Homens armados atacaram o Aeroporto Internacional Diori Hamani, em Niamei, no Níger, na quinta-feira (18), e mataram 11 soldados e dois civis. O Ministério da Defesa informou que 22 atacantes foram mortos e cerca de 20 suspeitos foram presos; o grupo mercenário JNIM, ligado à Alcaida, reivindicou a ação contra o aeroporto e uma base militar vizinha.
O ataque ocorreu por volta das 6h no horário local, nas imediações do aeroporto e de uma base aérea militar situada no mesmo complexo. Fontes locais relataram intensas trocas de tiros, artilharia pesada e grande deslocamento militar. Um funcionário que mora perto do aeroporto contou ter ouvido disparos e visto forte presença das forças de segurança ao tentar ir ao trabalho, recuando por medo.
Segundo uma fonte ouvida pela agência France Presse (AFP), os homens armados chegaram de táxi a um posto de segurança próximo ao aeroporto e encontraram forte resistência das forças nigerinas. O tiroteio durou horas. O Ministério da Defesa informou ainda que quatro pessoas ficaram feridas pelos atacantes e que uma operação de larga escala do Exército estava em andamento depois da ação.
Apesar do ataque, as autoridades disseram que o aeroporto internacional foi totalmente protegido e permaneceu aberto ao tráfego aéreo. O local é considerado um dos pontos militares mais estratégicos do Níger. Além do terminal civil, o complexo abriga instalações militares, forças russas, a unidade de drones usada em ataques contra grupos armados e estruturas associadas à força de combate ao terrorismo do G5 Sahel.
O JNIM afirmou ter realizado um ataque suicida contra o aeroporto e contra a base militar vizinha, segundo comunicado publicado por seu órgão de propaganda. A reivindicação liga o episódio à expansão da violência armada com apoio de agências de inteligência do imperialismo no Sahel, região em que Níger, Mali e Burquina Faso enfrentam há anos grupos vinculados à Alcaida e ao ISIS, assim como grupos mercenários de caráter étnico, recrutados do povo Tuaregue. Esses ataques mataram milhares de pessoas e deslocaram milhões nos três países.
O atentado também ocorreu meses depois de outro ataque ao mesmo complexo. Em janeiro, uma filial do ISIS na região reivindicou ação contra instalações militares do aeroporto, mirando o comando aéreo e ativos de drones. Naquele episódio, autoridades informaram a morte de 20 combatentes e quatro soldados feridos.
Nas semanas anteriores ao ataque de quinta-feira, o governo do Níger havia iniciado a demolição de milhares de casas construídas irregularmente nas proximidades do aeroporto, alegando risco de infiltração de grupos armados. As autoridades também ampliaram o perímetro de segurança e instalaram mais de 350 câmeras dentro e fora da área. O ataque mostrou, porém, que o complexo continuava sendo alvo prioritário de forças armadas irregulares.





