O senador Jaques Wagner (PT-BA) é como uma agulha de coerência em um palheiro de fisiologismo. Faça chuva, faça sol, lá está o homem sempre defendendo a sua causa: o sionismo. Sua única incoerência, no entanto, é estar filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Quando Lula estava levando pedrada de todos os lados por ter declarado, na Etiópia, que os crimes do Estado nazista de “Israel” se assemelham aos crimes cometidos pelo regime nazista alemão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mui amigo não titubeou para demonstrar a quem era fiel. Defender o presidente da República de seu próprio partido? Nunca! Defender o cabo eleitoral que permitiu que fosse eleito duas vezes para o governo da Bahia e uma vez para o Senado Federal? Jamais! Defender o Brasil da selvageria da imprensa imperialista? Para que, afinal?
Jaques Wagner, segundo ele próprio relatou, foi ao encontro de Lula para criticá-lo. Para dizer que assassinar crianças e matar pessoas na fila para receber ajuda humanitária não era nazismo. Sua fala, no entanto, revelou muito mais: a existência de uma ala sionista dentro do PT.
Quem conhece o sionismo não vai acreditar que sua participação no partido e no governo se restrinja a conselhos civilizados. Se o senador se sentiu à vontade para desmoralizar o presidente publicamente, somando-se à extrema direita na crítica a Lula, é porque esta ala atua de maneira ofensiva, chantageando e pressionando a ala esquerda do Partido dos Trabalhadores.
Wagner não demorou a reaparecer balançando a bandeirinha de “Israel”. O Senado Federal aprovou, em abril de 2025, a criação do Dia de Amizade Brasil-“Israel”. E quem estava lá cantarolando “el, el, el, Israel, Israel”? Ele, o sionista “petista”. Jaques Wagner, que, não satisfeito em aprovar a data de confraternização com genocidas, fez um pronunciamento picareta, em que advogava em nome dos judeus, como se se tivesse aprovado uma lei de amizade com a população judaica, e não com uma entidade policial. Na ocasião, ele ainda teve a cara de pau de dizer que, ao atacar o desarmado e martirizado povo palestino, “Israel se defendeu”.
Veio, então, o aniversário de dois anos de um dos episódios mais belos da história humana: a deflagração da Operação Dilúvio de Al-Aqsa, quando a Resistência Palestina, liderada pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, na sigla em árabe), decidiu “dar um basta” em sete séculos de massacre. Wagner, em vez de se juntar aos oprimidos e celebrar a data, declarou que o Hamas deveria ser “exterminado”. Leia-se: que as milhares de pessoas que hoje pertencem ao Hamas deveriam ser assassinadas. E que as outras milhões que não pertencem ao Hamas também sejam exterminadas, visto que, sem o Hamas, “Israel” poderá assassinar os palestinos com muito mais facilidade.
É por isso que Jaques Wagner merece aplausos por sua coerência. Com “Israel”, sempre, mesmo que isso vá contra seu país, seu governo, seu partido. É tanta devoção que fica a pergunta: por que essa tranqueira ainda mora no Brasil?
Quem acompanha a trajetória de Wagner não deveria se espantar com a acusação de que ele teria traído o presidente Lula na articulação que derrubou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Wagner nunca foi leal ao governo, este só é leal a si mesmo e a um “país” que nem deveria existir. O lugar dele é junto ao sionista Flávio Bolsonaro, ao sionista Alexandre de Moraes, ao sionista Davi Alcolumbre.
Se ele não quer viver em um kibutz ordenhando ovelhas enquanto seus funcionários descem o cacete numa família palestina, é direito dele. Mas fazer parte do PT, não. Wagner é inimigo de toda a esquerda, de todo o movimento operário, de todo o movimento popular. É preciso cuspir no chão perante cada aparição desse senhor.





