Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Mais uma proposta indecente do BB para a Cassi

O BB, na maior cara lavada, apresentou uma proposta digna dos piores abutres capitalistas

Mais uma vez, sob o velho argumento de viabilizar soluções para sanar as “dificuldades” por que passa a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), a diretoria do BB quer passar a conta do “prejuízo” para as costas dos trabalhadores.

Em rodada de negociação realizada no dia 23 de junho, entre os representantes dos trabalhadores e a direção do BB, em resposta à proposta apresentada pelas entidades representativas dos trabalhadores, o BB, na maior cara lavada, apresentou uma proposta digna dos piores abutres capitalistas: fazer um aporte extraordinário à Cassi de R$ 2,3 bilhões, para recompor as reservas da entidade, em que o banco arcaria com 50,26% do montante, e seus funcionários, com 49,73%.

Ou seja, a direção do banco, que vem submetendo seus trabalhadores às piores condições de vida por meio da sistemática política de arrocho salarial, quer, com essa medida, aumentar ainda mais os ataques à categoria, onerando ainda mais os funcionários. Quer repassar um valor bilionário de uma conta que, com certeza, não é de responsabilidade dos bancários do BB.

As entidades representativas dos trabalhadores rejeitaram a proposta do banco, mas capitulam e defendem uma “divisão mais equilibrada, com a participação de 70% do banco e 30% dos associados”.

Entra ano e sai ano, a lenga-lenga da direção do Banco do Brasil sempre é a mesma. A cada mudança no estatuto da Cassi, o banco despeja uma enxurrada de informações de que a Cassi está quebrada, no sentido de tentar impor mais um ônus aos trabalhadores. Agora, a situação é a mesma.

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil chega a ter uma receita de mais de R$ 7,7 bilhões, com mais de 550 mil participantes. Os roubos, favorecimentos a hospitais, desvios de verbas etc., principais causas da atual situação da Cassi, ficam como estão: nada é feito, nada de apuração das denúncias feitas ao banco.

A Cassi é um patrimônio construído pelos trabalhadores, e é a eles que cabem seu gerenciamento e controle. Hoje, seus administradores são escolhidos por meio de seleção interna, coordenada pelo banco, que detém a prerrogativa de nomear o presidente da entidade.

Cabe aos trabalhadores do Banco do Brasil barrar mais esse ataque da direção do banco e organizar a mobilização por seus direitos.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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