A direção militar do Iêmen anunciou nesta segunda-feira (24) que o confronto com a Arábia Saudita entrou em uma nova etapa. Após a retomada das agressões de Riade, as forças ligadas ao governo de Saná afirmaram que não se limitarão mais a responder aos ataques depois que eles ocorrerem.
A mudança foi anunciada pelo ministro da Defesa, major-general Mohammed al-Atifi, e pelo chefe do Estado-Maior, major-general Youssef al-Madani. Ambos afirmaram que o aumento da pressão saudita será respondido com a ampliação dos meios e das ações militares do Iêmen.
A declaração foi feita no mesmo dia em que os iemenitas anunciaram o ataque ao petroleiro saudita Amzan, no norte do Mar Vermelho, próximo à cidade portuária de Yanbu. A embarcação foi atingida por um míssil balístico e pegou fogo.
De acordo com o porta-voz militar Iahia Saré, o disparo alcançou diretamente o navio. Outras embarcações que navegavam na região se afastaram depois que o petroleiro foi atingido.
A ação faz parte do bloqueio naval imposto por Saná à Arábia Saudita. O governo iemenita responde dessa forma ao cerco mantido contra o País, resumindo sua política na fórmula “bloqueio por bloqueio”.
Os combates, porém, não ficaram restritos ao Mar Vermelho. No mesmo dia, tropas e equipamentos sauditas foram atingidos em diferentes pontos próximos à fronteira.
Nas regiões de Al-Ubra e Al-Wadi’a, um comboio que transportava material militar foi alvejado por mísseis balísticos e aparelhos aéreos não tripulados. Mais de 10 caminhões carregados de armamentos teriam sido destruídos.
Segundo o comando iemenita, as armas estavam sendo levadas da Arábia Saudita para emprego na guerra contra o Iêmen.
Outro golpe foi desferido contra forças sauditas em Al-Kanais. O Iêmen informou que dezenas de soldados foram mortos ou feridos, inclusive oficiais e comandantes. Depósitos de armamentos também foram destruídos.
Iahia Saré advertiu que novas agressões receberão respostas ainda mais duras. A orientação anunciada pelo governo iemenita é manter, além do bloqueio naval, a política de “escalada por escalada”.
A intensificação das ações militares ocorre em meio a novos ataques sauditas contra o território do Iêmen. Durante a noite, vilarejos do distrito de Razih, na província de Saada, foram bombardeados pela artilharia saudita, segundo a televisão Al Masirah.
Também prosseguem as violações do espaço aéreo iemenita. No domingo (23), a defesa de Saná derrubou um aparelho de reconhecimento ScanEagle sobre a província de Hajjah. Segundo uma fonte militar, ele realizava uma missão de vigilância quando foi abatido.
O confronto voltou a se agravar em julho, depois que a Arábia Saudita atacou o Aeroporto Internacional de Saná. A partir daí, o governo iemenita passou a considerar encerrado, na prática, o acordo de 2022 que havia reduzido as hostilidades diretas entre os dois países.
Foi após esse episódio que o Iêmen anunciou o bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e endureceu sua resposta militar.
A declaração de al-Atifi e al-Madani representa mais um passo nessa direção. Em vez de permanecer apenas na posição de responder aos bombardeios e às violações sauditas, o comando iemenita anunciou que pretende tomar a iniciativa militar para impedir a continuidade da agressão.




