostos pelo grande capital, a ofensiva eleitoral acaba reduzida a propaganda.
A base também não pode ser mobilizada apenas por uma mudança de tom. Fornazieri afirma que o PT precisa de uma estratégia “capaz de criar entusiasmo, de mobilizar a militância para que esta possa mobilizar a sociedade”.
O entusiasmo depende do que está sendo proposto.
Fornazieri enquadra a eleição principalmente como uma disputa entre “forças democráticas” e uma “extrema-direita antidemocrática”.
Em nome do combate à direita, setores da esquerda passaram a aceitar como aliados partidos burgueses, ministros do STF, setores da imprensa capitalista e políticos que participaram diretamente do golpe e dos ataques contra os trabalhadores. Lula aparece, assim, como defensor da ordem existente contra Flávio Bolsonaro, em vez de apresentar uma política independente da classe trabalhadora contra a direita e contra os próprios setores burgueses que sustentam essa ordem.
Não há marqueteiro que transforme a administração do regime burguês em um programa de luta dos trabalhadores. A esquerda precisa apresentar um programa próprio da classe operária e organizar os trabalhadores para lutar por ele.




