O Irã atacou bases dos EUA no Golfo Pérsico. A operação foi anunciada nesta quinta-feira (9) pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) e pelo Exército iraniano, em resposta aos bombardeios norte-americanos contra várias regiões do país.
Segundo comunicado da Força Aeroespacial do CGRI, a primeira fase da retaliação atingiu infraestrutura militar norte-americana em quatro bases no Kuwait e no Barein. Os alvos foram Camp Arifjan e a base Ali Al Salem, no Kuwait, além das instalações de Jufair e Xeque Issa, no Barein.
O ataque foi realizado com mísseis e VANTs. O CGRI afirmou que a operação responde às violações mais recentes dos EUA contra o território iraniano. Nos últimos dois dias, aviões norte-americanos bombardearam áreas em cinco províncias do Irã, atingindo infraestrutura civil e militar.
O Ministério da Saúde iraniano informou que 14 pessoas morreram e 78 ficaram feridas nos ataques. Entre os alvos citados pelas autoridades iranianas estão o porto de Chabahar, no sul do país, duas estruturas marítimas, uma torre de controle de navegação, instalações em Buxehr, Sirik, Jask, a ilha de Abu Musa e uma ponte na província de Golestão. Estilhaços também atingiram o Hospital Imã Ali, segundo informações divulgadas por fontes iranianas.
Poucas horas depois do comunicado do CGRI, o Exército da República Islâmica anunciou uma nova leva de ataques. Segundo o departamento de relações públicas do Exército, foram lançados diversos VANTs suicidas contra um sistema Patriot no Kuwait, uma antena de alerta antecipado por satélite no Catar e depósitos de combustível pertencentes às forças norte-americanas no Barein.
A nota do Exército afirmou que as Forças Armadas do Irã agem “sob as diretrizes do Líder e Comandante-em-Chefe, aiatolá Saied Mojtaba Khamenei”, e não permitirão que os objetivos do presidente norte-americano sejam realizados contra o país.
A operação colocou em alerta as bases norte-americanas espalhadas pela região. De acordo com informações divulgadas pela imprensa regional, explosões foram ouvidas nas proximidades da sede da Quinta Frota da Marinha dos EUA no Barein. Também foram registradas explosões em bases no Kuwait e sirenes em instalações onde há presença norte-americana no Iraque e na Jordânia.
No Kuwait, o sistema de defesa aérea foi ativado. No Barein, sirenes tocaram após as explosões. No Catar, as autoridades elevaram o nível de ameaça e recomendaram que moradores permanecessem em suas casas ou em locais seguros.
A nova escalada começou após o governo dos EUA declarar que o cessar-fogo com o Irã estava “temporariamente suspenso”. Donald Trump também afirmou que o memorando de entendimento firmado com Teerã estava “acabado”, ao mesmo tempo em que deixou em aberto a possibilidade de novas conversações.
Para o Irã, a posição norte-americana é mais uma prova de que os EUA utilizam os acordos apenas como instrumento de pressão. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que o memorando se baseava no princípio de “compromisso por compromisso”, e não em confiança nos EUA.
Baghaei acusou os norte-americanos de violar o acordo ao atacar o território iraniano e ao tentar interferir nas regras de passagem pelo Estreito de Ormuz. Segundo o governo iraniano, a cláusula referente à navegação no estreito reconhece a autoridade do Irã sobre os procedimentos de segurança nessa rota.
A importância do Estreito de Ormuz é central na crise. Por ali passa uma parte decisiva do petróleo transportado pelo Golfo Pérsico. Qualquer agressão dos EUA contra o Irã ameaça elevar os preços internacionais do petróleo e colocar em risco os regimes árabes aliados dos norte-americanos.
Um dirigente iraniano citado pela Al Mayadeen foi direto: “Se Trump quer preços do petróleo mais altos, damos boas-vindas a isso”. A declaração mostra que o Irã não pretende aceitar a pressão norte-americana sem ampliar o custo político e econômico da agressão.
O deputado Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, também advertiu as monarquias do Golfo alinhadas aos EUA.
“Os Estados do Golfo que estão com Trump no confronto entre o Irã e o regime norte-americano devem cuidar de seus poços de petróleo e gás”, afirmou.
Rezaei disse ainda que o Irã não tem “linhas vermelhas” quando se trata da defesa de sua segurança nacional. Segundo ele, se os EUA lançarem uma ofensiva em larga escala, o Irã responderá com toda a força e poderá acionar o Eixo da Resistência contra bases, forças, equipamentos e instalações norte-americanas em toda a região.
O CGRI também relacionou a agressão norte-americana aos cortejos fúnebres realizados no Iraque em homenagem ao aiatolá Saied Ali Khamenei, assassinado no início da guerra deflagrada pelos EUA e por “Israel” contra o Irã. Segundo a nota, a mobilização popular em torno do líder martirizado provocou medo entre os governantes norte-americanos.
O comunicado afirmou que os EUA tentaram encobrir a importância política dos cortejos com uma nova agressão militar. “Esse magnífico cortejo fúnebre encheu de medo os governantes arrogantes e os obrigou a reagir apressadamente diante dessa demonstração de força popular”, declarou o CGRI.
A nota acrescentou que os crimes dos EUA apenas aumentam a disposição dos povos da região para enfrentar o “Grande Satã”, expressão usada pela Revolução Islâmica para se referir ao imperialismo norte-americano.
A resposta iraniana expõe a posição vulnerável dos EUA no Oriente Médio. Suas bases no Kuwait, Barein, Catar, Iraque e Jordânia são apresentadas como instrumentos de domínio regional, mas funcionam também como alvos imediatos quando o imperialismo ataca países como o Irã.
A política norte-americana é clara: manter cercado o Irã, proteger “Israel” e submeter as monarquias do Golfo ao comando militar dos EUA. A resposta de Teerã mostra o outro lado dessa política. Cada base estrangeira instalada na região é uma peça da ocupação imperialista e, ao mesmo tempo, um ponto de pressão contra os próprios EUA.





