A privatização da Eletrobrás foi “o maior roubo do País”. Luiz Inácio Lula da Silva disse isso nesta quarta-feira (27), em Manaus, durante anúncio de investimentos da Petrobras no Amazonas.
O presidente afirmou que, quando a Eletrobrás era estatal, o presidente da empresa recebia R$60 mil por mês. Hoje, segundo Lula, recebe entre R$360 mil e R$500 mil. “Cadê a moralização?”, questionou. Lula também criticou a venda da BR Distribuidora e afirmou que o País “não ganhou nada” com a operação.
Lula tem razão. A privatização da Eletrobrás, realizada pelo governo Bolsonaro em junho de 2022, entregou a maior empresa do setor elétrico da América Latina aos capitalistas por um preço irrisório.
A União reduziu sua participação de 65% para 42% e deixou de controlar uma empresa responsável por 28% da geração elétrica nacional e por 40% das linhas de transmissão. Em troca, recebeu cerca de R$30 bilhões, valor infinitamente abaixo do patrimônio entregue. A operação também incluiu uma regra absurda que limita o poder de voto da União a 10%, mesmo com o governo mantendo participação acionária maior.
O que o governo Lula fará diante desse roubo?
Até agora, o governo limitou-se a contestar no Supremo Tribunal Federal (STF) a regra que reduz o poder de voto da União. Lula também já afirmou que pretende “brigar por espaço” dentro da empresa privatizada.
O problema é que a Eletrobrás precisa voltar integralmente ao controle do Estado. Disputar espaço dentro de uma empresa privatizada não resolve o problema. A União precisa recuperar o controle total da maior empresa elétrica da América Latina.
A privatização da Eletrobrás foi uma entrega criminosa do patrimônio nacional, como bem disse Lula. O mesmo vale para a BR Distribuidora, para as refinarias da Petrobrás vendidas no governo Bolsonaro e para outros setores estratégicos entregues aos capitalistas nacionais e estrangeiros.
A energia elétrica é um setor decisivo para qualquer país. Sem controle sobre a geração e a transmissão de energia, o Brasil fica nas mãos dos grandes capitalistas, que passam a decidir sobre tarifas, investimentos e serviços fundamentais para a população.
Por isso, a denúncia feita por Lula em Manaus precisa ter consequência prática. Se a privatização foi um roubo, a medida necessária é a reestatização integral da Eletrobrás. Não a recuperação parcial das ações. Não a disputa por cadeiras no conselho. A reestatização.
Essa medida, no entanto, não virá apenas por decisão de gabinete. O governo precisa convocar a população, os trabalhadores do setor elétrico e as organizações populares para defender a retomada da Eletrobrás, da BR Distribuidora, das refinarias e de todas as empresas estratégicas entregues pela direita.
Lula tem razão ao denunciar a privatização. Agora, precisa usar o governo para reverter o crime cometido contra o povo brasileiro.





