As Forças Armadas do Iêmen proibiram, com efeito imediato, a navegação marítima vinculada à Arábia Saudita. Anunciada nesta segunda-feira (20), a medida responde ao cerco mantido pela monarquia saudita contra os portos, aeroportos e fronteiras do país há quase 12 anos.
O porta-voz militar iemenita, general de brigada Iahia Saré, afirmou que navios de bandeira saudita, pertencentes a empresas do país ou destinados aos seus portos passam a estar sujeitos à proibição.
“As Forças Armadas Iemenitas anunciam a proibição da navegação marítima do inimigo criminoso saudita, segundo a fórmula ‘bloqueio por bloqueio’”, declarou Saré.
Segundo o porta-voz, as autoridades sauditas receberam tempo suficiente para suspender as restrições, mas mantiveram o cerco e voltaram a atacar o Aeroporto Internacional de Saná. O local é utilizado por voos humanitários que transportam pacientes e iemenitas retidos no exterior.
Saré advertiu que uma ampliação da ofensiva saudita será respondida no mesmo grau. As forças iemenitas também convocaram a população a manter a mobilização e reforçar as frentes de combate.
Prazo concedido chegou ao fim
O chefe da delegação negociadora iemenita, Mohamed Abdel Salam, afirmou que a decisão militar foi tomada depois de sucessivos adiamentos por parte da Arábia Saudita.
Segundo o dirigente, o governo saudita procurou negar sua responsabilidade pelo fechamento do aeroporto de Saná e pelas restrições impostas ao comércio marítimo do Iêmen. Para Abdel Salam, as grandes manifestações realizadas no último dia 17 mostraram que o período concedido à monarquia terminou.
Os atos da “Sexta-feira de Advertência e Mobilização” reuniram milhares de pessoas na Praça al-Sabeen, em Saná, e em centenas de localidades de várias províncias. Os manifestantes exigiram o fim do cerco e apoiaram medidas de resposta contra a Arábia Saudita.
“Um bloqueio em resposta a outro bloqueio é a resposta natural, legal e moral à intransigência saudita”, declarou Abdel Salam.
O dirigente afirmou que a pressão militar procura obrigar a Arábia Saudita a reabrir integralmente os portos e aeroportos do Iêmen. Ele responsabilizou a monarquia pelas consequências de qualquer nova escalada.
Ataque contra Abha
A proibição marítima foi anunciada após aviões sauditas bombardearem o Aeroporto Internacional de Saná. As Forças Armadas do Iêmen responderam com mísseis balísticos e aparelhos aéreos não tripulados contra o Aeroporto Internacional de Abha, no sul da Arábia Saudita.
Segundo Saree, a operação atingiu os objetivos estabelecidos. As forças iemenitas também orientaram as companhias aéreas a evitar o espaço aéreo saudita enquanto os voos de Saná continuarem submetidos a restrições.
Uma fonte do Ministério da Defesa do Iêmen informou à rede Al Mayadeen que aeronaves de “Israel” auxiliaram as forças sauditas na tentativa de interceptar o ataque. Aviões Gulfstream equipados para espionagem e reconhecimento teriam partido da base aérea de Nevatim e acompanhado as trajetórias dos mísseis e aparelhos não tripulados sobre o Mar Vermelho.
O subsecretário iemenita de Relações Exteriores para Assuntos Políticos, Abdallah Sabri, declarou que o ataque saudita encerrou a fase de “nem guerra, nem paz”. Segundo ele, a resposta não se limita ao aeroporto de Saná, mas integra a luta pelo levantamento completo do cerco.
Sabri afirmou que as negociações permanecem abertas, desde que produzam um acordo que garanta os direitos do povo iemenita e encerre a situação de impasse.
Rota petrolífera sob ameaça
A decisão coloca sob pressão uma rota fundamental para as exportações sauditas de petróleo. Desde o início da guerra norte-americana e israelense contra o Irã, em 28 de fevereiro, a Arábia Saudita aumentou o uso do terminal de Yanbu, no Mar Vermelho, para reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz.
Os navios que saem de Yanbu em direção à Ásia, porém, precisam atravessar o Estreito de Babelmândebe, passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Ádem situada diante do território iemenita.
Uma interrupção completa dessa rota pode atingir cerca de 7% do abastecimento mundial de petróleo e obrigar os navios a contornar o continente africano, aumentando o tempo e o custo das viagens.
O anúncio iemenita já elevou o preço dos seguros de guerra para embarcações que atravessam o Mar Vermelho. A taxa indicativa passou de aproximadamente 0,3% do valor do navio, na sexta-feira (17), para 0,75% nesta segunda-feira.
O integrante do Birô Político do Ansar Alá Mohamed al-Bukhaiti afirmou que o Iêmen prepara uma nova etapa para acabar com o cerco. Ele também declarou que o país atua em coordenação com o Eixo da Resistência diante das agressões norte-americanas e israelenses contra o Irã e os demais povos que apoiam a luta palestina.


