Você sabia que Michael Jackson escreveu um poema para a Palestina? É isso mesmo. O cantor que foi acusado dezenas de vezes pela imprensa imperialista de pedofilia fez uma música apaixonada em defesa da Palestina — leia na íntegra no final do artigo!
O manuscrito só veio a público em 2014, durante um leilão, no qual foi vendido por mais de 10 mil dólares. O texto teria sido produzido em meados de 1993, com o objetivo de ser lançado no álbum duplo HIStory: Past, Present and Future, Book I. No entanto, nunca passou da fase de escrita.
Não se sabe até hoje por que a música não viu a luz do dia. No entanto, fato é que Michael teve um entrevero com o lobby sionista dois anos mais tarde, após lançar They Don’t Care About Us, desse mesmo álbum. Na versão original da música, cujo clipe foi gravado no Brasil junto ao Olodum, o Rei do Pop diz o seguinte:
“Jew me, sue me
Everybody do me
Kick me, kike me
Don’t you black or white me”
Aproximadamente, diz algo como:
“Me chame de judeu, me processe
Todo mundo me ataca
Me chute, me chame de kike
Não me reduza a preto ou branco”
Não é difícil entender que Michael está denunciando o ódio contra judeus neste trecho — a música inteira é sobre racismo, da forma “humanitária” do cantor. No entanto, o verso causou grande polêmica nos Estados Unidos pela utilização das palavras “judeu” e “kike”. Este último termo é considerado uma forma pejorativa de chamar um judeu.
A reação veio antes mesmo de o disco chegar às lojas. Em 15 de junho de 1995, véspera do lançamento de HIStory, o jornalista Bernard Weinraub publicou no New York Times uma reportagem “denunciando” os versos. No mesmo dia, o rabino Marvin Hier, diretor do Centro Simon Wiesenthal, em Los Angeles, exigiu publicamente uma retratação. Em sua declaração, Hier questionou como Jackson poderia ter usado essas expressões em “um álbum pop voltado para um público adolescente” e afirmou estar preocupado com “a ambiguidade” do verso ao alcançar os 20 milhões de compradores do disco no mundo todo.
O ataque mais duro, porém, veio da Liga Antidifamação (Anti-Defamation League, ADL), dirigida na época por Abraham Foxman. A entidade, fundada nos Estados Unidos em 1913, é a principal representante de “Israel” no país, responsável por comprar por meio de trilhões de dólares governos, parlamentares, a imprensa, entre outros, para defender o sionismo.
Diante da pressão combinada da imprensa imperialista, do Centro Wiesenthal e da ADL, Michael se desculpou publicamente e gravou uma versão alternativa do refrão com efeitos sonoros cobrindo as palavras nas prensagens seguintes do álbum — esta é a versão que pode ser ouvida atualmente em plataformas como o Spotify.
O cantor, no entanto, também reagiu à acusação afirmando estar profundamente magoado. Em comunicado oficial, declarou que a ideia de que os versos pudessem ser considerados ofensivos era “extremamente dolorosa” e “enganosa”, e que a canção tratava justamente “da dor do preconceito e do ódio”, sendo uma forma de chamar a atenção para problemas sociais e políticos. “Eu sou a voz do acusado e do atacado”, disse o cantor, deixando claro que o eu lírico da canção é o das vítimas das ofensas, não de quem as profere — leitura óbvia para qualquer ouvinte de boa-fé.
A campanha contra Jackson não terminou em 1995. Dez anos depois, em 2005, durante o segundo julgamento por acusações de abuso infantil que o cantor enfrentou — e do qual saiu absolvido em todas as acusações —, a rede ABC veiculou trechos editados de mensagens de voz deixadas por Jackson a um ex-conselheiro. Nas mensagens, o cantor se referia a executivos da indústria fonográfica nos seguintes termos:
“Eles sugam. São como sanguessugas. Estou tão cansado disso. É uma conspiração. Os judeus fazem isso de propósito.”
A ADL voltou ao ataque imediatamente. Foxman declarou em comunicado que Jackson “tem uma veia antissemita e não aprendeu com seus erros do passado”, e que “parece que toda vez que ele tem um problema na vida, culpa os judeus”. E acrescentou:
“É triste que Jackson esteja contaminado com ideias classicamente estereotipadas sobre os judeus como todo-poderosos, gananciosos e manipuladores.”
Ou seja, o mesmo cantor que escreveu em segredo um poema declarando “morrerei por ti, ó Palestina” foi, ao longo de toda a sua carreira, alvo de uma campanha sistemática de destruição moral pela imprensa imperialista e pelas organizações sionistas norte-americanas. As acusações de pedofilia, usadas para transformá-lo em um dos maiores párias da cultura pop mundial e que persistem até hoje, mesmo após sua morte, em produções como o documentário Leaving Neverland, vieram acompanhadas de uma cruzada paralela para retratá-lo como antissemita.
Sem mais delongas, o poema escrito por Michael Jackson sobre a Palestina em 1993. Logo em seguida, uma tradução livre para o português.
“See the plains
Of the days of old
Just a century ago
When stories of peace were told.
Of how Gallilie (sic) ran through
The Jordan River.
What remains are cold
Tales of war,
Of the death and dying
Bomb shells are flying
Bodies multiplying,
See the children crying.
What are they fighting for?
I will pray for you,
Oh, Palestine.
Oh, Palestine,
I will carry you, oh,
Palestine, Palestine.
Palestine
Come deep in
My heart.
I’ll always love you.
Palestine, don’t cry,
I will pray for you,
Oh, Palestine. Oh, Palestine,
Oh, Palestine.
God’s a place for you
Oh, Palestine.
And, I believe in you. Oh,
Palestine, I will die for you.”
Versão em português
“Veja as planícies
Dos dias de outrora
Há apenas um século
Quando se contavam histórias de paz.
De como a Galileia corria
Pelo Rio Jordão.
O que resta são frias
Histórias de guerra,
De morte e agonia.
Bombas voando,
Corpos se multiplicando,
Veja as crianças chorando.
Pelo que estão lutando?
Eu rezarei por ti,
Oh, Palestina.
Oh, Palestina,
Eu te carregarei, oh,
Palestina, Palestina.
Palestina,
Adentra fundo
Em meu coração.
Eu sempre te amarei.
Palestina, não chores,
Eu rezarei por ti,
Oh, Palestina. Oh, Palestina,
Oh, Palestina.
Há um lugar de Deus para ti
Oh, Palestina.
E eu acredito em ti. Oh,
Palestina, eu morrerei por ti.”







