Polêmica

Identitarismo está em franca decadência

A esquerda pequeno-burguesa está aos poucos abandona o identitarismo, pois não dá votos, o que não interessa aos oportunistas

Identitarismo

O identitarismo está em sua curva descendente, a truculência de seus adeptos em tentar impor essa ideologia por meio da coerção, pela força da lei e pelo encarceramento de opositores, tem aumentado a resistência e até mesmo dentro de setores como o feminismo, que tradicionalmente luta pelos direitos das minorias.

O artigo Orgulho é não ter medo de dizer o nosso nome de Lucas Marques, publicado no sítio Esquerda Online nesta segunda-feira (28), é escrito do ponto de vista de quem já começou a sentir o refluxo dessa ideologia.

Nesse sentido, seu texto inicia dizendo que “o primeiro ato do segundo governo Trump, em janeiro de 2025, não foi sobre economia. Não foi sobre inflação, imigração ou comércio internacional. Foi uma ordem executiva para apagar pessoas trans dos documentos e das políticas do governo federal.”

A coisa não para por aí. Segundo escreve o articulista, “o decreto, intitulado Defending Women from Gender Ideology Extremism and Restoring Biological Truth to the Federal Government, já anuncia seu objetivo no próprio nome: o governo federal deixa de reconhecer a identidade de gênero e passa a admitir apenas o sexo biológico como categoria jurídica. A partir dali, todas as agências federais são obrigadas a substituir a palavra “gênero” por “sexo” em regulamentos, formulários e políticas públicas. Hospitais suspendem o atendimento a adolescentes trans. Pessoas trans voltam a ser formalmente proibidas de servir nas Forças Armadas.”

Uma ideologia burguesa

O identitarismo floresceu dentro das universidades norte-americanas, um grupo predominantemente de classe média, e se espalhou por outras universidades pelo mundo.

Ocorre que, fora das universidades, a realidade é outra, a maioria das pessoas é conservadora. Portanto, as reivindicações de quaisquer direitos precisam ser negociadas, principalmente em se tratando de minorias.

É falsa a afirmação de que  “a extrema direita contemporânea não se constrói apesar da pauta LGBTQIA+, mas precisamente por meio dela.  O ascenso da extrema direita é fruto das contradições surgidas com a crise do neoliberalismo, que tem levado ao empobrecimento inclusive de setores importantes da economia.

Quanto às minorias sexuais, a pressão que vêm sofrendo é proporcional à pressão que o identitarismo vem fazendo. A cada dia, novas leis são criadas para punir quem simplesmente faz algum tipo de comentário considerado ofensivo, e as penas são cada vez maiores e incrementadas com agravantes.

A questão da invasão de mulheres trans nos esportes e ambientes privativos das mulheres, como os banheiros femininos, tem mexido com nada menos que metade da população mundial. E essas não são questões menores.

O artigo diz que “a pauta não serve apenas para conquistar votos; ela organiza uma visão de mundo. Ao deslocar o conflito político para o terreno da moral, a extrema direita substitui debates sobre desigualdade, concentração de renda ou direitos sociais por disputas existenciais entre “bem” e “mal”, “natureza” e “ideologia”, “família” e “corrupção”. 

No mundo real, é o identitarismo que tem levado o conflito para o terreno da moral. Essas leis de racismo, fobias disso e daquilo, são todas difusas, subjetivas, mas têm ajudado o Estado burguês a promulgar leis que têm ajudado a fechar o regime.

Segundo Marques, “nesse processo, as pessoas trans ocupam uma posição singular. Elas se tornam o laboratório privilegiado dessa política porque sua própria existência desafia a ideia de que sexo, gênero, família e autoridade são categorias fixas e determinadas pela natureza.” O problema é que não são laboratório de nada, apenas se negam a olhar para a natureza objetiva. Inventaram a categoria “gênero” e querem que a biologia se adapte a ela. O fato de um indivíduo se sentir de outro sexo não transforma suas funções biológicas.

Conforme este Diário já escreveu mais de uma vez, se o gênero existe, por que ocorrem os casos pessoas que fazem “transição” e depois “destranciosionam”? Uma mulher, por exemplo, que se identifica como homem, faz procedimentos cirúrgicos e hormonais e depois retrocede, expressa uma contradição do conceito, que diz que o gênero é uma identidade, um sentimento.

A questão das leis

É curioso que o autor escreva que “quando a extrema direita consegue utilizar o Estado para negar a legitimidade da identidade de gênero de uma parcela pequena e vulnerável da população, demonstra também sua capacidade de definir quais vidas merecem reconhecimento e quais podem ser excluídas da proteção jurídica. O autor se esquece de mencionar que os identitários é que estão utilizando o Estado e suas leis para punir quem rejeita a existência de gêneros, etc.

Quando a extrema direita consegue utilizar o Estado para negar a legitimidade da identidade de gênero de uma parcela pequena e vulnerável da população, demonstra também sua capacidade de definir quais vidas merecem reconhecimento e quais podem ser excluídas da proteção jurídica. 

Adiante, Marques alega que, “não por acaso, quase todas as grandes campanhas recentes da extrema direita — no Brasil e em outros países — tiveram as pessoas trans como alvo prioritário.” Mais um fato curioso, pois, aqui no Brasil, temos o caso de pessoas detidas por transfobia; e mesmo o caso da deputada Erika Hilton, que tem processado a torto e a direito.

O que foi determinante para a ascensão da extrema direita no Brasil não foi “a campanha contra o chamado ‘kit gay’, a retirada das discussões sobre gênero do Plano Nacional de Educação, os projetos Escola Sem Partido, os discursos em defesa da “família”, etc., mas a intensa perseguição da burguesia contra o Partido dos Trabalhadores. Durante o processo-farsa do Mensalão, a imprensa centrou fogo contra o PT. Havia prisões coordenadas com os noticiários, julgamentos e CPIs transmitidos ao vivo. Foi isso que fez a extrema direita levantar a cabeça, pois, além da campanha na grande imprensa, a esquerda recuou e abriu espaço para o avanço desse setor.

Lucas Marques escreve que “a ofensiva contra pessoas trans nunca permanece restrita a elas: ela funciona como ensaio para formas mais amplas de controle social, redução de direitos e consolidação da força política da extrema direita”, mas não é exatamente isso que fazem as leis e os aumentos de penas que os identitários exigem em nome da defesa das minorias? Quanto mais poder nas mãos do Estado, maior o controle social.

As eleições

Segundo Lucas Marques, “existe uma convicção difundida em parte do campo progressista de que gênero e sexualidade são temas ‘espinhosos’, o tal do ‘identitarismo’: assuntos que afastam o eleitorado, desviam o foco da economia e oferecem à extrema direita um terreno favorável de mobilização. A conclusão prática costuma ser sempre a mesma: melhor não falar disso agora, deixar para depois da eleição, preservar a frente ampla e evitar conflitos desnecessários.” Eis a dura realidade, e o PSOL está totalmente nisso, a maioria da esquerda se guia pelas urnas e pela conquista de cargos.

Não apenas o identitarismo é jogado para debaixo do tapete, fazem isso com a questão do aborto e da legalização das drogas. A esquerda pequeno-burguesa é completamente oportunista e não se pode esperar nada diferente.

O identitarismo, inevitavelmente, será abandonado pela esquerda pequeno-burguesa, é apenas uma questão de tempo.

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