A candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Piauí, Lourdes Melo, apresentou as posições do Partido para as eleições de 2026 em entrevista ao programa piauiense Vai Encarar, da SilasTV, no YouTube. Professora das redes estadual e municipal, ela falou sobre salário, educação, saúde, reforma agrária, segurança pública e as dificuldades enfrentadas pelo PCO na campanha.
Logo no início, Lourdes explicou que o partido apresenta candidaturas para aproveitar o período eleitoral e levar seu programa à população.
“É uma oportunidade, de dois em dois anos, de quatro em quatro anos, de falar para a população.”
O PCO também terá candidatos a deputado no estado. Lourdes ressaltou, porém, que o partido não dispõe dos mesmos recursos nem do mesmo espaço concedido aos grandes partidos. Ela observou, inclusive, que aquela era a primeira vez que havia sido convidada para participar do programa.
Questionada sobre suas chances eleitorais, Lourdes disse que o PCO não possui recursos para percorrer os 224 municípios do Piauí em condições semelhantes às das grandes campanhas. Explicou também que a candidatura não pretende alimentar a ideia de que a eleição, por si só, resolverá os problemas dos trabalhadores.
“Para mostrar nossas ideias. É para isso que nós estamos aqui, que nós somos um partido que defende acima de tudo o socialismo, e que uma eleição não vai mudar a vida das pessoas, e que as oligarquias, que mandam nas eleições, são eleitas.”
O PCO participa da disputa para apresentar seu programa socialista e denunciar o regime político dominado pelos grandes interesses econômicos, utilizando a campanha como instrumento de organização e agitação entre os trabalhadores.
Sobre o governador Rafael Fonteles, Lourdes afirmou que acompanha sua administração, mas deixou claro que não existe acordo político entre o PCO e o governo do PT. Segundo ela, a posição do partido parte das reivindicações dos trabalhadores, como salário, moradia, educação e direitos trabalhistas.
O salário mínimo provocou um dos principais embates do programa. Lourdes mencionou os cálculos do DIEESE e defendeu uma remuneração de aproximadamente R$7.000 para que uma família consiga atender às suas necessidades.
O apresentador classificou o valor como um “salário de luxo” e insistiu em perguntar como um governo poderia pagá-lo. Lourdes rebateu:
“Isso aí é problema que os governos têm, a obrigação de atender às necessidades. Nós temos é de lutar.”
Em seguida, reafirmou:
“Nós defendemos o que é necessário.”
Para Lourdes, o salário deve ser determinado pelas necessidades reais da família trabalhadora, e não pelo valor que governos e patrões consideram conveniente pagar.
Na educação, a professora criticou tanto as condições enfrentadas pelos trabalhadores quanto a direção do SINTE, entidade sindical na qual faz oposição. Segundo ela, o sindicato dispõe de recursos que deveriam ser utilizados para organizar a luta da categoria em todo o estado.
“Nós fazemos oposição ao SINTE. Tem uma gestão lá que está só trocando de cadeira. Nós não temos nenhum acordo com eles.”
Lourdes defendeu melhores salários e a garantia dos direitos dos trabalhadores da educação.
Na saúde, denunciou o avanço do atendimento pago diante das deficiências do serviço público.
“A saúde hoje, aqui em Teresina principalmente, ela virou uma mercadoria.”
A professora relatou que procurou uma UPA para realizar exames básicos, entre eles o de glicemia, mas não conseguiu fazer o procedimento. Também contou ter encontrado uma mulher que já havia desembolsado R$700 para receber atendimento.
Ao procurar posteriormente uma clínica particular, Lourdes recebeu a informação de que apenas a consulta custaria R$1.000.
“A saúde hoje é uma saúde que não atende às necessidades da população.”
Na discussão sobre a eleição presidencial, Lourdes ressaltou que o PCO terá candidatura própria. Ela citou Rui Costa Pimenta, presidente nacional do partido e apresentador da Análise Política da Semana.
Perguntada sobre um eventual segundo turno, afirmou que o partido ainda não havia discutido sua posição. Ao falar de Lula, recordou sua trajetória nas grandes greves operárias do ABC.
“O Lula fez a luta pela reforma agrária, o Lula fez greve quando a greve era ilegal, no ABC.”
Lourdes apontou ainda que Lula permanece como uma referência para uma parcela importante da classe trabalhadora.
O programa abordou também a situação de Nicolás Maduro. A candidata defendeu sua libertação e condenou a ação dos Estados Unidos, sustentando que qualquer acusação contra o dirigente venezuelano deveria ser tratada na Venezuela, e não por Washington.
“A gente continua dizendo que o Trump mantém de forma irregular a prisão do Maduro.”
Em outro momento, um internauta acusou Lourdes de viver de recursos partidários durante as campanhas. O próprio apresentador contestou a afirmação e lembrou que o PCO não dispõe desses recursos.
Lourdes explicou que o partido é atingido pela cláusula de barreira e, por isso, disputa as eleições em condições financeiras muito inferiores às dos grandes partidos.
Ela aproveitou o programa para apresentar o Jornal Causa Operária e os dossiês publicados pelo partido. Entre as publicações exibidas estava uma edição dedicada à colaboração da CIA e do FBI com a polícia brasileira.
Na discussão sobre segurança pública, Lourdes criticou o papel repressivo da polícia e afirmou que ela não está organizada para defender os interesses da classe trabalhadora.
“A polícia tem o seu papel também de oprimir, e nós não acreditamos que ela resolva.”
Questionada se extinguiria a polícia caso fosse eleita, respondeu defendendo a organização e a autodefesa dos trabalhadores.
“Então nós vamos fazer nossa autodefesa. É para isso que a gente chama a classe trabalhadora.”
Lourdes relacionou a questão à luta no campo e à reforma agrária.
“A reforma agrária é para os trabalhadores, a reforma agrária é para quem nela trabalha. Não é para servir ao agronegócio, que se beneficia.”
Depois das críticas de Lourdes à falta de espaço concedido ao PCO, o apresentador afirmou que ela seria convidada para o debate eleitoral promovido pela emissora, mesmo sem o partido possuir bancada parlamentar.





