Guerra contra o Irã

Bases norte-americanas destruídas pelo Irã podem não reabrir

Danos provocados pela retaliação iraniana levam EUA a discutir abandono de grandes instalações militares no Golfo Pérsico

Parte das bases norte-americanas atingidas pela retaliação do Irã pode não ser reconstruída. Os danos sofridos durante a guerra abriram uma discussão nos Estados Unidos sobre a conveniência de manter grandes instalações militares permanentes no Golfo Pérsico, agora expostas ao alcance dos mísseis e drones iranianos.

Segundo informações publicadas pelo inglês Financial Times, autoridades norte-americanas avaliam se vale a pena gastar bilhões de dólares na reconstrução de unidades que poderiam voltar a ser atingidas.

A alternativa seria modificar a disposição das tropas dos Estados Unidos na região, substituindo parte das grandes bases por contingentes menores e capazes de se deslocar com maior facilidade.

Essa mudança já vinha sendo considerada antes da guerra. A ofensiva iraniana, contudo, demonstrou na prática o risco de concentrar militares e equipamentos em grandes complexos fixos próximos ao território do país.

Os Estados Unidos operam a partir de quase 20 pontos espalhados entre a Jordânia e Omã. A parte mais importante desse dispositivo está concentrada no Golfo Pérsico, principalmente no Catar, Barein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Vários desses locais foram atacados pelo Irã em retaliação à criminosa guerra de agressão desencadeada pelo imperialismo no início do ano.

Construída durante décadas para garantir a presença militar norte-americana no Oriente Médio, essa rede tornou-se também um dos principais pontos de pressão contra os próprios Estados Unidos. O Irã demonstrou possuir meios para atingir posições que até então funcionavam como importantes centros de apoio para as operações imperialistas na região.

A dúvida sobre a reconstrução mostra que os efeitos da retaliação ultrapassaram os prejuízos imediatos. Mesmo depois de reparada, uma base continuará no mesmo lugar e permanecerá ao alcance das armas iranianas.

A guerra também vem produzindo um número crescente de baixas entre os militares norte-americanos.

De acordo com números do Sistema de Análise de Baixas da Defesa do Pentágono citados pela imprensa, pelo menos 774 integrantes das Forças Armadas dos Estados Unidos já foram atingidos no conflito. São 18 mortos e 756 feridos.

Os registros aparecem divididos entre a chamada Operação Fúria Épica e as chamadas “operações no exterior”, categoria que reúne as baixas contabilizadas após a retomada dos combates em julho.

O Exército teria sofrido as perdas mais numerosas, com centenas de feridos.

Os dados contrastam com a demonstração rápida de força que os Estados Unidos pretendiam realizar contra o Irã. A agressão encontrou uma resposta capaz não apenas de provocar baixas, mas de atingir diretamente a estrutura utilizada pelo imperialismo para sustentar sua presença militar no Oriente Médio.

As grandes bases norte-americanas sempre foram uma demonstração visível dessa presença. Também dependiam, porém, da incapacidade dos países atacados pelos Estados Unidos de responder diretamente contra elas.

O Irã alterou essa situação.

Com mísseis e drones capazes de alcançar diversos pontos do Golfo, Teerã transformou instalações importantes para as operações norte-americanas em alvos permanentes de uma eventual nova rodada de ataques.

A dispersão das tropas em unidades menores poderia dificultar novos golpes iranianos, mas significaria igualmente reconhecer que o modelo utilizado durante anos perdeu parte de sua segurança.

É esse problema que agora aparece diante do Pentágono: reconstruir por bilhões de dólares posições que o Irã já demonstrou ser capaz de atingir ou abandonar parte da estrutura militar montada pelos Estados Unidos no Golfo Pérsico.

Enquanto essa discussão ocorre, o número de soldados mortos e feridos continua crescendo e algumas das bases utilizadas para cercar militarmente o Irã talvez nunca voltem a funcionar como antes.

O Irã, de fato, está dando uma contribuição valiosíssima para a expulsão do imperialismo do Oriente Médio. O Eixo da Resistência, que se espalha pela região, terminará esse serviço, com o levante armado dos povos árabes e muçulmanos contra a ocupação sionista e o domínio imperialista.

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