O ministro da Cultura de “Israel”, Miki Zohar, anunciou que pretende retirar a cidadania dos cineastas Yuval Abraham e Rachel Szor depois que o documentário Naza recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza.
O filme foi apresentado no sábado (12) e recebeu uma longa ovação. No dia seguinte, Zohar acusou seus realizadores de traição e declarou que trabalharia para cassar sua cidadania.
Naza reúne depoimentos de 24 integrantes e antigos integrantes dos serviços de inteligência e das forças armadas sionistas.
Os entrevistados descrevem os métodos empregados para vigiar palestinos, escolher alvos e calcular antecipadamente quantos civis poderiam morrer em determinados ataques contra a Faixa de Gaza.
O filme também apresenta relatos sobre sistemas algorítmicos utilizados na localização de pessoas e edifícios. Alguns entrevistados relatam operações autorizadas apesar do conhecimento prévio de que mulheres e crianças seriam atingidas.
Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de “Israel”, apoiou a perseguição e sugeriu que os dois cineastas abandonassem o país e fossem para Gaza.
O governo sionista responde, portanto, às denúncias feitas por seus próprios cidadãos com a ameaça de retirar-lhes a cidadania.
A repressão não se limita aos palestinos ou aos jornalistas estrangeiros. Quando militares e antigos agentes descrevem publicamente como funciona a seleção de alvos em Gaza, os responsáveis pelo filme passam a ser tratados pelo governo como traidores.
A palavra naza, que dá nome ao documentário, é usada nos círculos militares sionistas para se referir aos palestinos cuja morte é aceita previamente durante uma operação mesmo quando eles não constituem o alvo principal.





