PCO nas eleições

Ieri Braga: ‘o caminho passa pela organização dos trabalhadores’

Candidato do PCO ao governo do Ceará denunciou perseguição política, poder dos bancos e exclusão eleitoral durante entrevista ao Diário do Nordeste

O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Ceará, Ieri Braga, denunciou a perseguição política contra o Partido, criticou o controle dos bancos sobre o orçamento público e defendeu a mobilização dos trabalhadores durante entrevista ao programa PontoPoder Eleições, do Diário do Nordeste.

Antes de responder à primeira pergunta, Braga chamou atenção para a ofensiva contra o PCO e contra Rui Costa Pimenta, candidato do Partido à Presidência da República.

“Eu queria aqui ressaltar o ataque criminoso que o Partido vem sofrendo por parte da Polícia Federal, três dias antes das eleições. O camarada Rui Costa Pimenta tem sido alvo, inclusive, de perseguição política.”

O candidato afirmou que o PCO é sustentado pelos próprios trabalhadores, sem financiamento de bancos ou organizações não governamentais, e criticou a abertura de investigações contra o Partido em plena campanha eleitoral.

Questionado sobre sua ligação com o Ceará, Braga corrigiu uma informação apresentada pelo entrevistador. Explicou que é servidor da Universidade Federal do Ceará (UFC) há cerca de dois anos e que se transferiu para o Estado também por razões familiares, já que sua esposa é cearense.

Na sequência, apresentou um dos principais pontos levantados durante a sabatina: a submissão dos estados ao sistema financeiro.

Segundo Braga, grande parte dos recursos públicos é destinada ao pagamento dos juros da dívida, o que reduz a capacidade de investimento em saúde, educação e outras necessidades da população.

“A principal relação que todos os candidatos operários têm com as federações no Brasil todo é libertar o Estado da ditadura bancária.”

Ao ser perguntado sobre a participação recorrente do PCO nas eleições, Braga afirmou que o Partido não considera o processo eleitoral capaz de resolver, por si só, os problemas da classe operária.

Para ele, as eleições são controladas pela burguesia, inclusive por mecanismos que favorecem determinadas candidaturas e diminuem a exposição de outras.

O candidato mencionou a pesquisa Quaest utilizada como um dos critérios para definir os participantes das entrevistas do Diário do Nordeste. Segundo ele, sua candidatura sequer havia sido incluída no formulário apresentado aos entrevistados.

“A pesquisa, particularmente, é uma pesquisa enviesada porque não considerou os candidatos da extrema esquerda, não considerou principalmente a minha candidatura.”

Braga explicou que o PCO participa das eleições para apresentar seu programa e defender que os trabalhadores atuem por meio de suas próprias organizações, como sindicatos, federações, organizações populares e associações formadas nos locais de trabalho.

Também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), que acusou de restringir a liberdade de expressão, e declarou apoio à anistia dos condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro.

No tema da segurança pública, Braga atacou a proposta de Ciro Gomes de cooperação com o Mossad, serviço secreto de “Israel”.

O candidato afirmou que uma organização ligada ao Estado sionista não pode ser apresentada como modelo para a segurança brasileira e acusou os serviços israelenses de atuarem contra interesses nacionais.

Braga também criticou a presença de empresas israelenses no Ceará e relacionou o assunto à guerra contra o povo palestino.

Ao comentar a atuação do Mossad, afirmou que o exemplo de organização a ser observado seria a resistência palestina, e não o serviço secreto israelense.

Perguntado sobre medidas de governo, Braga destacou a revogação das privatizações, aumento de 100% dos salários e estatização dos bancos.

Segundo ele, essas medidas dependeriam de uma ampla mobilização popular, já que um governador isolado enfrentaria a resistência das instituições dominadas pela burguesia.

“Eu mesmo sozinho não consigo fazer nada. A coletividade que consegue fazer alguma coisa.”

Braga defendeu que um governo do PCO servisse de apoio às greves, manifestações e demais formas de mobilização dos trabalhadores.

Durante a entrevista, confirmou ainda que Rui Costa Pimenta deverá participar da campanha no Ceará: “esse camarada dedicou a vida à luta dos trabalhadores.”

O candidato também esclareceu a posição do PCO sobre a Polícia Militar. Segundo Braga, o Partido não defende apenas uma mudança na estrutura da instituição, mas seu fim: “o que a gente tem que fazer é criar milícias populares.”

Nas considerações finais, Braga voltou a defender que os trabalhadores não depositem suas esperanças apenas nas eleições.

Citou a resistência palestina como exemplo de organização contra a dominação imperialista e encerrou reafirmando a necessidade de ação independente da população: “o caminho não passa pelo processo eleitoral. O caminho passa através da nossa organização.”

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