Na esquerda pequeno-burguesa, voltam a circular os apelos à “moderação”. Os autoproclamados “moderados” repetem que estamos na antessala do fascismo e que, justamente por isso, seria necessário adotar uma política conciliatória. Mas, se essa crença fosse levada a sério, a primeira pergunta inevitável seria outra: quando, na história, o fascismo foi contido por conciliação? Adolf Hitler foi detido por negociações diplomáticas? Algum regime fascista recuou diante de gestos de moderação? A resposta é simples: não.
E isso não é uma lição distante, enterrada no século XX. Trata-se de um fato brutalmente atual. Basta olhar para os acontecimentos recentes. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos fizeram uma operação militar contra a Venezuela, bombardearam vários alvos e sequestraram o presidente Nicolás Maduro, que foi levado para território norte-americano. Nenhuma tentativa de negociação prévia impediu a ofensiva e nenhuma disposição ao diálogo conteve a agressão.
Enquanto isso, no Oriente Médio, após ataques massivos dos EUA e seu cachorro sionista contra o Irã — que incluíram bombardeios coordenados, assassinatos de lideranças políticas e militares, além de milhares de civis — a resposta iraniana não foi a diplomacia como eixo central, mas a retaliação militar e a imposição de custos concretos aos adversários.
A diferença nas consequências salta aos olhos. De um lado, a Venezuela está submetida à chantagem permanente, incapaz de dissuadir a agressão externa. De outro, o Irã, que ao responder com força conseguiu impor limites reais e forçar recuos táticos do imperialismo. Isso não significa romantizar o confronto, mas reconhecer um fato elementar: na política internacional concreta, declarações ficam em segundo plano.
É claro que não se trata de responsabilizar a Venezuela como se tivesse “escolhido” capitular. O ponto é que sem capacidade material de defesa, qualquer estratégia diplomática torna-se dependente da benevolência do adversário, e os acontecimentos recentes tem demonstrado que o mar não está para peixe.
A moral da história pode ser condensada em duas formulações clássicas. Karl Marx já advertia que “a arma da crítica não pode substituir a crítica das armas”. E Mao Tsé-Tung foi ainda mais direto: “o poder nasce do cano do fuzil”. Diante disso, insistir na moderação como estratégia central não é prudência, é desarmamento político. No cenário atual, ela não dissuade, não protege e, sobretudo, não impede o avanço de quem já demonstrou, na prática, que não reconhece limites quando estes não são impostos.





