Gabriel Araújo

Dirigente Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Editor da Tribuna do Movimento e do Boletim do Movimento. Militante do Partido dos Trabalhadores e colunista do Voz Operária-Rio de Janeiro.

Coluna

Lula Presidente: o impasse que está colocado

As mobilizações e os supostos enfrentamentos por parte do governo, quando acontecem, têm ocorrido de maneira meramente performática

lula

As organizações populares, democráticas, patrióticas e revolucionárias precisam compreender neste momento do quarto ano do terceiro mandato do presidente Lula quais são as principais tarefas táticas que necessitam de ser executadas para pavimentar o caminho até a chegada a nosso objetivo estratégico. Ao menos isso em um terreno de curto e médio prazo.

Isso quer dizer que é preciso largar mão, de maneira geral, do imobilismo e pressionar para que as entregas político-econômicas sejam feitas para o povo trabalhador. Mas como fazer isso?

Existe um setor pequeno-burguês desse campo político da Frente Popular que se formou a partir das eleições gerais de 2026 que acreditam fielmente que a situação política do país pode ser resolvida com meros acordos de conciliação política executados por cima. Essa linha política tem efetuado entregas de baixa intensidade que não provocam um verdadeiro sentimento de mudança no conjunto da população e tampouco estimulam que haja um sentimento de mudanças estruturais.

Há muita propaganda daquilo que tem sido efetuado, mas quando descemos para a vida real do povo, não existe um sentimento efetivo de melhorias, não há entusiasmo com esses números. Existe na realidade o sentimento de estagnação, de que a vida continua dura, de que os recursos financeiros estão escassos e não conseguem chegar ao fim do mês, de que se trabalha apenas para pagar as dívidas que são feitas para lidar com as despesas básicas.

Os acordos políticos por cima se mostraram esgotados porque não têm provocado um sentimento de verdadeira mudança na situação econômica para a população que possibilite aumentar a margem de ação de maneira autônoma do governo e também porque a própria base do governo está em processo de decomposição, conforme fica nítido na rejeição da indicação de Jorge Messias para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal e a derrubada pelo Congresso Nacional do veto do presidente Lula à dosimetria.

Diante de tal situação, o governo e sua base de sustentação têm agido somente de forma performática para confrontar o que está colocado, com propaganda governista e a repetição de frases de efeito contra o parlamento (quando têm coragem para falar algo). Esse tipo de atitude não muda um milímetro o delicado contexto em que nos encontramos e o alto grau de ilusão política com as instituições.

A desmoralização é enorme, porque primeiramente aquilo que foi dito que seria feito durante a campanha eleitoral em 2022 não foi nem de longe implementado, e segundo, porque os revezes revelam que a tal estabilidade que foi propagada é algo inexistente, quase que um governo sem nenhuma autoridade frente ao parlamento.

Em nome dessa suposta estabilidade política – que na realidade para a direita e a burguesia se trata de uma preparação do terreno para golpear o governo democrático-popular no momento correto – foi aceito de maneira relativa manter a estrutura fiscal e monetária neoliberal que sequestra o orçamento nacional para entregá-lo aos banqueiros nacionais e internacionais. Somam-se a essa situação as emendas parlamentares que fazem com que o parlamento sequestre a atribuição do Poder Executivo de executar o orçamento nacional.

Nesse contexto, os interesses populares ficam no fim da fila e o governo fica envolvido em um cerco político sem conseguir fazer as entregas necessárias para o povo trabalhador e que possam dar subsídios para as organizações populares realizarem trabalho de base em um patamar superior, para além de suas capacidades próprias.

Essa situação foi de certo modo normalizada por conta de uma suposta estabilidade relativa. Ela desembocou em uma baixa popularidade do governo e em uma inércia das organizações populares, e agora em um momento decisivo em que o governo está sofrendo uma ofensiva por parte do parlamento e tem um processo eleitoral que será extremamente disputado, a mobilização popular e de massas se encontra em uma circunstância complicada porque não vinha sendo preparada, não foi estimulada.

As mobilizações e os supostos enfrentamentos por parte do governo, quando acontecem, têm ocorrido de maneira meramente performática, de forma simbólica, sem um conteúdo concreto que busque consolidar a principal e podemos dizer que única ferramenta política que pode tirar o governo das cordas, retomar sua popularidade e garantir sua reeleição.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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