A Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a atacar o governo do Afeganistão nesta segunda-feira (6). A declaração, apresentada como defesa de direitos, se insere em uma longa política de intervenção imperialista que marcou as últimas décadas da história afegã, incluindo a ocupação militar de cerca de 20 anos conduzida pelos Estados Unidos e seus aliados.
Segundo relatores da própria ONU, integrantes do Talibã estariam impedindo mulheres — inclusive funcionárias da organização — de entrar em seus complexos. A denúncia é apresentada como um escândalo internacional, com alegações de violação de direitos e prejuízo às operações humanitárias. No entanto, ignora-se deliberadamente o papel desempenhado pela própria ONU como instrumento político do imperialismo na região.
A presença da ONU no Afeganistão não é neutra. Ao longo da ocupação estrangeira, a entidade atuou em consonância com os interesses imperialistas que devastaram o país, apoiando um regime ditatorial profundamente dependente dos Estados Unidos. A derrota desse regime, resultado de uma rebelião armada das massas afegãs, colocou em xeque toda a estrutura de intervenção externa, incluindo as organizações internacionais.
Nesse contexto, a desconfiança do Talibã em relação à atuação da ONU, especialmente no que diz respeito ao contato direto com a população, não surge de forma arbitrária. A utilização da questão feminina como instrumento político já foi amplamente empregada pelo imperialismo para justificar guerras e intervenções. A chamada “defesa das mulheres” foi um dos principais pretextos utilizados para legitimar a ocupação militar do país.
O discurso atual repete a mesma lógica. Especialistas da ONU afirmam que a exclusão de mulheres compromete a assistência humanitária e pedem pressão internacional contra o governo afegão. Trata-se de uma tentativa de reabrir canais de influência dentro do país sob a bandeira dos direitos humanos, utilizando o identitarismo como ferramenta de penetração política.
A campanha ganha reforço de figuras da indústria cultural, como a atriz Meryl Streep, que afirmou que mulheres no Afeganistão teriam menos direitos que um animal doméstico. Esse tipo de declaração, amplamente divulgada pela imprensa internacional, serve para construir uma propaganda de barbárie que justifica novas formas de intervenção imperialista.
O identitarismo feminista, nesse caso, aparece como um mecanismo de guerra de dominação. Ao apresentar a situação das mulheres de forma isolada, descolada do contexto histórico e político, busca-se legitimar a interferência externa e deslegitimar o governo que emergiu após a derrota do imperialismo pelas amplas massas afegãs.
A insistência da ONU em pressionar o Afeganistão revela a continuidade de uma política que, mesmo após a retirada militar, mantém o país sob cerco político e econômico. A questão das mulheres, longe de ser tratada como um tema interno da sociedade afegã, é usada como ferramenta de dominação.





