Milhares de jovens, trabalhadores e aposentados foram às ruas neste sábado (24) na Itália, Espanha, Portugal e Bélgica. As manifestações reuniram a oposição ao rearmamento, a solidariedade à Palestina e a luta contra o encarecimento da vida, a privatização das aposentadorias, os cortes na educação e a especulação imobiliária. Na Itália e na Bélgica, a polícia atacou os manifestantes com gás lacrimogêneo e outros instrumentos de repressão.
Na Itália, os atos se voltaram contra o governo de Giorgia Meloni e sua política de rearmamento. Na Espanha, aposentados defenderam o sistema público de previdência, enquanto famílias apoiaram a greve dos professores. Em Portugal, os protestos denunciaram os preços dos imóveis e dos aluguéis. Na Bélgica, estudantes exigiram verbas para a educação e o fim dos cortes sociais.
As manifestações italianas reuniram principalmente jovens e estudantes. Parte da mobilização esteve associada ao Movimento 17 de Outubro. Em Milão, cerca de 10 mil pessoas participaram do ato, com palavras de ordem pela saída de Meloni e em defesa da Palestina.
Antes dos protestos, a polícia realizou mais de 150 buscas em Milão e na Lombardia. Youssef Siher, identificado pelo jornal Il Fatto Quotidiano como criador da página do Movimento 17 de Outubro, foi levado para interrogatório e passou a ser investigado por incitação à prática de crimes.
Milão recebeu um forte aparato de segurança, incluindo militares. Os manifestantes se concentraram na região de Cairoli, e ocorreram confrontos com a polícia em corso Venezia. Em Roma, milhares marcharam e um grupo entrou no Coliseu. Mais tarde, agentes utilizaram canhões de água e gás lacrimogêneo na região de Largo Santa Susanna.
Turim registrou confrontos repetidos, com lançamento de objetos por manifestantes e uso de gás lacrimogêneo, canhões de água e cassetetes pela polícia. O cortejo se dispersou à noite. Em Bolonha, os agentes empregaram os mesmos meios de repressão, e foram relatados feridos.
Em Florença, aproximadamente duas mil pessoas bloquearam o acesso à estação Santa Maria Novella e ocuparam trilhos do bonde, interrompendo o serviço.
O Departamento de Segurança Pública italiano divulgou um balanço nacional de nove prisões, 87 pessoas denunciadas às autoridades e 371 conduzidas ou temporariamente retidas, entre elas 110 menores de idade. A polícia também registrou 4.292 pessoas identificadas. Os números correspondem a procedimentos distintos e não podem ser somados como um total de presos.
Em Madri, dezenas de milhares de pessoas marcharam em defesa do sistema público de aposentadorias e contra sua privatização. O governo contabilizou 25 mil participantes. A Coordenadora Estatal pela Defesa do Sistema Público de Pensões (COESPE), responsável pela organização, estimou 50 mil.
Os manifestantes exigiram a equiparação das aposentadorias mínimas ao salário mínimo e reajustes que acompanhem o aumento real do custo de vida. Reivindicaram também a preservação do poder de compra dos aposentados e a manutenção do sistema público para as próximas gerações. Representantes da Frente Ampla participaram do ato e defenderam a aposentadoria aos 65 anos.
A capital espanhola teve ainda uma concentração de apoio à greve por tempo indeterminado do ensino público não universitário, iniciada em 14 de outubro. Mais de 500 pais e mães, conforme a contagem governamental, reuniram-se diante da Secretaria de Educação. Os professores reivindicam redução das horas de aula e do número de alunos por turma, além de melhorias salariais.
Em Lisboa, a manifestação pelo direito à moradia saiu do Marquês de Pombal, percorreu a Avenida da Liberdade e terminou no Rossio. A organização estimou 25 mil participantes. A polícia confirmou a presença de milhares, sem divulgar uma contagem própria.
Os movimentos reivindicam a reversão da legislação do arrendamento, o fim dos despejos sem alternativa habitacional e restrições à compra de moradias por fundos imobiliários. Defendem ainda a ampliação da habitação pública, limites para os aluguéis e a recuperação de imóveis vazios. No Rossio, houve um chamado a uma greve geral ibérica pela moradia e contra o capital.
No Porto, milhares marcharam da Praça da Batalha à Praça D. João I. Uma assembleia decidiu voltar a montar tendas para passar a noite no local. Em Coimbra, aproximadamente 200 pessoas se reuniram na Praça 8 de Maio. Faro teve cerca de 100 manifestantes, e Évora, aproximadamente 50.
Braga também registrou manifestação pelo direito à habitação. Em Aveiro, os participantes se concentraram na Praça da República, onde debateram as reivindicações.
Às 22 horas locais, a organização contabilizou 130 tendas e cerca de 300 pessoas dispostas a dormir no Rossio, em Lisboa. A Polícia de Segurança Pública (PSP) anunciou que não permitiria a permanência das tendas durante a noite. Até aquele momento, não estava confirmada uma intervenção policial para retirar o acampamento.
Em Bruxelas, centenas de manifestantes, principalmente jovens, protestaram por melhores condições de ensino, mais financiamento para a educação e contra a violência policial. O ato na Praça Albertina também denunciou o custo de vida e os cortes sociais do governo federal.
A polícia utilizou gás lacrimogêneo e jatos de pimenta. Testemunhas da agência Reuters observaram agentes batendo e chutando um manifestante durante uma perseguição. A cobertura registrou também uma tentativa de incendiar uma pilha de bicicletas e patinetes.
As autoridades informaram cinco retenções por perturbação da ordem e outras quatro detenções, relacionadas à posse de armas proibidas e à incitação a distúrbios. Em Liège, outra manifestação transcorreu sem confrontos.





