Estreito de Ormuz

Irã responde agressão e bombardeia frota naval dos EUA

Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica informou que a operação foi realizada com mísseis balísticos e de cruzeiro antinavio, além de VANTs explosivos

O Irã lançou, nesta quinta-feira (7), uma resposta militar direta contra a frota naval dos Estados Unidos na região do Estreito de Ormuz, após uma série de ataques norte-americanos contra embarcações iranianas e pontos do sul do país. Segundo comunicados militares iranianos e relatos de imprensa enviados, navios de guerra dos EUA foram atingidos por mísseis e veículos aéreos não tripulados (VANTs) iranianos e obrigados a recuar em direção ao Mar de Omã.

A crise teve início com a tentativa norte-americana de impor, pela força, a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. A operação, anunciada pelo governo Donald Trump, tinha como objetivo romper o controle iraniano sobre a região estratégica e garantir a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de seus aliados, apesar do bloqueio naval e da escalada militar em curso.

De acordo com os relatos enviados, as forças dos Estados Unidos atacaram embarcações iranianas nas proximidades do estreito. Um dos episódios mencionados envolve o navio-tanque iraniano Hosna, que teria sido atingido por um caça F/A-18 Super Hornet. O Pentágono teria admitido que a aeronave disparou contra o navio e inutilizou seu leme, alegando que a ação ocorreu porque a embarcação violava o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.

O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya afirmou que os militares norte-americanos “violavam o cessar-fogo” ao atacar um navio-tanque iraniano que navegava das águas costeiras do Irã, perto de Jask, em direção ao Estreito de Ormuz. Outro navio, que entrava no estreito em frente ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, também teria sido alvejado.

Segundo o mesmo comunicado, os Estados Unidos realizaram ainda ataques aéreos contra áreas civis nas costas de Bandar Khamir, Sirik e na Ilha de Qeshm, com a cooperação de “alguns países da região”. Em resposta imediata, as Forças Armadas iranianas atacaram embarcações militares norte-americanas a leste do Estreito de Ormuz e ao sul do porto de Chabahar, causando “danos significativos” à frota inimiga.

A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) informou que a resposta iraniana consistiu em uma operação combinada, de grande escala, com o uso de mísseis balísticos antinavio, mísseis de cruzeiro e VANTs explosivos. A operação foi dirigida contra contratorpedeiros norte-americanos que se aproximavam do Estreito de Ormuz ou tentavam deixar a região depois da agressão contra as embarcações iranianas.

Segundo fontes iranianas, três navios militares dos Estados Unidos foram atacados. Entre eles estaria ao menos um contratorpedeiro da classe Arleigh Burke. As embarcações teriam sido obrigadas a recuar em direção ao Mar de Omã após sofrerem danos. Relatos posteriores afirmaram que os navios norte-americanos continuaram sob fogo iraniano durante a retirada.

A imprensa norte-americana também reconheceu a gravidade do confronto. A emissora CBS reconheceu que dois contratorpedeiros da Marinha dos EUA, o USS Truxtun e o USS Mason, foram alvo de um ataque “severo e contínuo” por parte do Irã enquanto tentavam atravessar o Estreito de Ormuz. De acordo com essa versão, lanchas rápidas iranianas se aproximaram das embarcações norte-americanas, enquanto VANTs e mísseis também foram lançados contra os navios.

Os Estados Unidos afirmaram que os contratorpedeiros se defenderam com canhões de cinco polegadas, sistemas de defesa de curto alcance e disparos de armas leves a partir do convés. A imprensa norte-americana tentou minimizar a derrota, alegando que não houve danos nem baixas. Ainda assim, o próprio relato confirma que a frota norte-americana ficou durante horas sob ataque iraniano no estreito.

O Comando Central dos EUA, o Centcom, também confirmou que realizou ataques contra instalações militares iranianas. O órgão afirmou que as forças norte-americanas teriam agido em “defesa própria” e que atacaram instalações de mísseis, VANTs e centros de comando e controle do Irã. A declaração confirma, portanto, que os Estados Unidos atacou diretamente o território iraniano, ainda que tente apresentar sua agressão como medida defensiva. Uma autoridade norte-americana tentou reduzir o alcance político da operação, dizendo que os ataques “não significam a retomada da guerra”.

No sul do Irã, a noite foi marcada por explosões em Bandar Abbas, Qeshm, Sirik e Minab. Em Bandar Abbas, moradores relataram sons semelhantes a explosões, enquanto as autoridades locais investigavam a origem dos ruídos. Algumas fontes indicaram que parte dos estrondos teria sido causada pela atuação da defesa aérea contra VANTs. Outras informações apontaram para confrontos navais próximos à região.

Em Qeshm, o cais de Bahman foi atingido. Segundo os relatos, o terminal de passageiros sofreu danos, especialmente em sua seção administrativa. Houve incêndio e destruição parcial da estrutura. Inicialmente, surgiram versões contraditórias sobre a autoria do ataque. Algumas fontes apontaram a possibilidade de participação dos Emirados Árabes Unidos, em coordenação com o regime sionista.

Outras fontes locais afirmaram que os sons ouvidos em Bandar Abbas e Qeshm poderiam estar ligados à interceptação de VANTs pela defesa aérea iraniana. As autoridades iranianas, porém, trataram os ataques contra Qeshm e outras áreas costeiras como parte da agressão norte-americana, realizada com o apoio de países da região. O comando iraniano afirmou que tal apoio “não passará despercebido”.

Em Sirik, circularam inicialmente informações sobre explosões, mas fontes locais depois afirmaram que parte dos sons ouvidos estava relacionada a advertências da Marinha do CGRI contra embarcações que realizavam trânsito não autorizado.

Em Minab, o governador local afirmou que, por volta de 00h10, Estados Unidos e “Israel” atacaram uma base de guarda costeira no município.

A escalada também atingiu a frente norte. Paralelamente aos confrontos no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, as forças iranianas realizaram ataques contra posições de grupos separatistas no Curdistão iraquiano. Segundo os relatos, foram lançados ao menos oito mísseis, além de VANTs, contra acampamentos de partidos de oposição nas regiões de Koya e arredores de Erbil, incluindo sedes do Partido Democrático do Curdistão Iraniano e do Komalah. A imprensa curda confirmou ataques com VANTs contra uma sede na região, embora não tenha divulgado detalhes sobre vítimas ou danos.

A defesa aérea iraniana também foi ativada em outras regiões. Houve relatos de atuação contra alvos hostis no oeste de Teerã, além de informações sobre testes de sistemas de defesa em áreas próximas. Autoridades locais negaram explosões em Bideganeh e afirmaram que os sons ouvidos estavam relacionados a testes ou treinamentos.

Segundo Mehdi Mohammadi, assessor do presidente do Parlamento iraniano, os Estados Unidos tentaram, desde o início da semana, reabrir o estreito por meios militares. Ele afirmou que, entre a meia-noite e o amanhecer de 6 de maio, a Marinha do Exército iraniano e a Marinha do CGRI travaram uma “batalha heroica” em defesa do Estreito de Ormuz.

Segundo Mohammadi, os EUA montaram uma ampla cobertura aérea de vigilância sobre o estreito e tentaram deslocar um número expressivo de embarcações de combate do Mar de Omã para o Estreito de Ormuz e, depois, para o Golfo Pérsico. A operação, no entanto, terminou em desastre. Ele afirmou que quatro embarcações norte-americanas foram efetivamente incapacitadas e que outras duas, ao tentar se abrigar atrás da ilha de Abu Musa, encalharam em rochas costeiras.

Mohammadi declarou ainda que Trump foi obrigado a interromper o “Projeto Liberdade” às 5h da manhã, depois do fracasso da operação militar. Para ele, a explicação norte-americana de que a decisão teria relação com algum movimento diplomático não se sustenta, pois nenhum evento diplomático relevante teria ocorrido naquele horário. “A realidade é que eles pretendiam reabrir o Estreito de Ormuz por meios militares, mas falharam”, afirmou, segundo o relato.

Nos próprios Estados Unidos, o congressista Eric Sorensen pediu o fim da guerra contra o Irã, citando o aumento dos preços dos combustíveis. Segundo a mensagem enviada, ele afirmou que a população de seu distrito não consegue arcar com gasolina a 5 dólares e diesel a 7 dólares. O preço do petróleo Brent também teria subido mais de 2 dólares após as notícias de ataques norte-americanos ao Irã.

Donald Trump, por sua vez, tentou vender uma versão triunfalista do episódio. Em entrevista à ABC News, afirmou que três contratorpedeiros norte-americanos atravessaram o Estreito de Ormuz com sucesso e sem sofrer danos, apesar de estarem sob fogo. A história, no entanto, contrasta com os próprios relatos da imprensa norte-americana, que descreveram ataques intensos e prolongados contra os navios dos EUA.

O fato central é que a nova aventura militar norte-americana no Golfo Pérsico fracassou em seu objetivo político. A operação pretendia quebrar a posição iraniana no Estreito de Ormuz e demonstrar que os EUA ainda poderiam impor sua vontade pela força. O resultado foi o oposto: a frota norte-americana foi atacada, obrigada a recuar e teve de recorrer a bombardeios contra alvos iranianos para tentar encobrir o revés.

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