Azzam Khalil al-Hayya, filho de Khalil al-Hayya, dirigente do Hamas na Faixa de Gaza, morreu nesta quinta-feira, 7 de maio, em consequência dos ferimentos provocados por um ataque israelense realizado na noite anterior contra a Cidade de Gaza.
Segundo as informações divulgadas pela Al Mayadeen, o bombardeio atingiu a região próxima ao ponto de ônibus de Jabalia, no bairro de al-Daraj, no centro da Cidade de Gaza. No mesmo ataque, Hamza al-Sharbasi, dirigente das Brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas, foi morto. Azzam al-Hayya havia ficado ferido e não resistiu.
A morte de Azzam foi denunciada por diversas organizações palestinas como parte de uma política de assassinatos seletivos conduzida pelo Estado de “Israel” mesmo durante a vigência do cessar-fogo. A Jiade Islâmica Palestina afirmou que o governo israelense segue escalando seus crimes contra a Faixa de Gaza e que o Exército de ocupação mantém ataques destinados a assassinar quadros e dirigentes da Resistência, especialmente do Hamas e da Jiade Islâmica.
Em comunicado, a organização declarou que o ataque contra Hamza al-Sharbasi e Azzam al-Hayya tem como objetivo impor as condições israelenses sobre Gaza, fugir dos compromissos assumidos no cessar-fogo, impedir a reconstrução do território e dar continuidade aos massacres contra a população palestina. A Jiade Islâmica também citou a obstrução da passagem de Rafá como parte dessa política.
Os partidos palestinos também prestaram solidariedade a Khalil al-Hayya e ao Hamas. A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) destacou que Azzam é o quarto filho de Khalil al-Hayya morto por ataques israelenses, afirmando que o fato expressa como os dirigentes da Resistência compartilham o mesmo sofrimento imposto ao povo palestino. A organização acusou “Israel” de sabotar os esforços de cessar-fogo por meio de bombardeios e assassinatos.
Outras organizações, como o Movimento dos Mujahidin Palestinos, a FPLP-Comando Geral, a Fatah al-Intifada e os Comitês de Resistência Popular, também condenaram o ataque. Em suas declarações, afirmaram que a política de assassinatos não quebrará a disposição da Resistência palestina e que os sacrifícios fazem parte da luta contra a ocupação e pelo retorno dos palestinos às suas terras.
O Birô Político do Ansar Alá, do Iêmen, também enviou condolências a Khalil al-Hayya, à direção do Hamas e ao povo palestino. O movimento condenou as violações contínuas do cessar-fogo e responsabilizou os regimes árabes e islâmicos por abandonarem suas responsabilidades diante do que chamou de projeto sionista-americano.
O assassinato de Azzam al-Hayya ocorre em meio a uma série de ataques israelenses contra Gaza, apesar do cessar-fogo firmado em outubro de 2025. No dia 6 de maio, palestinos ficaram feridos após um ataque contra um acampamento de deslocados no bairro de al-Zaytoun, na Cidade de Gaza. Mais ao sul, o coronel da polícia Naseem al-Kalzzani foi morto em um bombardeio contra seu veículo na região de al-Mawasi, em Khan Younis.
O Hamas afirmou que a escalada militar israelense representa uma violação aberta do acordo de cessar-fogo e pediu que os Estados Unidos e os países garantidores do acordo de Sharm el-Sheikh intervenham para conter “Israel”.
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, 837 palestinos foram mortos, 2.381 ficaram feridos e 769 corpos foram retirados dos escombros. Desde 7 de outubro de 2023, o número total de mortos pela ofensiva israelense chegou a 72.619, com 172.484 feridos.
A continuidade dos bombardeios, dos assassinatos seletivos e dos ataques contra civis mostra que o chamado cessar-fogo não pôs fim à ofensiva israelense contra Gaza. Para as organizações palestinas, a morte de Azzam al-Hayya reforça a denúncia de que a ocupação utiliza a trégua apenas como cobertura diplomática, enquanto mantém a guerra contra o povo palestino e sua resistência.





