Identitários aproveitam deliberação de países africanos sobre escravidão e colonialismo na ONU para atacar o Brasil, que não colonizou ninguém. Neste dia 17 de março, diversos países africanos, entre eles Burquina Fasso, Zimbabue e Moçambique, deliberaram em assembleia geral da ONU sobre a gravidade da escravidão e do colonialismo.
Após a deliberação, prontamente o G1, a Folha de São Paulo e o Correio Braziliense lançaram matérias para deslocar a luta anti-colonial para uma batalha moral, de um racismo, segundo a teoria identitária do “racismo estrutural”, intrínseco à identidade brasileira. As matérias afirmam que o racismo seria um elemento psicológico determinante da sociedade brasileira, colocando o país como o mais ou um dos mais racistas de todos. Esse tipo de abordagem ignora o processo histórico concreto de formação do Brasil, marcado não apenas pela exploração colonial, mas também pela luta contínua dos escravizados, camponeses e operários contra essa mesma exploração.
Organizações ligadas ao imperialismo, como a Ford Foundation e a National Endowment for Democracy (NED), há décadas promovem esse tipo de propaganda. Ao apresentar o Brasil exclusivamente como uma sociedade construída sobre a opressão racial, buscam apagar a luta dos oprimidos contra a exploração. Essa luta é o eixo principal de formação do país, e não a escravidão em abstrato, desconectada da história da luta de classes.
Embora apresentado como uma agenda de justiça social, esse discurso serve para, além de apagar a história de luta, atribuir ao povo brasileiro um racismo excepcional, que só pode ser solucionado a partir da agenda identitária trazida por uma missão civilizatória do imperialismo para salvar o Brasil do racismo, reproduzindo, assim, a própria lógica colonial.
Além disso, os jornalões ignoram o papel do imperialismo na manutenção da exploração de tipo colonial no mundo, agora sob nova forma adequada ao atual contexto do desenvolvimento produtivo no mundo. A campanha identitária apresentada pela grande imprensa, ao substituir a luta de classes por pautas morais abstratas baseadas em identidades, favorece a continuidade dessa exploração. Em uma pauta desconectada da materialidade, é possível apresentar o imperialismo como suposto aliado na luta contra o racismo, preparando uma base moral para suas intervenções no Brasil.





