O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra iniciou a marcha estadual pela reforma agrária na Bahia, na segunda-feira (13), com mais de 2 mil participantes ocupando faixas da rodovia BR-324 no sentido Salvador após a saída de Feira de Santana, em memória aos 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás e pretendendo defender a reforma agrária popular. A mobilização integra a jornada nacional de lutas iniciada em todo o país com ações, ocupações e denúncias contra a violência no campo promovida pelo latifúndio.
A marcha partiu de Feira de Santana rumo a Salvador em trajeto de 120 quilômetros e provocou lentidão no tráfego da BR-324 durante a manhã da segunda-feira (13). Os trabalhadores rurais sem terra reafirmam a memória dos 21 camponeses assassinados em 1996 no Pará, onde mais de 90 por cento dos assassinatos no campo seguem sem a devida investigação segundo a Comissão Pastoral da Terra. Na segunda-feira (13), as atividades da jornada nacional incluíram ocupação da Fazenda Prata em Darcinópolis no Tocantins por famílias do acampamento Irmã Rita que denunciam resgate de 102 trabalhadores em regime análogo à escravidão em 2022 e exigem confisco imediato com base no artigo 243 da Constituição. No Pará, 500 jovens iniciaram o 20º acampamento pedagógico da juventude sem terra Oziel Alves na Curva do S com oficinas e formação, enquanto cerca de 3 mil participantes saíram em marcha de Curionópolis para retomar o trajeto interrompido em 1996 com chegada prevista para 17 de abril.
No Tocantins a ocupação denuncia o modelo do agronegócio baseado no latifúndio e na exploração. Na Bahia a marcha continua até 17 de abril buscando diálogo com a população sobre a necessidade de regularização fundiária com a ida de autoridades administrativas aos locais para identificar terras de reforma agrária e grandes propriedades especulativas. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra exige confisco de imóveis com trabalho escravo conforme prevê a Constituição. As mobilizações pressionam as autoridades por reparação às famílias das vítimas e por reformas políticas que garantam a posse da terra aos camponeses.


