Oriente Médio

Líbano tenta negociar ante nova violação do acordo por ‘Israel’

O presidente libanês Joseph Aoun cobrou o fim total da ocupação, enquanto o terrorismo sionista e a exigência de retirada militar atravessam quinta rodada de negociações

O Líbano iniciou uma nova rodada de conversas em Washington na terça-feira (23) para pressionar pelo fim da ocupação e pela retirada militar de “Israel”. A iniciativa ocorre após quatro rodadas desde abril sem cessar-fogo efetivo e em meio à continuidade dos ataques contra o território libanês. O presidente libanês Joseph Aoun afirmou que o país não aceitará nada menos que o fim completo da ocupação do sul e o colapso simultâneo de toda tutela estrangeira. 

A quinta rodada é apresentada pelas autoridades libanesas como tentativa de obter garantias concretas após sucessivas violações. Para o governo libanês, a negociação direta seria o único meio disponível para encerrar a guerra. O ponto central, porém, segue sem acordo: a retirada das forças de “Israel” do sul libanês. O governo do presidente Joseph Aoun já havia assumido uma posição favorável ao sionismo durante a guerra, ao exigir o desarmamento do Hesbolá, que combate a ocupação militar sionista do país.

Benjamin Netaniahu, primeiro-ministro de “Israel”, declarou na véspera que suas forças manteriam “liberdade total de ação” no Líbano para impedir qualquer ameaça direta ou em formação. A posição contrasta com a exigência libanesa de retirada e reforça a dificuldade das conversas. Altos funcionários de “Israel” já afirmaram que tropas permaneceriam no sul libanês por tempo indefinido.

O Hesbolá defendeu que o governo libanês se retire das conversas diretas enquanto “Israel” continuar violando acordos anteriores de cessar-fogo. O grupo classificou o ataque mais recente como violação flagrante da trégua e agressão traiçoeira.

As negociações também são afetadas pelo memorando entre Irã e EUA, que previu a interrupção dos combates em várias frentes, incluindo o Líbano. Paquistão e Catar, mediadores do processo, afirmaram na segunda-feira (22) que Irã e EUA concordaram em criar uma célula de redução de conflitos para limitar novas escaladas no Líbano.

Apesar disso, combates intensos foram registrados no sul nas últimas semanas, com avanço de tropas de “Israel” sobre vilarejos libaneses. A situação havia ficado relativamente mais calma desde 20 de junho, durante as conversas entre Irã e EUA, mas voltou a se agravar na terça-feira (23).

A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que dois homens foram mortos em Nabatieh al-Fawqa quando soldados de “Israel” abriram fogo com metralhadoras contra eles enquanto estavam perto de uma escavadeira usada para desbloquear uma estrada. Em outro episódio, a agência relatou que um drone atacou um carro estacionado nos arredores de Baraasheet, sem informação imediata de vítimas.

O Líbano afirma que ataques de “Israel” desde março mataram mais de 4.100 pessoas. A continuidade das ações militares reforça a pressão sobre a rodada de Washington e amplia a disputa entre a via diplomática defendida pelo governo e a posição do Hesbolá, que vê as conversas como concessão antes do fim efetivo das violações.

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