A Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 e conquistou a Copa do Mundo. Impotente diante do domínio espanhol, Lionel Messi abandonou qualquer tentativa de decidir a partida com a bola e recorreu à catimba, à pressão contra a arbitragem e a uma armação para tentar expulsar Marc Cucurella.
A seleção espanhola controlou a final disputada no Estádio MetLife. Foram 20 finalizações da Espanha contra apenas uma da Argentina, que não acertou sequer um chute no gol. Ferran Torres marcou na prorrogação, justamente na 20ª conclusão espanhola.
Apresentado durante anos por uma propganda insuportável como o “melhor do mundo”, Messi não teve futebol para oferecer quando sua seleção mais precisou. Não criou uma jogada decisiva, não ameaçou o goleiro adversário e desapareceu diante da marcação espanhola. Restaram as reclamações, as provocações e as tentativas de conseguir por meio da arbitragem aquilo que a Argentina não obtinha dentro de campo.
A final também enterrou qualquer tentativa de comparar essa equipe argentina com o futebol brasileiro. A Seleção Brasileira conquistou cinco Copas do Mundo sem transformar as decisões numa sucessão de agressões, simulações e artifícios contra os adversários. Mesmo nas derrotas mais duras, o Brasil jamais apresentou uma atuação tão pobre e carregada de antijogo.
A cena que melhor resume a atuação de Messi ocorreu nos acréscimos do segundo tempo. Enzo Fernández havia sido expulso depois de cometer uma falta dura em Pau Cubarsí. Enquanto o zagueiro espanhol recebia atendimento, Cucurella discutiu com o camisa 10 argentino.
Messi apontou para a própria boca e tentou convencer o árbitro de que Cucurella havia coberto os lábios durante a discussão. O objetivo era acionar a chamada Lei Vini Jr., regra que prevê a expulsão do jogador que cobre a boca durante um confronto em campo.
A norma foi adotada após denúncias de ofensas racistas. Messi aproveitou um gesto do lateral espanhol para dar à discussão a aparência de uma acusação de racismo e pedir o cartão vermelho. Nenhuma ofensa desse tipo foi identificada. Tratava-se simplesmente de uma tentativa de retirar Cucurella da partida.
Sem conseguir superar o espanhol com a bola, Messi tentou eliminá-lo por meio de uma denúncia inventada. Apontou para o jogador, chamou o árbitro e procurou transformar uma discussão comum numa infração capaz de provocar uma expulsão.
A postura foi a de um delator. Em vez de resolver a disputa em campo, Messi apelou à autoridade e pediu uma punição com base numa armação. É um procedimento semelhante ao adotado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), que recorre à polícia e ao Judiciário para perseguir seus adversários políticos por meio de acusações. Messi também tentou alterar o ponto de uma cobrança de falta para ganhar alguns metros e participou das sucessivas pressões argentinas contra o árbitro.
A armação contra Cucurella torna-se ainda mais escandalosa quando comparada ao tratamento recebido por Messi durante a Copa. Na partida contra a Argélia, o argentino pisou na panturrilha de um adversário. A agressão não provocou a intervenção do VAR nem a punição correspondente.
A Argélia apresentou uma reclamação formal à Fifa por causa da arbitragem da partida. Quando Messi pisou no jogador argelino, os responsáveis pelo vídeo ignoraram o lance. Na final, o próprio argentino quis explorar uma regra disciplinar para expulsar um adversário que não o havia agredido.
A atuação argentina pertence a uma tradição conhecida do futebol sul-americano. Durante décadas, partidas da Libertadores disputadas na Argentina foram marcadas por agressões, intimidação, confusões fora de campo e artifícios destinados a impedir o jogo.
Os abusos chegaram a levar jogadores e dirigentes brasileiros a defender que seus clubes deixassem de disputar a competição. As viagens à Argentina eram tratadas como operações de sobrevivência diante da violência praticada dentro e fora dos estádios.
O episódio mais famoso de antijogo argentino ocorreu na Copa do Mundo de 1990. Durante a partida entre Brasil e Argentina, o lateral Branco bebeu água de uma garrafa oferecida pelos argentinos e passou mal. Anos depois, Diego Maradona admitiu que a água estava misturada com Rohypnol, um tranquilizante de uso psiquiátrico.





