Os Estados Unidos, a Inglaterra, a França e a Alemanha apresentaram uma nova resolução contra o Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), durante a reunião de junho do Conselho de Governadores da entidade. O texto exige que a República Islâmica forneça “informações completas” sobre suas instalações nucleares bombardeadas e sobre seus estoques de urânio enriquecido, além de abrir acesso aos inspetores da agência.
A medida aparece como uma exigência “técnica”, mas seu conteúdo é político. O Irã é pressionado justamente pelas potências que estão envolvidas na guerra contra o país ou que apoiam, direta ou indiretamente, a agressão contra a República Islâmica. A resolução não parte apenas dos Estados Unidos. Ela é apresentada em conjunto com as principais potências imperialistas europeias, mostrando que a ofensiva contra o Irã é uma política do imperialismo de conjunto.
A própria imprensa internacional reconhece que a resolução foi apresentada pelos EUA, Inglaterra, França e Alemanha, e que ela exige do Irã informações sobre os locais bombardeados pelos EUA e por “Israel”.
A França, a Alemanha e a Inglaterra vêm afirmando que não participaram diretamente dos ataques contra o Irã. Essa declaração serve para proteger a imagem dos governos europeus diante de suas próprias populações. Mas, ao mesmo tempo, esses mesmos governos dizem estar em contato com os Estados Unidos, com “Israel” e com aliados regionais, além de declararem apoio à AIEA e exigirem que o Irã faça concessões.
A resolução exige que o Irã diga o que aconteceu com suas instalações e com o material nuclear que estava nesses locais. O problema é que parte dessas instalações foi bombardeada. A AIEA, que deveria defender a segurança das instalações nucleares sob salvaguardas, não condenou de maneira consequente os ataques contra o Irã.
O resultado é um mecanismo absurdo. Primeiro, os EUA e “Israel” atacam instalações nucleares iranianas. Depois, a AIEA acusa o Irã de não permitir a verificação normal dessas mesmas instalações. Em seguida, os governos imperialistas usam essa situação para apresentar uma nova resolução contra Teerã.
A Rússia denunciou justamente esse mecanismo. O representante russo em Viena afirmou que a responsabilidade pela agressão e por suas consequências não pode ser transferida do agressor para a vítima.
A política contra o Irã não começou agora. Há anos, o imperialismo usa a questão nuclear como pretexto para atacar a soberania iraniana. O objetivo real é impedir que o país mantenha uma política independente no Oriente Próximo, apoie a resistência palestina, desenvolva tecnologia própria e preserve sua capacidade de defesa.
Por isso, as exigências nunca ficam limitadas ao programa nuclear. Quando os EUA apresentaram propostas anteriores de cessar-fogo e acordo, as exigências avançavam sobre o programa de mísseis, o apoio ao Hesbolá e ao Hamas, o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz e a própria estrutura militar do país.
Ou seja: o que o imperialismo quer não é “segurança nuclear”. Quer desarmar politicamente e militarmente o Irã. Quer transformar a República Islâmica em um país incapaz de defender sua soberania.





