O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou, na quinta-feira (28), a ameaça de sanções dos Estados Unidos contra Omã. O governo norte-americano ameaçou atacar o país caso ele coopere com o Irã no controle do Estreito de Ormuz. O porta-voz Esmaeil Baghaei classificou a ameaça como chantagem contra um Estado independente membro da Organização das Nações Unidas (ONU). A crise envolve negociações entre Irã e Omã sobre um novo mecanismo de trânsito marítimo.
A ameaça partiu do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em meio à disputa sobre o Estreito de Ormuz. O presidente Donald Trump também havia ameaçado atacar Omã caso o país aceitasse trabalhar com o Irã no controle compartilhado da passagem. Segundo o ministério iraniano, a declaração viola princípios da Carta da ONU e normas do direito internacional.
Baghaei afirmou solidariedade a Omã, país que há anos atua como mediador em negociações na região. O porta-voz iraniano destacou que Omã desempenha papel construtivo na paz e na segurança regional, o que torna a ameaça ainda mais grave. Para o Irã, a sanção e a ameaça militar fazem parte da tentativa dos Estados Unidos de impor submissão a um governo que mantém relações diplomáticas com a República Islâmica.
Irã e Omã negociam um novo arranjo para o trânsito marítimo pelo Estreito de Ormuz. A passagem deixou de seguir os acordos anteriores depois da escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e o regime de “Israel” agrediram o Irã. O governo iraniano passou a adotar controles mais rígidos após Trump anunciar bloqueio ilegal contra navios e portos iranianos, em violação dos termos de cessar-fogo anunciados pelo próprio presidente dos Estados Unidos.
Em 20 de maio, a autoridade iraniana responsável pela gestão do Estreito de Ormuz definiu uma zona de supervisão na passagem. Desde então, a Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) emite permissões de trânsito para dezenas de embarcações que aceitam as instruções da República Islâmica. O Irã afirma que a medida é uma defesa de sua soberania e uma resposta ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos.





