O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou o oficial do Hamas, Basem Naim, por telefone, na terça-feira (23), que a causa palestina será levantada pela delegação iraniana nas negociações em curso com os EUA. O contato ocorreu em meio às tentativas do Hamas de inserir Gaza na agenda das tratativas entre Irã e EUA, enquanto seguem denúncias de violações do cessar-fogo por forças de “Israel”. A posição foi apresentada como continuidade do apoio iraniano aos direitos nacionais palestinos.
Naim, dirigente do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) responsável por relações árabes e islâmicas, discutiu com Araghchi os desdobramentos das conversas entre Irã e EUA e a situação palestina, especialmente em Gaza. O representante do Hamas elogiou a posição iraniana diante da causa palestina e o apoio mantido à Faixa diante da agressão “israelense”.
O chanceler também afirmou que o Irã levará a continuidade das agressões de “Israel” a fóruns internacionais. A fala procura vincular Gaza à negociação mais ampla, que envolve sanções, petróleo, ativos bloqueados e arranjos regionais.
A movimentação tem relação direta com a avaliação do Hamas de que a frente palestina não pode ser isolada. Setores da organização buscam um papel de pressão do Irã semelhante ao observado nas negociações que envolveram o cessar-fogo no Líbano. A leitura é que os avanços nesse tema criaram uma abertura para tentar recolocar Gaza no centro da diplomacia regional, ainda que EUA e “Israel” resistam a unir as frentes.
O telefonema foi o segundo contato público no mês entre o chanceler iraniano e a direção do Hamas. Em 4 de junho, Araghchi havia conversado com Khalil al-Hayya, chefe da delegação de negociação do Hamas em Gaza. Na ocasião, a direção do movimento elogiou a posição iraniana de defender a interrupção simultânea da guerra em todas as frentes da região, mas o comunicado não apontava claramente a inclusão de Gaza nas tratativas com os EUA.
A nova sinalização é mais explícita. O Hamas não abandona o caminho dos mediadores principais, como Egito, Catar e Turquia, mas procura ampliar canais de pressão política. Ao afirmar que os direitos nacionais palestinos seguem na pauta, Araghchi sustenta que Gaza será parte do quadro regional que condiciona qualquer entendimento duradouro com os EUA.





