O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou nesta quinta-feira (28) que atacou uma base militar dos Estados Unidos na região, em resposta a uma agressão norte-americana contra os arredores do aeroporto de Bandar Abbas, importante cidade portuária iraniana localizada próxima ao Estreito de Ormuz.
Segundo comunicado divulgado pelo setor de relações públicas do CGRI, as forças norte-americanas lançaram projéteis aéreos contra uma área nos arredores de Bandar Abbas antes do amanhecer. A resposta iraniana veio por volta das 4h50, tendo como alvo a base aérea de onde teria partido o ataque.
A operação, de acordo com o comunicado iraniano, deve ser entendida como um “sério alerta” aos Estados Unidos e seus aliados na região. O CGRI afirmou que qualquer nova agressão contra o território iraniano “não ficará sem resposta” e advertiu que uma repetição dos ataques provocará uma reação “mais decisiva”.
“A responsabilidade pelas consequências cabe ao agressor”, afirmou o comunicado.
A escalada foi acompanhada por informações vindas do Cuaite. As Forças Armadas do país confirmaram que seus sistemas de defesa aérea estavam atuando contra ataques de mísseis e veículos aéreos não tripulados (VANTs).
O ataque dos EUA contra Bandar Abbas ocorreu depois de novas operações militares norte-americanas no sul do Irã. Fontes militares iranianas citadas pela agência Tasnim afirmaram que explosões foram ouvidas na região, mas sem registro de vítimas ou danos materiais significativos. Meios de comunicação iranianos também relataram três explosões a leste de Bandar Abbas e a ativação dos sistemas de defesa aérea.
Na segunda-feira, o Comando Central dos EUA (Centcom) já havia anunciado ataques contra supostos locais de mísseis no sul do Irã e contra embarcações que, segundo o governo norte-americano, estariam tentando instalar minas navais na região. O Irã, por sua vez, tem reiterado que qualquer base utilizada para atacar seu território será considerada alvo legítimo.
Em outro episódio da escalada, um petroleiro norte-americano teria tentado atravessar o Estreito de Ormuz durante a madrugada após desligar seu sistema de radar. Segundo fonte militar iraniana citada pela Tasnim, a Marinha iraniana reagiu rapidamente e abriu fogo contra a embarcação, obrigando-a a recuar.
A nova agressão dos Estados Unidos ocorre justamente em meio a negociações sobre um cessar-fogo. Segundo fontes iranianas, houve avanços em pontos como a liberação de ativos iranianos congelados no Catar, o fim das hostilidades em várias frentes, o levantamento do bloqueio marítimo e a reabertura do Estreito de Ormuz.
No entanto, as mesmas fontes alertam que qualquer anúncio unilateral por parte dos Estados Unidos não seria confiável. A posição iraniana é que o mecanismo de anúncio do memorando deve ser conjunto, justamente para impedir que os Estados Unidos deturpem os termos do acordo.
A proposta em discussão incluiria uma fase inicial para encerrar a agressão, liberar os bens iranianos bloqueados, suspender o bloqueio marítimo e reabrir Ormuz. Depois disso, haveria um período de 60 dias de negociações, prorrogável, para tratar do programa nuclear iraniano.





