O artigo A ofensiva do conservadorismo sobre os corpos de crianças e adolescentes trans: os impactos da Resolução nº 2.427/2025 do CFM, de Lucy Chaves, publicada no sítio Esquerda Online nesta quinta-feira (4), é um exemplo de como o transativismo identitário, altamente financiado pelo imperialismo, tem buscado avançar sobre a sexualidade das crianças.
Antes de mais nada, é preciso refutar essa ideia de “crianças trans”. E todos devem fazer a pergunta: um ser no início de sua formação consegue tomar decisões que terão impacto permanente sobre sua vida e sobre seu corpo?
A resolução
O texto inicia informando que “A publicação da Resolução nº 2.427/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM), em 16 de abril de 2025, gerou intensos debates entre profissionais da saúde, movimentos sociais e organizações de defesa dos direitos humanos. A normativa estabelece novas regras para o atendimento de pessoas transgênero no Brasil, especialmente adolescentes, alterando o acesso a procedimentos relacionados à afirmação de gênero.”
É informado também que “entre as principais mudanças estão a proibição do uso de bloqueadores hormonais para adolescentes trans, salvo em situações clínicas específicas, e a vedação da hormonização cruzada antes dos 18 anos. A resolução também exige acompanhamento médico e psiquiátrico antes do início de procedimentos relacionados à transição de gênero.”
A questão levantada, que motivou a resolução, é que existem dúvidas sobre os impactos a longo prazo das intervenções médicas nas crianças e adolescentes, tendo em vista que existe a possibilidade de arrependimento ou desejo de “destransição”.
Diante disso, defende-se a restrição ao uso de bloqueadores hormonais e à harmonização cruzada antes dos 18 anos. O que é bastante razoável, e é a medida correta a ser tomada.
Distorções
O artigo do Esquerda Online distorce o debate, diz que este “ocorre em um contexto internacional marcado pelo fortalecimento de movimentos conservadores e da extrema direita em diversos países”, e que “nos últimos anos, governos e grupos políticos conservadores têm promovido iniciativas voltadas à restrição de direitos relacionados à diversidade sexual e de gênero, especialmente aqueles destinados a crianças e adolescentes trans.”
Além disso, o texto foge do assunto, não aborda a questão médica, científica, para denunciar perseguição, e que a resolução responde a “movimentos conservadores que têm avançado sobre direitos historicamente conquistados.”
O mundo real
O perfil @observatorio.ig, no Instagram, traz o caso de Avery Jackson, o menino que apareceu na capa da National Geographic de janeiro de 2017 – Gender Revolution (Revolução de Gênero), que aos nove anos de idade era tratado como criança trans, uma menina, no caso.
Jackson recebeu os cuidados de “afirmação de gênero”, que em outros termos significa ter sido submetido a tratamento similar a uma castração química e esterilização com bloqueadores que, em tese, serviriam para adiar sua puberdade.
O problema é que Avery, agora, assumiu-se como não-binário e escolheu não prosseguir com a transição, mas o problema é que sua puberdade já foi bloqueada. Ele também se define como assexual, uma vez que não sente atração sexual nenhuma, o que é basicamente resultado da medicação que utilizaram nele para atrasar a puberdade.
Marci Browers*, presidente da WPATH (Trans & Gender Diverse Policies, Care, Practicies, and Wellbeing), afirmou em um vídeo que os chamados bloqueadores de puberdade, usados para castrar quimicamente os criminosos sexuais, também castram quimicamente os meninos e as meninas que os tomam, deixando-os incapazes de sentir excitação ou até orgasmos. Em adultos, esse processo é reversível, mas na meninice, essas substâncias provocam alterações permanentes.
Futuros adultos não terão atração sexual ou experiências associadas a isso, além de se tornarem completamente estéreis, nunca poderão gerar filhos biológicos.
Os bloqueadores atrofiam o desenvolvimento físico e mental dessas pessoas de forma irreversível, nunca amadurecerão sexual, física e emocionalmente.
O garoto da capa diz que a transição arruinou sua vida. A pergunta que fica é: como uma criança pode ser capaz de consentir esses tipos de tratamentos se não consegue tomar uma decisão informada sobre fazer transições, etc.?
O bloqueio hormonal causa déficits intelectuais que não podem ser reparados, além dos danos permanentes no corpo com atrofia da formação óssea.
A questão do sofrimento
Uma constante no argumento do transativismo é a questão do “sofrimento”, e o que justifica o parágrafo que diz que “os impactos que a negação das identidades trans pode gerar na vida de crianças e adolescentes. A invalidação constante de suas identidades, seja na família, na escola, nos serviços de saúde ou em outros espaços sociais, está associada ao aumento da ansiedade, da depressão, do sofrimento psíquico, da evasão escolar, do isolamento social e de diferentes formas de vulnerabilidade.”
Todo ser humano sofre, especialmente na puberdade, quando o corpo se transforma e as expectativas sociais crescem sobre os indivíduos. Essa passagem é importante, faz parte do amadurecimento. Ainda que exista a discriminação sexual, e isso deva ser tratado de maneira adequada, é preciso questionar o excessivo cuidado em evitar o “sofrimento” e o uso político feito disso.
Não se está negando a especificidade de certos sofrimentos, como a disforia ou incongruência sexual. Mas a resposta para isso seria a “transição”?
Um debate evitado pelo transativismo é o fato de que inúmeras pessoas “destransicionam”, o que, aliás, prova que não existe gênero.
Uma das premissas do identitarismo é que o indivíduo se “identifica” com seu gênero. Sua própria experiência, portanto, comprovaria a validade, a realidade, do gênero, o que cai por terra quando a pessoa muda de ideia. O máximo que os ativistas falam é que não se tratava de uma “trans verdadeira”. Mas a verdade não está na autoidentificação?
O absurdo do texto do Esquerda Online é acusar medidas médicas, que pedem cautela, de impactar “diretamente a vida de crianças e adolescentes trans”, sendo que os bloqueios hormonais é que podem causar danos irreversíveis.
A esquerda deve denunciar a tentativa de utilização da perseguição, da “transfobia”, como justificativa para procedimentos sobre seres humanos que ainda não têm maturidade para tomar decisões que, como disse Avery Jackoson, podem arruinar suas vidas.
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* Marci Bower é um homem transgênero e também cirurgião que realiza cirurgias em pessoas que fogem de seu sexo biológico, descritas como “cirurgias de redesignação sexual” (CRS). Bower foi um dos cirurgiões que operaram Jazz Jennings, que um dia foi a criança-propaganda do reality show “A vida de Jazz”.




