A candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Piauí, Lourdes Melo, apresentou as principais propostas de sua campanha durante entrevista ao Jornal do Piauí. Professora e militante histórica do Partido, ela defendeu um programa socialista para os trabalhadores e criticou a desigualdade das eleições, a atuação do Judiciário, a violência policial e a concentração de terras no estado.
Questionada sobre sua participação em sucessivas eleições, Lourdes explicou que o PCO utiliza a campanha eleitoral para apresentar seu programa à população. Para um pequeno partido operário, afirmou, as eleições são uma das poucas oportunidades de alcançar um público mais amplo.
A candidata destacou, ao mesmo tempo, a enorme diferença de recursos entre o PCO e os grandes partidos. O Piauí possui 224 municípios e o Partido não dispõe dos recursos necessários para percorrer todo o estado nas mesmas condições de seus adversários.
Ela citou o município de Corrente, no extremo sul piauiense, como exemplo das dificuldades enfrentadas por uma campanha com poucos recursos.
Para Lourdes, essa desigualdade mostra que as eleições estão longe de oferecer condições iguais aos partidos. Ela defendeu que o financiamento eleitoral fosse distribuído de maneira igualitária, permitindo que as diferentes organizações tivessem condições semelhantes para apresentar suas propostas aos eleitores.
Mesmo diante dessas limitações, a candidata afirmou que o PCO participa da disputa para defender abertamente a superação do capitalismo e a luta pelo socialismo.
Durante a entrevista, Lourdes também denunciou a operação policial realizada recentemente contra Rui Costa Pimenta. Ela afirmou que policiais entraram na residência do presidente nacional do PCO às 6 horas e apresentou o episódio como parte da perseguição política contra o Partido.
https://pco.org.br/2026/08/11/perseguicao-politica-policia-federal-invade-casa-de-rui-costa-pimenta/
A candidata relacionou o caso às críticas do PCO ao Judiciário. Um dos pontos apresentados no programa partidário é o combate à ditadura judicial e a defesa da eleição de juízes e procuradores.
Lourdes argumentou que magistrados não eleitos não deveriam interferir no processo político e eleitoral.
“Os juízes não foram eleitos”, afirmou, criticando o fato de integrantes do Judiciário assumirem atribuições que pertencem aos representantes eleitos.
O debate levou também à situação do próprio PCO. Lourdes criticou mecanismos como a cláusula de barreira, que restringem o acesso dos pequenos partidos aos recursos públicos e aumentam a distância entre organizações sem representação parlamentar e as grandes legendas.
Outro ponto apresentado pela candidata foi a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais.
Lourdes destacou particularmente a situação das mulheres trabalhadoras, submetidas ao emprego e, em muitos casos, também à responsabilidade pelo trabalho doméstico e pelo cuidado dos filhos.
Para ela, a redução da jornada deve ser acompanhada pela ampliação de serviços públicos que permitam às trabalhadoras dispor de melhores condições para trabalhar, estudar e participar da vida social.
A questão salarial também ocupou parte da entrevista.
O programa apresentado por Lourdes trabalha com um salário de aproximadamente R$7.500,00. Segundo a candidata, o problema não é a inexistência de recursos, mas a ausência de prioridade dos governos para garantir uma remuneração capaz de sustentar dignamente uma família.
Lourdes afirmou que o valor corresponde aproximadamente ao necessário para que uma família de cinco pessoas possa arcar com suas necessidades fundamentais.
https://youtu.be/wPsbJTRizPc?is=7kkVa5vLPhOM9CM9
Na “segurança pública”, a candidata apresentou uma das posições mais distintas em relação aos demais partidos.
Lourdes criticou duramente a polícia e afirmou que a defesa da população deveria ser organizada pelos próprios trabalhadores.
Ao ser questionada sobre a violência cotidiana, ela chamou a atenção para a atuação policial contra os jovens pobres e negros e defendeu outra forma de organização da segurança.
Segundo Lourdes, “a polícia deveria ser organizada pela classe trabalhadora”.
A candidata relatou ainda uma experiência pessoal ocorrida durante o governo de Alberto Silva. Segundo ela, durante uma mobilização, um policial a ameaçou de morte. Quando procurou uma delegacia para registrar o caso, encontrou resistência dos próprios policiais.
O episódio foi citado para demonstrar sua crítica a um aparelho de segurança que, em vez de proteger a população, pode se voltar contra ela.
Lourdes vinculou essa questão à necessidade de uma transformação mais profunda da sociedade. Para a candidata, os problemas apresentados durante a entrevista não podem ser resolvidos plenamente dentro do capitalismo, razão pela qual o PCO defende uma revolução socialista.
A reforma agrária foi outro ponto destacado.
Ao ser perguntada sobre o peso crescente do agronegócio na economia piauiense, Lourdes defendeu a luta pela terra e recordou a palavra de ordem da reforma agrária “na lei ou na marra”.
Para a candidata, a terra deve pertencer a quem nela trabalha. Ela denunciou ainda a utilização de jagunços contra trabalhadores e índios nas disputas fundiárias e afirmou que a luta contra a concentração da propriedade rural continua necessária.
Na educação, Lourdes defendeu o fim do vestibular e o livre acesso às universidades públicas para todos aqueles que quiserem estudar.
Também apresentou a defesa do transporte gratuito para estudantes e desempregados.
As propostas, segundo a candidata, fazem parte de uma política destinada a ampliar os direitos da população trabalhadora e impedir que serviços fundamentais sejam tratados como fonte de lucro.
Essa posição apareceu novamente quando a entrevista chegou à saúde.
Lourdes ressaltou que Teresina funciona como um importante centro de atendimento para pessoas vindas do interior e também de estados vizinhos, como Maranhão e Pará.
A candidata defendeu um sistema público capaz de garantir atendimento gratuito à população e criticou a necessidade de pagar por procedimentos ou enfrentar longas esperas até mesmo para exames simples.
A relação entre o PCO e Lula também foi abordada.
Lourdes recordou a campanha realizada pelo Partido em defesa do atual presidente quando ele estava preso em Curitiba. Ela contou que participou de viagens coletivas organizadas por militantes e trabalhadores do PCO, que percorriam grandes distâncias de ônibus com ajuda financeira da própria população.
A candidata, contudo, distinguiu a defesa de Lula contra a prisão da posição política atual do PCO.
Segundo Lourdes, Lula ainda procura chegar a acordos com os capitalistas e precisa avançar na defesa dos interesses dos trabalhadores.
Questionada sobre as eleições estaduais e sobre uma eventual posição diante de Rafael Fonteles, ela ressaltou que o PCO possui candidatura própria e pretende conservar sua independência.
“Vamos manter a nossa mesma posição de ter independência do governo”, declarou.
Ao encerrar sua participação, Lourdes reafirmou a orientação fundamental de sua campanha: a luta do PCO pelos trabalhadores e pelo socialismo.





