Mercenários ligados à Al-Qaeda atacaram duas aldeias no centro do Máli, na noite de quarta-feira (6) para quinta-feira (7), assassinando cerca de 50 pessoas. Entre os mortos estavam civis e membros de forças de autodefesa pró-governo. Os ataques ocorreram na região de Mopti e foram os mais letais desde a ofensiva coordenada do fim de abril.
O novo massacre ocorre em meio à tentativa de cerco contra Bamako e à escalada de ataques do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), em aliança com a Frente de Libertação de Azauade. A ofensiva de abril fracassou na tentativa de derrubar o governo. Ainda assim, assassinou o ministro da Defesa, Sadio Camara, e abriu uma nova fase da guerra no país. A agência Reuters registrou que o Exército maliano reconhece a persistência da ameaça e que estradas para Kayes e Kita têm sido afetadas por ações dos mercenários.
A riqueza mineral do Máli ajuda a explicar a ofensiva imperialista. O país tem cerca de 800 toneladas de reservas comprovadas de ouro, a terceira maior reserva da África, atrás da África do Sul e de Gana. O governo maliano afirma que o potencial geológico pode chegar a 2.000 toneladas. Mais de dois milhões de pessoas dependem do setor de mineração, concentrado em regiões como Sikasso, Koulikoro e Kayes.
O ouro domina a economia externa maliana. Estimativas do Conselho Mundial do Ouro apontam produção de cerca de 100 toneladas em 2024, incluindo a produção artesanal, número que colocaria o Máli como o segundo maior produtor africano, atrás de Gana. O ouro representa quase 80% das exportações do país e gerou cerca de US$4,3 bilhões em 2024, segundo dados citados pela Al Jazeera a partir do Departamento de Comércio dos Estados Unidos e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O lítio é outro alvo. O projeto Goulamina, no sul do Máli, é apresentado como uma das maiores jazidas africanas do mineral, com mais de 200 milhões de toneladas de recursos contendo lítio. A mineração maliana foi historicamente dominada por multinacionais estrangeiras, sobretudo canadenses e australianas, com participação chinesa em expansão. A tentativa do governo de elevar a participação estatal em operações mineradoras para até 35% aumenta ainda mais a importância do controle político do país.
Além de ouro e lítio, o Máli tem urânio, fosfatos, ferro, manganês, diamantes, bauxita, sal-gema e mármore. Estimativas de 2022 citadas pela Direção Nacional de Geologia e Minas apontam 5,8 bilhões de toneladas de lítio, dois bilhões de toneladas de minério de ferro, 11 mil toneladas de urânio e 1,2 bilhão de toneladas de bauxita. A guerra no país está diretamente ligada à disputa imperialista por essas riquezas.





