XII Congresso do PCO

Mauro Souza: PCO foi pioneiro na imprensa digital

Militante do PCO em São Paulo destacou o avanço da imprensa partidária e a precisão das análises internacionais do Partido

O militante do Partido da Causa Operária (PCO) em São Paulo, Mauro Souza, falou sobre a evolução da imprensa partidária durante o XII Congresso Nacional do PCO, realizado no Auditório Paraíso, em São Paulo. Durante o Congresso Natália Pimenta, Souza, que participa da imprensa partidária desde os anos 80, destacou o avanço das publicações do Partido, tanto na Internet quanto em materiais impressos, e afirmou que o PCO foi pioneiro na esquerda no uso da diagramação digital.

Mauro Souza acompanha os congressos do Partido há muitos anos. Ele lembrou que, antes da informatização dos processos editoriais, a produção de jornais, revistas e livros era muito mais lenta e trabalhosa. Segundo ele, os textos eram datilografados, passavam por um processo manual de arte-finalização e depois seguiam para a gráfica.

“Para quem não conhece como funciona a diagramação de materiais, livros, antigamente tudo era feito com máquina de escrever, esse material era digitado, depois vinha para a gente um material digitado, isso era feito uma arte, depois ia para uma gráfica, para um fotolito, era um trabalho enorme”, afirmou.

Segundo Souza, o PCO, ainda antes de se constituir como partido, quando atuava como tendência dentro do PT, foi o primeiro agrupamento da esquerda a organizar a produção do jornal diretamente no computador. Para ele, essa iniciativa deu ao Partido uma vantagem importante na produção de materiais políticos.

“O PCO, na época, nem era um partido, era uma tendência do PT. Foi o primeiro agrupamento que começou a fazer o jornal digital mesmo. Tudo digitado direto no computador, diagramado no computador. Então nós fomos pioneiros. Foi muito interessante porque na esquerda não tinha ninguém fazendo isso”, disse.

O militante destacou que essa experiência permitiu ao Partido produzir revistas e livros com mais rapidez, mesmo sem a estrutura material de organizações maiores. Segundo Souza, o avanço ocorreu com base no trabalho militante, feito por pessoas que dedicavam seu próprio tempo à construção da imprensa partidária.

“Na sequência, nós conseguimos fazer revistas, livros, com bastante velocidade. Isso foi muito impressionante. Na esquerda, ainda mais por uma tendência, que nós não éramos nenhum partido ainda, era uma dificuldade. Você sem dinheiro, com militantes fazendo isso por militância, por seu próprio tempo, foi capaz de desenvolver uma imprensa tão moderna”, declarou.

Para Souza, esse desenvolvimento da imprensa do PCO está ligado ao próprio programa do Partido. Segundo ele, uma organização revolucionária é levada a buscar os meios mais avançados para intervir na luta política.

“Eu sempre falo da importância de um partido ter um programa revolucionário. Ele te empurra para você progredir. Por isso que a gente sempre sai na frente nessa questão da edição de textos na esquerda, mesmo comparando com partidos grandes, como o PT, por exemplo”, afirmou.

Mauro Souza também comentou a política internacional e a posição do PCO diante dos governos de Gabriel Boric, no Chile, Alberto Fernández, na Argentina, e Luis Arce, na Bolívia. Segundo ele, os fracassos desses governos não foram surpresa para o Partido.

“Zero surpresa. Inclusive, quando o Boric ganhou no Chile, o PSOL mandou o representante lá, a gente falou: ‘esse cara aí, pelo amor de Deus’. Ele foi eleito a partir de um golpe na própria esquerda. E estava na cara que ele ia ser um governo desse tipo”, disse.

Souza citou como exemplo a política de Boric em relação aos mapuches. Segundo o militante, o então candidato chileno fez demagogia eleitoral e, depois de eleito, perseguiu o setor que dizia defender.

“Se não me engano, ele fez uma fala em mapuche na posse, uma grande demagogia. E ele mesmo foi responsável por perseguir os mapuches na sequência. Mas a gente já tinha falado isso, nenhuma surpresa”, afirmou.

Para o militante do PCO, a diferença entre o Partido e outras organizações da esquerda está no método de análise política. Segundo Souza, o PCO parte da luta de classes, e não de impressões imediatas sobre os acontecimentos.

“O PCO, na verdade, é um partido que lê a política a partir da luta de classes, não a partir de impressões circunstanciais, do que está acontecendo”, declarou.

Souza também citou a posição do Partido diante das eleições norte-americanas e do governo Joe Biden. Segundo ele, enquanto setores da esquerda defenderam o voto em Biden contra Donald Trump, o governo democrata aprofundou a ofensiva imperialista.

“A mesma coisa no governo Biden. A gente falava que a esquerda queria votar no Biden porque o Trump era extrema direita. Mas o Biden quase colocou o mundo na terceira guerra mundial. Começou problema com Taiuã, colocou a Ucrânia na OTAN, que obrigou a Rússia a fazer a operação militar especial na Ucrânia”, disse.

Ao final, Mauro Souza afirmou que as posições defendidas pelo PCO ao longo dos últimos anos vêm sendo confirmadas pelos acontecimentos internacionais.

“A gente sempre esteve à frente, sempre mostrando, e hoje todo mundo é obrigado a aceitar que a nossa avaliação é a mais precisa da esquerda”, concluiu.

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