Gabriel Araújo

Dirigente Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Editor da Tribuna do Movimento e do Boletim do Movimento. Militante do Partido dos Trabalhadores e colunista do Voz Operária-Rio de Janeiro.

Coluna

Instagram suspende contas vinculadas ao MNLM

Empresas estrangeiras têm aval para censurar organizações brasileiras

No dia 22 de maio de 2026, a Secretaria de Comunicação do Movimento Nacional de Luta pela Moradia se deparou com a arbitrária suspensão de três contas vinculadas ao movimento na rede social Instagram, sendo elas a conta nacional, a conta do Estado do Tocantins e a conta de nosso principal dirigente nesse referido Estado, o companheiro Bismarque do Movimento.

Essa prática tem se tornado rotineira contra páginas políticas, principalmente as que são vinculadas às organizações de esquerda, que não comungam da cartilha política e ideológica dos grandes monopólios das redes sociais. Isso ocorre mesmo sem que haja processo judicial que justifique esse tipo de ação. E, se tivesse, já seria arbitrário, porque a Constituição garante a liberdade de expressão.

Nesse caso, um monopólio estrangeiro de comunicação quer estabelecer para uma reconhecida organização política, social e popular, brasileira e de caráter nacional, o que se pode ou não pode ser dito no território nacional. Isso é um completo absurdo e uma clara ingerência nos debates políticos que existem no país.

É preciso registrar que esse tipo de situação só está sendo possível porque determinados setores atrasados da própria esquerda serviram de testa de ferro para, em tese, legitimar esse tipo de coisa em defesa de uma suposta democracia que nunca existiu. Utilizam todo tipo de fantoche político, como o tal discurso de ódio, para impor uma censura, com o intuito de garantir um pensamento único no país.

Na realidade, essa democracia sempre serviu de pretexto para minar as liberdades políticas das organizações populares e do conjunto da classe trabalhadora. Essa democracia sempre serviu para a burguesia manobrar politicamente, com o objetivo de aprofundar a repressão e a exploração contra os trabalhadores. É para isso que serve o chamado regime democrático: ele é o invólucro, de acordo com Lênin em O Estado e a Revolução, para a dominação dos capitalistas e imperialistas, da maneira mais brutal e esmagadora já vista pela humanidade.

Não obstante, essa tal democracia serve somente para manter o monopólio da terra, da comunicação, da indústria e do sistema financeiro nas mãos de um punhado de capitalistas nacionais e internacionais, em detrimento do esmagamento do povo. Povo esse que, quando ocupa uma terra, é despejado; que, quando resolve denunciar essa situação, é censurado; quando utiliza seu sindicato e a greve para reivindicar melhores remunerações, tem sua ferramenta de luta punida com multas milionárias.

É essa a mesma suposta democracia que tem punido aqueles que têm denunciado o genocídio do povo palestino; a violação da soberania nacional e os bombardeios criminosos contra civis no Líbano, no Irã e no Iêmen; a tentativa de invasão da Rússia pela OTAN; a utilização do Estado fantoche de Taiwan para invadir a China; os bombardeios na Venezuela com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores; a forte repressão contra os trabalhadores bolivianos e a perseguição ao ex-presidente Evo Morales; etc.

Foi essa mesma democracia que derrubou a presidente Dilma Rousseff e fraudou as eleições em 2018 com a prisão do presidente Lula; que destruiu o Minha Casa, Minha Vida e que invalida o cumprimento da função social da propriedade; que impôs a destruição dos direitos de milhares de trabalhadores com a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência; que privatizou a Vale do Rio Doce, a Eletrobrás, a Telebrás, a Petrobrás; que tentou destruir a Embraer, que sucateou a indústria bélica e nuclear.

Nós não devemos sair em defesa de um regime político que é claramente antipopular, que está em evidente decomposição, que é odiado pela população. As organizações populares precisam denunciá-lo e trabalhar sistematicamente para derrubá-lo, construindo uma nova forma de organização política em que o povo trabalhador seja o elemento fundamental das decisões políticas e estratégicas do país.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a deste Diário

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