O artigo O SUS deve fornecer canetas emagrecedoras para combater a obesidade? NÃO, de André Medici, publicado na Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (17), revela a pensamento criminoso da burguesia, que transforma a saúde das pessoas em meros números.
Medici inicia dizendo que “a discussão sobre a incorporação de medicamentos do tipo agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida e a liraglutida, ao SUS não pode ser conduzida sob a lógica do entusiasmo tecnológico isolado”.
Para que o leitor não se deixe intimidar pelo palavreado técnico, as canetas para emagrecer se enquadram nos medicamentos do tipo agonistas.
Em seguida, o autor diz que “trata-se, essencialmente, de um problema de arquitetura do sistema: como alocar recursos escassos de forma a maximizar valor em saúde, ou seja, desfechos relevantes para a população ao menor custo possível, ao longo do ciclo de cuidado”. Recursos escassos é o mesmo que dizer que não tem dinheiro para a saúde e que, na opinião de André Medici, as pessoas devem se virar.
Como todo tecnocrata, que não se importa com a vida e o bem-estar do povo, Medici diz que “os pareceres da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) são consistentes ao evidenciar que, embora os agonistas de GLP-1 (as “canetas emagrecedoras”) apresentem eficácia clínica, sobretudo na redução de peso e melhora de parâmetros metabólicos, o seu custo incremental por beneficiário permanece elevado quando comparado às alternativas disponíveis”.
Esse tipo de linguagem, como “custo incremental”, é apenas para dizer que o governo vai ter que gastar mais com a população. E isso de “alternativas disponíveis”, quais seriam? Pelo que se sabe, o Mounjaro é um medicamento agonista, e sua principal inovação é ser um agonista duplo. Ajuda a reduzir o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, e potencializa a liberação de insulina e pode melhorar a forma como o corpo quebra gorduras e açúcar.
Falta dinheiro?
Segundo Medici, “em um sistema como o SUS, onde a restrição orçamentária é estrutural e não conjuntural, decisões dessa natureza não podem ser analisadas em termos absolutos, mas sim em termos de custo de oportunidade: cada incorporação desloca recursos de outras intervenções potencialmente mais custo-efetivas e com maior impacto populacional.” A questão é: por que existe a tal “restrição orçamentária”? Porque após o golpe de 2016 foi implementado o teto de gastos, que a burguesia toda apoia. O governo tem que economizar dinheiro da saúde para pagar juros criminosos da dívida pública para os bancos.
Não falta dinheiro, o que acontece é que os parasitas do sistema financeiro estão enchendo os bolsos com o dinheiro que deveria ir para a saúde.
“A obesidade é uma condição de altíssima prevalência” , diz Medici e “isso altera completamente a equação econômica. Diferentemente de tecnologias voltadas a nichos clínicos restritos, a eventual incorporação dessas terapias implicaria uma expansão massiva da demanda”. Traduzido, o autor diz que tem muita gente sofrendo com obesidade, e que mais pessoas precisam de tratamento, o que significa que o governo teria que gastar mais com saúde e sobraria menos para os bancos.
A pobreza e a obesidade
Ao contrário do que muita gente pode imaginar, a obesidade tem atingido cada vez mais pessoas pobres.
No Brasil, o preço de alimentos frescos (frutas, legumes, carnes magras) tem sofrido variações inflacionárias maiores do que o de produtos ultraprocessados.
Alimentos ricos em farinha refinada, açúcar e gordura vegetal (biscoitos, macarrão instantâneo, refrigerantes) oferecem uma sensação de saciedade rápida a um custo muito baixo.
Além disso, produtos industriais têm maior prazo de validade e são fáceis de estocar, o que é crucial para famílias que dependem de promoções ou que não possuem infraestrutura de armazenamento adequada.
Existem muitos lugares onde é difícil se encontrar alimentos frescos, sendo preciso caminha muito para se encontrar uma feira. Nos mercadinhos de bairro a priorizam itens industrializados.
Há ainda outro fator importante, o trabalhador tem cada vez menos tempo livre, ficam muito tempo dentro de transporte público e fica difícil preparar alimentos, que exigem higienização, preparação e cozimento.
Nos meios de comunicação existe um bombardeio constante de propaganda de “alimentos” ultraprocessados, cujo alvo preferencial são as crianças. Estas, por sua vez, nas periferias, não têm parques públicos ou infraestrutura onde possam gastar energia e se divertir, sendo forças ao sedentarismo.
Governo beneficia laboratório americano
Atualmente, as pessoas com obesidade que estavam recorrendo às canetas emagrecedoras, serão forçadas a pagar 10 vezes mais caro: entre R$ 1450,00 e R$ 2500,00.
A Anvisa passou a proibir os remédios fabricados no Paraguai, e regulamentados no correspondente à Anvisa de lá. Com essa manobra, o brasileiro vai ter que comprar de um único laboratório multinacional, o Eli Lilly, dos Estados Unidos, a preços extorsivos.
O governo brasileiro entregou de mão beijada a uma multinacional o monopólio de um medicamento, que vai lucrar bilhões às custas dos brasileiros que depois vai remeter seus lucros criminosos para a matriz nos EUA.
Cadeia para quem desobedecer
Não bastasse o absurdo de entregar o monopólio a uma empresa, o governo montou uma gigantesca operação policial para interceptar os ônibus na Foz do Iguaçu, revistar e prender pessoas com canetas emagrecedoras. A pena de prisão pode variar de 2 a 5 anos de prisão.
Em nome de defender a saúde da população, o governo vai atirar gente na cadeia, onde morrem 6 pessoas todos os dias, de pneumonia, tuberculose, ou por infecções provocadas por sarna e outros tipos de micoses.
Fica claro que o governo não está preocupado em defender a saúde das pessoas, mas o lucro de uma empresa. Uma empresa que está extorquindo a população brasileira, pois no país vizinho o mesmo remédio custa dez vezes menos.





