No início de maio completaram-se cinco meses da prisão do cacique Joel Braz, uma das principais lideranças da luta pela demarcação das terras indígenas Pataxó no Extremo Sul da Bahia. Joel foi preso em dezembro do ano passado em uma operação suspeita do governo do Estado da Bahia. Depois disso, outras 14 lideranças foram presas em ações da Polícia Federal, da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e da Secretaria de Relações Institucionais (Serin), órgãos ligados ao governo Jerônimo Rodrigues.
Em fevereiro, o cacique Mandy e outras 12 lideranças foram presas sem nenhuma prova, após um atentado contra turistas em Prado (BA). Em março, o presidente do Conselho de Caciques de Barra Velha, cacique Suruí, foi preso acusado de “crimes e atos de ‘retomada’ ocorridos na Terra Indígena Comexatibá”, onde sequer atuava como liderança.
Na mesma operação foi preso o cacique Aruã, importante liderança Pataxó e ex-coordenador regional da Funai no sul da Bahia. Segundo denúncias, ele teria sido exonerado a mando do ministro da Casa Civil e ex-governador, Rui Costa, por “defender demais os índios”.
As prisões ocorreram durante as operações Sombras da Mata II e Tekó Porã II, conduzidas pela SSP-BA, com acusações sem nenhuma prova como de invasão de terra, porte ilegal de armas, homicídio, ameaça, cárcere privado e roubo de veículos e equipamentos. Os processos são baseados em denúncias de fazendeiros, grileiros e setores interessados em barrar a demarcação das terras Comexatibá e Barra Velha do Monte Pascoal.
Perseguição contra os Pataxós
A perseguição contra o povo Pataxó se intensificou nos últimos anos, com dezenas de mandados de prisão contra suas lideranças, que estão sendo perseguidas pelo governo do Estado da Bahia. Críticas também são dirigidas ao PT estadual, que mantém um discurso de apoio aos índios enquanto, na prática, se aliam aos latifundiários e grileiros da região.
Demagogia identitária
O presidente do PT da Bahia, Tassio Brito, costuma fazer demagogia com os índios dizendo que foi “invasão”, sobre demarcação, “catequese” e miscigenação foi estupro, mas se cala diante da violência atual do estado contra os índios.
É preciso acabar com a demagogia, denunciar essas ações criminosas contra a luta pela demarcação e exigir a anulação de todos os processos contra os índios e a liberdade imediata para os presos políticos da luta pela terra.




